Fiat Toro Freedom 2.4 equipada com motor flex de maior potência tem bom desempenho e transmissão automática é de nove marchas. Toro é a segunda picape mais vendida no país

Por Paulo Eduardo

A Fiat Toro não se tornou fenômeno de vendas no segmento de picapes por acaso. Ela está atrás somente da irmã caçula Strada. Desde que picapes passaram a ser usadas no transporte de passageiros, principalmente as de cabine dupla, fabricantes se esmeram para conquistar os consumidores agregando itens de conforto e conveniência. Há algum tempo era comum a justificativa de que caminhonetes precisavam de carga na caçamba para ter rodar confortável. Isso porque a maioria ou quase todas tinham suspensão traseira com eixo rígido ou feixe de molas. A Toro usa multilink. A estrutura dessa picape média é monobloco, enquanto a maioria das picapes grandes são montadas sobre chassi.

Suspensão

O trunfo da Fiat Toro é a sofisticada suspensão traseira multilink que torna o rodar confortável com ótima estabilidade. Com caçamba carregada ou vazia, a Toro roda macio em todos os tipos de piso. Rodar confortável em piso liso é obrigação; difícil é manter o conforto em pisos ruins, esburacados e recheados de imperfeições. E a Toro é assim, rodar macio sobre piso ruim. A transferência das imperfeições é quase nula e praticamente imperceptível. E é muito estável. Transmite segurança nas curvas com pouca inclinação da carroceria. Motorista tem sensação de dirigir automóvel em vez de veículo de carga.

Espaço no assento traseiro é limitado em altura e ocupantes de estatura superior a 1,80 m resvalam a cabeça no teto. Outro detalhe: o assento traseiro é mais curto do que os dianteiros. Isso significa menos apoio para as pernas. Entrar banco traseiro exige abaixar um pouco a cabeça. É só. Segurança básica completa: cinto retrátil de três pontos e apoio de cabeça em todos os assentos de trás. Acabamento interno de qualidade com encaixes benfeitos e plásticos sem rebarbas, apesar de o material do painel central ser de plástico duro. Os comandos dos vidros traseiros no puxador da porta estão um pouco recuados. Deslize em ergonomia. O volante tem boa pega, a coluna de direção conta com regulagem de altura e distância, além de muitos comandos.

Andando

Dirigir essa picape é agradável com a leveza da direção elétrica em manobras e firmeza em velocidades mais altas. Retrovisores grandes para ver melhor o trânsito nas laterais. O motor 2.4 Multiair tem comando de válvulas variável e é todo de alumínio. O comando de válvulas é acionado por corrente em vez de correia dentada. O motor produz som estridente no kick down (quando se pressiona totalmente o acelerador) mesmo com todo o isolamento acústico no compartimento.

Veja também nossa avaliação da Chevrolet S10 2.5 Flex automática.

Desempenho da picape com motor 2.4 flex de quatro cilindros não chega a ser empolgante, mas garante retomada em espaço de tempo previsível e boas acelerações. O comando Sport – acionado por tecla no painel — troca as marchas em rotações mais elevadas para incrementar desempenho. E melhora bem. Entretanto, a caixa automática de nove marchas tem engates um pouco lentos, mas suaves. A passagem de uma marcha para outra demora um pouco tanto no modo automático quanto no manual por meio de aletas atrás do volante ou na alavanca.

Consumo

O consumo de motores maiores de quatro ou mais cilindros depende muito da pressão no acelerador. Se afundar o pé, bebe. Dentro dos limites previstos em lei, o computador registra médias consideráveis, entre 10 km/l e 11 km/l, na estrada com gasolina. Na cidade, no anda e para do trânsito, o consumo maior é inevitável. A 100 km/h em nona marcha o motor gira a apenas 1.500 rpm. Ao se pisar levemente no acelerador, o câmbio reduz duas e cai para a sétima marcha. Nove marchas parece jogada de marketing, mas em um motor grande diminui consumo em viagens longas.

A Toro tem bons ângulos de ataque, saída e de rampa, características imprescindíveis para rodar na terra sem esbarrar frente e traseira, nem raspar o fundo. Há toda a sopa de letrinhas, com controles de tração, estabilidade, stop&start (que desliga e religa o motor em paradas), airbags laterais e de cortina, entre muitos outros. Freios são eficientes. A Toro 2.4 tem preço sugerido de R$ 98.790, e com todos os opcionais, R$ 108.985. Em um veículo que custa cerca de 100 mil reais não pode faltar regulagem lombar. Importante para manter o conforto em percurso maior, apesar da boa anatomia dos bancos dianteiros. A Fiat tem tanta certeza que essa caminhonete é um carro que a chama pelo masculino no slogan “Brutalmente lindo” exibido na tevê. Mistura de gêneros.

Ficha técnica

Motor
De quatro cilindros linha, flex, 2.360 cm³ de cilindrada, com potências de  186 cv (etanol) a 6.250 rpm e 174cv (gasolina) a 6.250 rpm e torques máximos de 24,9 kgfm (etanol) a 4.000 rpm e 23,5 kgfm (gasolina) a 4.000 rpm

Transmissão
Tração dianteira e câmbio automático de nove marchas

Direção
Tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

Freios
Disco ventilado na dianteira e a tambor na traseira

Suspensão
Dianteira, McPherson, com subchassi e barra estabilizadora;  traseira, multilink com barra estabilizadora

Rodas/pneus
6,5×16”de aço (liga leve opcional) /215/60R16

Peso
1.704 kg

Carga útil (passageiros+ bagagem)
650 kg

Dimensões (metro)
Comprimento, 4,91; largura, 1,84; altura, 1,68; distância entre-eixos, 2,99

Desempenho
Velocidades máximas 200 km/h (etanol) e 197 km/h (gasolina); aceleração até 100 km/h, 9,9 (etanol) e 10,5 (gasolina)

Consumo (km/l)
Urbano, 5,9 (e) e 8,6 (g); estrada, 7,4 (e) e 10,8 (g)

Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos