Dirigir um carro híbrido é uma experiência bem interessante. Já havia descrito algumas impressões em um breve contato com o Fusion Hybrid (veja aqui). Agora, com o Prius, a experiência  por tempo mais prolongado permite ampliar a convivência e avaliar melhor o comportamento do conjunto mecânico. Como a combinação dos motores elétrico e a combustão ainda constitui novidade para a maioria dos consumidores, achei que seria interessante explicar como o sistema funciona.

Como já disse, dirigir um híbrido não é muito diferente de assumir a direção de um carro convencional. Mas o comportamento do veículo, paradoxalmente, é bastante distinto. Ao dar a partida, por meio de um botão, o painel ilumina-se e a tela digital dá as boas vindas com a mensagem “Welcome to Prius”. Não se ouve ronco algum, pois apenas o motor elétrico é acionado. Contudo, os equipamentos funcionam normalmente, pois não há correias para movimentar a assistência da direção ou o ar-condicionado. Tudo é elétrico e ligado diretamente às baterias.

É possível manobrar impulsionado apenas pela energia elétrica ou sair sendo empurrado pelo propulsor movido a gasolina. Tudo depende do peso do pé direito de quem está ao volante: ao pisar leve no acelerador, a central eletrônica “entende” que não há necessidade de força adicional e mantém apenas o motor elétrico ligado. O bloco a combustão entra em ação quando são percorridas distâncias grandes,  mesmo acelerando de leve, ou quando o  motorista afunda mais o pé. Tudo acontece de forma automática, sem qualquer tipo de tranco.

Meu percurso diário pode ser útil para ilustrar o comportamento do Prius.  O modelo se mantém impulsionado apenas pela eletricidade quando saio da vaga e espero o portão eletrônico abrir. Então acelero para subir a rampa da garagem e o motor a combustão é ligado automaticamente. Sigo por alguns quarteirões até uma grande avenida, quase toda em declive. Na descida, sem necessidade de acelerar muito, novamente apenas o propulsor elétrico se mantém ligado. O fim da avenida, quando é preciso pisar mais, o bloco a combustão volta a ser acionado. E assim vai, sempre de forma suave e quase imperceptível, a não ser pela ausência ou a presença do ronco do 1.8 16V.

Alguns botões no painel permitem que o motorista interfira um pouco no comportamento mecânico do Prius. Um deles, com a sigla “EV”, mantém só o motor elétrico ligado. Porém, o recurso só pode ser acionado em baixa velocidade e por distância máxima de 1 km, com carga máxima nas baterias. Se o motorista tentar acionar o comando  quando o veículo estiver embalado, nada acontecerá. Apenas uma mensagem no painel indicará que a operação não pôde ser realizada. As outras teclas, “Eco Mode” e “Power Mode” mantém a alternância automática entre os dois propulsores, mais alteram as respostas do carro. A primeira é voltada para a economia de combustível, com revés ao consumo. Boa para enfrentar trânsito lento. A segunda faz o contrário, priorizando a performance e fazendo o bloco a gasolina beber mais. Ideal para ultrapassagens e subidas de serra. As diferenças entre os modos normal, econômico e esportivo são perceptíveis, mas sutis. O veículo não chega a se transformar em um bólido, tampouco em uma lesma.

A recarga acontece de forma também automática, todas as vezes que os freios são acionados. Um sistema de aproveitamento de energia cinética canaliza as perdas dissipadas nas frenagens para as baterias. Pois é, não é possível conectar o Prius a uma tomada. Para controlar ganhos e perdas de carga, o motorista conta com gráficos no painel. A leitura é simples e de fácil familiarização. O quadro de instrumentos também exibe animações que mostram o fluxo de energia, históricos de consumo, velocidade média e uma espécie de econômetro, que incentiva a dirigir de forma mais ecológica. De acordo com a proposta do veículo.

Falaremos mais sobre o Prius nos próximos dias. A avaliação completa, como sempre, será publicada ao final do teste. Acompanhe!

Fotos | MarlosNey Vidal/Autos Segredos

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