Série Advantage agrega conteúdo ao sedã compacto da Chevrolet, mas, ainda faltam itens básicos como o computador de bordo

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Marcus Alves Celestino
Especial para o Autos Segredos

Já escutei (mais de uma vez) de defensores do Prisma que ele, sim, é um sedã esportivo. Por favor, todos nós sabemos, inclusive a Chevrolet, que apenas o design do três-volumes exala essa esportividade tão exaltada pelo departamento de marketing da fabricante. Por isso, nem me aterei tanto a esse quesito explorado exaustivamente em milhares de testes com o veículo. Tudo bem que esta versão do modelo, a Advantage, tem umas plumas e paetês bem bacanas que o adornam e o deixam com visual mais atrativo. Um pseudo-spoiler na tampa traseira, faróis de máscara negra e neblina e rodas de liga leve aro 15’’ tornam o carango mais invocado. Todavia, será que vale a pena gastar módicos R$ 48.680 num veículo equipado estritamente com motor 1.0 e que dispõe de gama interessante de itens de série? Assim como Nelson Rodrigues diria, é “óbvio ululante” que para esta pergunta existem duas respostas. Isso depende do gosto e do bolso do freguês.

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Curiosamente, o primeiro modelo a ser testado pelo time do Autos Segredos foi um Prisma. Nos idos de 2011 o três-volumes mostrou-se satisfatório por cumprir exatamente o que propunha: arrebatar aquele público enfastiado do segmento de entrada, aqueles que ansiavam por um produto de melhor qualidade. Por incrível que pareça, desde então nada mudou. Não à toa o sedã teve desempenho excelente em vendas no ano passado. Foram 88.377 unidades vendidas, para o regozijo dos executivos da General Motors. O presidente da montadora na América Latina, Jaime Ardila, brincou inclusive, dizendo que se o derivado do Onix tivesse o mesmo nome do hatchback seriam líderes.

Bom, voltando ao Advantage, a versão conta com um interior pouco mais esmerado que o “basicão” LT. Destaque para o volante (com muito boa pega), revestido em couro e com comandos de áudio e Bluetooth, e também para a combinação entre os agradáveis bancos e os charmosos tapetes em carpete. Além destes, os emborrachados no console e também no porta-objetos trazem uma sensação aos presentes no habitáculo de veículo de melhor estirpe. A composição do painel segue harmoniosa, com o efetivo sistema de infotenimento MyLink muitíssimo bem postado. Ah, sim, em termos de espaço ele segue bem. Os ocupantes mais altos podem ter algum problema com o teto, mas nada que irrite ao extreme. Ademais, o porta-malas de generosos 500 litros (valor aferido pela montadora) serve para acomodar toda a bagagem da família. Externamente, o três-volumes tem retrovisores e colunas das portas pintados em preto e molduras laterais — sem contar o emblema que enverga o nome da versão.

teste_chevrolet_prisma_advantage_10Contudo, pontos negativos existem. O volante, por exemplo, conta apenas com ajuste de altura, sem contemplar a distância. Os supracitados emborrachados estão somente encaixados nos locais e, se puxados, saem com facilidade. No entanto, o grande absurdo é a ausência do computador de bordo. Essa, ao meu ver, é a grande mancada do modelo. Porém, a falta de um cinto de três pontos e do encosto de cabeça para o terceiro ocupante da traseira também incomodam.

MAQUINÁRIO

Aqui, meus amigos, é que se encontra o calcanhar de Aquiles não somente do Prisma, mas de qualquer sedã que se preze. Um pesado três-volumes não pode ser impulsionado por um motor 1.0. O propulsor que equipa o modelo é o mesmo do nosso bom e velho Celtinha, porém com aquele “tapa na pantera”. Recalibrado ganhou um tanto a mais de potência e torque, mas não o suficiente para propiciar uma condução de acordo com o que se espera de um veículo desta categoria. Na topografia acidentada de Belo Horizonte o automóvel sofreu, porém com muita “raça” desbravou as ladeiras da Cidade Jardim. Todavia, na estrada as coisas complicam. Os tímidos 78/ 80cv são alcançados somente na casa das 6.200 rotações por minuto. Por isso, a fim de se obter êxito nas ultrapassagens deve-se esticar ao máximo a terceira marcha e em alguns momentos a segunda. Com isso, os ruídos na cabine tem de ser aplacados com uma boa música advinda do MyLink.

Excluído esse “incômodo”, o restante dos componentes trabalha de modo satisfatório. A direção hidráulica é bem calibrada e o escalonamento das marchas da transmissão manual (o Prisma Advantage não conta com opção de câmbio automático) faz com que seja possível extrair tudo do valente propulsor. Ademais, destaque para a suspensão, do tipo McPherson na dianteira e semi-independente na traseira, que ajuda bastante a transmitir segurança ao condutor mesmo em altas velocidades.

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CONSUMO

O consumo combinado apresenta números um tanto quanto interessantes dadas às condições do trânsito principalmente na área urbana. A média ficou na casa dos 10km/l para gasolina e 7,2km/l com etanol. Vale ressaltar que esta aferição é influenciada por outros inúmeros fatores, tais quais relevo, estilo de condução do motorista (e olha, admito que tenho o pé relativamente “pesado”) e o estado das vias trafegadas.

SENTENÇA

Se você é daqueles que deseja um veículo de visual mais agressivo e atraente — além de querer deixar de lado modelos de entrada —, o Prisma Advantage é uma excelente opção. Além disso, a boa gama de itens de série forma um bom cenário para quem deseja comprar o Chevrolet. Por outro lado, se a sua vontade é ter um sedã nesta faixa de preço de bom desempenho, especialmente nas estradas, opte pelo Volkswagen Voyage equipado com motor 1.6 e transmissão manual de cinco velocidades. Tudo bem que o modelo da marca alemã oferece poucos equipamentos já de fábrica e tem um design não muito chamativo — na verdade, discreto até demais. Todavia, vale frisar que a escolha é somente sua. Em minha opinião, esta versão do três-volumes da marca da gravatinha é super agradável, mas falta um quê de, bem… Voltamos à estaca zero, pois falta-lhe, mesmo, um quê de esportividade na hora de acelerar. 

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AVALIAÇÃO Marcus Marlos
Desempenho (acelerações e retomadas) 5 6
Consumo (cidade e estrada) 7 7
Estabilidade 9 8
Freios 8 8
Posição de dirigir/ergonomia 7 8
Espaço interno 8 8
Porta-malas (espaço, acessibilidade e versatilidade) 6 8
Acabamento 7 8
Itens de segurança (de série e opcionais) 8 7
Itens de conveniência (de série e opcionais) 8 7
Conjunto mecânico (acerto de motor, câmbio, suspensão e direção) 6 6
Relação custo/benefício 7 6

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FICHA TÉCNICA
MOTOR
Dianteiro, transversal, 999cm³ de cilindrada, quatro cilindros em linha, que desenvolve potências de 78cv (gasolina) e 80cv (etanol) a 6.400rpm e torques de 9,5kgfm (gasolina) e 9,8kgfm a 5200rpm

TRANSMISSÃO
 Tração dianteira e câmbio manual de cinco velocidades

DIREÇÃO
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica

SUSPENSÃO
Dianteira, McPherson; e traseira semi-independente, com eixo torção, sem barra estabilizadora 

DIMENSÕES
 4,27m de comprimento, 1,71m de largura, 1,49m de altura e 2,58m de entre-eixos

PORTA-MALAS
500 litros

TANQUE
54 litros

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Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos