Picape não tardará a receber nova geração: versão SV Attack 4×4 automática, avaliada, ainda agrada pelo conjunto mecânico, mas oferece poucos equipamentos, principalmente no que diz respeito à segurança

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Alexandre Soares
Especial para o Autos Segredos

O tempo é implacável com todos, mas principalmente com os veículos. A Frontier, por exemplo, era uma das mais atualizadas do segmento há alguns anos, e ainda gozava do título de mais potente da categoria (lembra-se da campanha publicitária dos pôneis malditos?). Mas a situação mudou rapidamente, com a chegada das atuais Chevrolet S10 e Ford Ranger, em 2012: sem a modernidade das novas rivais ou a clientela fiel da Toyota Hilux, o modelo da Nissan acabou assumindo de vez a lanterna nas vendas do segmento. O fabricante está se mexendo e atualizará sua picape em 2016; a nova geração já existe na Ásia e deverá dar as caras, inclusive no Salão do Automóvel de Buenos Aires, nesta semana. Até lá, todavia, a caminhonete da Nissan ainda terá de atrair consumidores por mais de um semestre.

teste_nissan_frontier_39É verdade que a Frontier ainda tem seus atributos. O conjunto mecânico, sem dúvidas, é o maior deles: o propulsor a diesel 2.5 16V equipado com um turbocompressor de geometria variável desenvolve 190 cv de potência a 3.600 rpm. Se não ocupa mais o posto de mais potente da categoria, ainda consegue um honroso terceiro lugar, atrás justamente da S10 e da Ranger, que têm 200 cv. O torque, de 45,8 kgfm a 2.000 rpm, também é generoso. O câmbio automático, de apenas cinco marchas, está datado, mas ainda leva vantagem sobre os da Hilux e da L200, que têm quatro. A tração 4×4 e a reduzida têm acionamento elétrico (a primeira pode ser acionada com o veículo em movimento; a segunda não), enquanto a suspensão segue o tradicionalíssimo esquema independente de braços sobrepostos na dianteira e por eixo rígido na traseira, com molas parabólicas. A direção tem assistência hidráulica.

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PICAPE COMPORTADA

Em funcionamento, esse conjunto mecânico mostra-se bem-ajustado. O desempenho é bom, graças em grande parte à turbina que enche rápido, minimizando o efeito conhecido como lag. A picape não tem dificuldade alguma em arrancar ou retomar velocidade, mostrando bom fôlego em praticamente todas as faixas de rotação. Já o câmbio não consegue evitar que as rotações caiam de modo exagerado nas mudanças de marchas, mas ao menos a central eletrônica mostra-se eficiente, fazendo sempre trocas desejáveis. A 120 km/h, o tacômetro marca 2.500 rpm, marca um pouco elevada para um veículo a diesel, mas ainda coerente.

A suspensão também tem bom acerto. No asfalto, ela proporciona boa estabilidade em curvas, desde que o motorista se lembre que está a bordo de uma picape média; nesse aspecto, o comportamento, obviamente, fica muito aquém do de um automóvel. Em ondulações, ela pula um pouco, mas nada que chegue a ser diferente de outros modelos da concorrência. Na verdade, a filtragem das imperfeições do solo pode até ser considerada eficiente dentro do contexto do segmento. Em vias sem pavimentação, o conjunto chegou a “dar batente” em algumas situações, que diga-se, nem eram exatamente radicais. Porém, no mais, a Frontier se saiu bem no percurso off-road, graças, em grande parte, aos bons ângulos de ataque e de saída, de de 32º e 24º respectivamente, e à altura livre do solo, de 22 cm. Já a direção mostrou-se mais indireta que o desejável, algo que também é comum nas caminhonetes médias, mas a assistência variável proporciona leveza em manobras e firmeza em alta velocidade. Os freios, que também seguem o esquema tradicional do segmento, com discos na dianteira e tambores na traseira, atuou com eficiência.

teste_nissan_frontier_4O conjunto mecânico, além de dar bom desempenho à Frontier, ainda proporcionou números de consumo coerentes com o porte da picape. Na cidade, as médias giraram em torno de 8,4 km/l, enquanto na estrada, ficaram em 10,5 km/l. Nessa situação, o tanque grande, de 80 litros de capacidade, proporciona a expressiva autonomia de 840 km. Como de costume, o Autos Segredos salienta que o gasto de combustível é influenciado por muitas variáveis, como o etilo de condução do motorista, as condições das vias e as características do tráfego, entre outras.

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RUSTICIDADE

Nenhuma picape média, nem mesmo as de projeto mais recente, pode ser classificada como luxuosa. Plásticos rígidos, por exemplo, são comuns no segmento. A Frontier não foge à regra: seu habitáculo exibe forrações sem materiais emborrachados e há tecido revestindo os bancos. Dentro desse contexto, vale elogiar as peças muito bem arrematadas e sem rebarbas. Todavia, se o modelo se sai até bem em acabamento, deixa a desejar quanto aos mimos internos. É o caso, por exemplo, dos vidros elétricos com sistema one-touch apenas para o motorista e da ausência de iluminação nos porta-luvas (há dois, e ambos não contam com esse recurso simples).

teste_nissan_frontier_5Quando o assunto é ergonomia, a Frontier agrada. O painel é completo, proporciona boa leitura dos instrumentos e os comandos têm fácil acesso. A posição de dirigir é bem alta, típica de picapes médias. A visibilidade é boa para todos os lados, e os retrovisores são bem-dimensionados. Nesse sentido, porém, vale fazer uma ressalva para a ausência de sensores e câmera de ré: eles fazem bastante falta em um veículo com mais de cinco metros de comprimento. No posto de comando, mais críticas: o banco do motorista tem regulagem de altura, mas só o assento se movimenta, enquanto o encosto permanece fixo. Já o volante é ajustável em altura, mas não em profundidade; ao menos ele tem boa pegada. No mais, a ação tanto dos faróis quanto dos limpadores de para-brisa mostra-se adequada.

O espaço interno da Frontier é amplo dentro do segmento de picapes médias. Os dois ocupantes da frente não têm absolutamente nada de que sei queixar. Os de trás gozam de vãos generosos para as penas e as cabeças, e mesmo com três pessoas sentadas ali não há aperto excessivo, mas o conforto ali é sacrificado pelo assento muito baixo, que faz com que os joelhos fiquem mais altos que os quadris, e pelo encosto muito vertical (dois inconvenientes típicos de picapes médias, diga-se). O pior é notar que o passageiro central não conta com a proteção do cinto de três pontos e do encosto de cabeça, ambos indisponíveis para o modelo.

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NA PISTA PRA NEGÓCIO

A versão SV Attack 4×4 automática, avaliada, vem de série com ar-condicionado manual, direção hidráulica, computador de bordo, travas vidros e retrovisores elétricos, chave com telecomando, alarme, rádio AM/FM/CD com MP3, quatro alto-falantes, SD Card e entrada auxiliar, faróis de neblina e rodas de liga leve aro 16. O pacote de equipamentos de segurança é composto unicamente pelos airbags frontais e pelos freios ABS, adicionados de EBD. Controles eletrônicos de tração e estabilidade são restritos à configuração top de linha SL.

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O preço sugerido da Frontier SV Attack 4×4 automática é de R$ 128.490. Esse valor, embora elevado, é mais baixo que os das rivais mais tradicionais (leia-se S10, Ranger e Hilux), que com opções semelhantes de motor, câmbio e tração, giram em torno de R$ 140 mil. O maior problema da picape, contudo, é a chegada iminente da nova geração, esperada para o fim deste ano, ou mais tardar, início do ano que vem. Portanto, se você é um potencial comprador da caminhonete da Nissan, o melhor a fazer é esperar pela chegada de sua sucessora, ou então barganhar por descontos muitíssimo generosos no modelo atual.

FICHA TÉCNICA

MOTOR

Dianteiro, longitudinal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, diesel, 2.488 cm³ de cilindrada, com turbocompressor, intercooler e injeção direta; 190 cv de potência máxima a 3.600 rpm, 45,8 kgfm de torque máximo a 2.000 rpm

TRANSMISSÃO

Tração integral e reduzida com acionamento eletrônico, câmbio automático de cinco marchas

ACELERAÇÃO  até 100 km/h

Não informada pelo fabricante

VELOCIDADE MÁXIMA

Não informada pelo fabricante

DIREÇÃO

Pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica

FREIOS

Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS e EBD

SUSPENSÃO

Dianteira, independente, com braços sobrepostos; traseira, feixe de molas semi-elípticas

RODAS E PNEUS

Rodas em liga de alumínio de aro 16 polegadas, pneus 255/70 R16

DIMENSÕES (metros)

Comprimento, 5,23; largura, 185; altura, 1,78; distância entre-eixos, 3,20

CAPACIDADES

Tanque de combustível: 80 litros; capacidade de carga (incluindo passageiros): 1.030 quilos; peso: 2.005 quilos

AVALIAÇÃO Alexandre Marlos
Desempenho (acelerações e retomadas) 9 9
Consumo (cidade e estrada) 7 8
Estabilidade 6 6
Freios 7 8
Posição de dirigir/ergonomia 7 7
Espaço interno 7 7
Caçamba (espaço) 9 9
Acabamento 7 8
Itens de segurança (de série e opcionais) 6 6
Itens de conveniência (de série e opcionais) 6 6
Conjunto mecânico (acerto de motor, câmbio, suspensão e direção) 7 7
Relação custo/benefício 6 7


Fotos| Marlos Ney Vidal/Autos Segredos