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Durante assembleia realizada hoje (10) no pátio da fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo, o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, anunciou que o governo divulgará na próxima semana uma medida provisória com regras para os próximos dois anos que permitiriam que, entre outros carros, Kombi e Gol G4 em permaneçam em linha. O que querem é estender ainda mais o período de adequação dos produtos à obrigatoriedade de airbags e ABS para diminuir as demissões.

Depois de tantos adiamentos sobre o fim do IPI, não é difícil acreditar na existência desta MP…

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“O que deve ser proposto é que isso seja feito de forma progressiva para que haja, em breve, um índice maior de carros produzidos com Airbags e sistema ABS, ambos estabelecidos pelas normas de segurança nacional”, explicou Wagner. “Se hoje o mercado oferece Airbags e ABS em 60% dos veículos, em 2014 deverá ser de 70% e em 2015 um outro índice ainda maior. A partir de janeiro de 2016 todos os carros deverão conter as condições exigidas nas normas de segurança”, prosseguiu.

O que esta medida provisória pode mudar são as regras estabelecidas em 2009 pelas resoluções 311 e 312 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que determinam a obrigatoriedade do airbag frontal duplo e o sistema antitravamento dos freios nas quatro rodas, ABS. A obrigatoriedade de tais equipamentos de segurança nos automóveis vendidos no Brasil vem sendo progressiva desde 2010, quando 8% dos carros novos deveriam contar com eles. A partir de 1° de janeiro de 2011 o percentual subiu para 15% e passou a 30% da produção e de projetos novos no início de 2012. Este ano 60% da produção e 100% dos projetos novos contam com eles, e por enquanto, a implementação deveria passar a ser total a partir do próximo mês.

A medida tentaria parcelar esta obrigatoriedade para projetos antigos, ou melhor, para a produção total, o que permitiria uma sobrevida de Kombi, Gol G4, Ka e os velhos Uno e Fiorino, e outros tantos carros que ainda restam para ser anunciados com airbags e freios ABS entre os ítens de série não precisariam nem se mexer. A maioria dos utilitários chineses também seriam beneficiados.

O objetivo real não é manter estes veículos em produção, mas sim diminuir as demissões com trabalhadores excedentes no chão de fábrica. A pergunta é: adiantaria de alguma coisa? Só este período de transição teve um peso enorme nas estratégias de lançamentos de alguns fabricantes, que terminaram adotando os equipamentos de segurança em toda a linha sem grandes impactos no preço final. Quem hoje se prestaria a comprar um carro sem eles? Só mesmo eu, que não consegui comprar minha Kombi… Ainda bem! Não gostaria de ser o dono de uma Last Edition – nem de um Grazie Mille – se esta MP for anunciada de fato.

Procuraremos fabricantes e representantes do governo nesta quarta-feira para falar sobre esta medida provisória.

Fonte | Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Fotos | Volkswagen/Divulgação e Fiat/Divulgação