Nas campanhas publicitárias, a Nissan destaca o March como o primeiro popular japonês. O slogan cai como uma luva para o hatch, mas talvez de uma maneira que o fabricante não esperasse: quando o assunto é interior, ele não esconde ser um carro de entrada.

A versão SR é a top de linha e tem apelo esportivo, mas não espere diferenciação dentro do habitáculo. O quadro de instrumentos é o mesmo das demais versões, com velocímetro e conta-giros analógicos, associados a um marcador de combustível digital. Não há termômetro, tampouco luz indicadora do acionamento dos faróis de neblina.

O material predominante no painel e nas forrações das portas, como de praxe entre os hatches de entrada, é o plástico rígido. Há tem texturas diferentes, mas todas as peças têm cor preta. Se o negro fosse combinado a outras tonalidades, mais claras, o habitáculo transmitiria a sensação de ser mais arejado.  É possível encontrar encaixes imperfeitos e rebarbas, outros males que assolam os chamados populares.

Os bancos são revestidos com tecido sintético, agradável ao toque. O problema é que as poltronas são curtas demais, deixando as pernas sem apoio. O do motorista tem regulagem de altura, mas apenas o assento se movimenta, sem que o encosto o acompanhe. A direção segue pelo mesmo caminho, movimentando-se verticalmente, mas não em profundidade. O volante também peca por ser mais fino que o desejável, prejudicando um pouco a empunhadura. Por fim, também são fixos os cintos de segurança, sem possibilidade de regulagem de altura.

Há vidros elétricos nas quatro portas, mas apenas o do motorista tem iluminação e sistema um toque. Não é o ideal, mas é verdade que alguns veículos até mais caros apresentam as mesmas características. Os retrovisores também são elétricos, porém aí surge outra falha: os comandos estão mal posicionados: ficam longe das mãos e parcialmente encobertos pelo volante.

Os mimos no interior do March ficam por conta da tomada 12 volts, posicionada abaixo do porta-luvas, da grande quantidade de porta-objetos e dos limpadores de para-brisa, que oferecem um recurso incomum até mesmo em segmentos superiores: o temporizador variável, que permite ao motorista ajustar o tempo de intermitência do equipamento. O limpador traseiro, por sua vez, oferece duas velocidades, outra raridade em um modelo de entrada.

O porta-malas é todo revestido em carpete, mas o batente não tem proteção plástica, deixando a lataria exposta a danos causados pelas operações de carga e descarga. A tampa também é forrada, com o mesmo material, mas não tem pega interna para o fechamento, fazendo com que, eventualmente, o motorista suje as mãos ao puxá-la pela face externa. Trata-se de uma ausência incompreensível (até o despojadíssimo Toyota Etios dispõe do recurso)… O compartimento de bagagens é iluminado, ao contrário do porta-luvas, ausência sentida também em outros populares.

Continue acompanhando nossos testes. Em breve, publicaremos a avaliação completa do Nissan March.

Fotos | Alexandre Soares e Marlos Ney Vidal/Autos Segredos