O sedã da GM é voltado para quem quer dar o primeiro passo para fora do segmento de entrada. O modelo tem uma personalidade de altos e baixos, com qualidades e defeitos bem perceptíveis

Avaliação Chevrolet Prisma LT 1.4

Lembro-me da primeira propaganda do Prisma, na época do lançamento, em 2006. O slogan era “seu primeiro grande carro”. Persuasão publicitária à parte, a frase deixa transparecer o objetivo do modelo, que foi lançado para ser a primeira opção da linha Chevrolet para o consumidor que quer um automóvel com motor um pouco mais potente e porta-malas maior. Algum tempo depois da chegada ao mercado, veio também a opção pelo motor 1.0. Depois da permanência do sedã aqui no Autos Segredos, estou convencido de que ele cumpre exatamente essa função: conquistar quem quer ir um pouco além do segmento de entrada.

Avaliação Chevrolet Prisma LT 1.4Essa filosofia começa pelo design da carroceria, que agrada a uma faixa ampla de pessoas, com um estilo pouco ousado, mas bem resolvido, inspirado no último Vectra. O interior, porém, é um tanto simples mesmo para a categoria, com linhas menos elaboradas, muitos plásticos rígidos e rebarbas. É verdade que o fabricante melhorou um pouco essa deficiência com a chegada da linha 2012, que introduziu nova iluminação ao painel e comandos com aspecto mais refinado ao ar-condicionado. São avanços bem-vindos, mas que poderiam ter ido além.

ESPERTO O motor 1.4 tem bom rendimento. São 95/97 cv de potencia e 13,2/13,7 mkgf de torque, com gasolina e etanol, na ordem. Junte esses números ao peso de menos de uma tonelada e a um câmbio com relações curtas e o resultado é um desempenho muito bom para a cilindrada. O propulsor rende melhor em rotações médias, entre 2.000 e 4.000 rpm. Não chega a ser fraco em regimes mais baixos, mas deixa um pouco a desejar nos altos. O resultado é uma performance que agrada bastante no uso urbano, chegando a lembrar um 1.6 em algumas situações. Nas estradas, o desempenho não é tão surpreendente, mas ainda assim é bom para a cilindrada. O nível de ruído é que desagrada, pois como já dissemos, as marchas são curtas, o que aumenta as rotações em alta velocidade, além de o isolamento acústico não ser muito caprichado.

Avaliação Chevrolet Prisma LT 1.4O bom desempenho aliou-se a um consumo de combustível comedido. Abastecido com gasolina, o Prisma conseguiu marcas de aproximadamente 13,5 kml na estrada e 9,5 na cidade. Mais uma vez, o baixo peso da carroceria jogou a favor do sedã. Como o tanque é grande, com capacidade para 54 litros de combustível, a autonomia pode ultrapassar 700 km em viagens.

MOTORISTA Porém, mesmo com toda a competência do propulsor, o Prisma não é um carro que cativa pelo prazer ao dirigir. A posição do motorista é ruim, com volante pendendo para a direita e acomodação desconfortável para a perna esquerda. O câmbio até que é macio, mas os engates não são precisos, enquanto a direção é excessivamente leve em altas velocidades. A suspensão joga no mesmo time dos demais componentes: pouco rígida, não demora a revelar os limites do carro em trechos sinuosos. Ainda por cima, a absorção de impactos não compensa o comportamento nas curvas, pois irregularidades como ondulações no asfalto são logo sentidas pelos ocupantes. O conjunto ressente-se da falta de um subchassi, que permitiria um acerto capaz de transmitir mais estabilidade e conforto simultaneamente.

Avaliação Chevrolet Prisma LT 1.4O espaço interno também não está entre os destaques do Prisma. É suficiente para pessoas com média estatura, mas os mais altos terão problemas para acomodar a cabeça e as pernas. Para piorar, não há regulagem de altura do banco e do volante. Atrás, dois passageiros viajam com certo conforto, mas para três adultos, o espaço é exíguo. Por outro lado, o porta-malas tem boa capacidade, comportando 439 litros de bagagem. Há ainda comando interno de abertura e possibilidade de aumentar o volume do compartimento, pois o encosto do banco é rebatível.

FUTURO As alterações feitas no painel da linha Prisma 2012 visam a adoção de duplo airbag a partir de 2014, quando o mesmo será obrigatório em todos os carros vendidos no Brasil, além dos freios ABS. Bem que a Chevrolet poderia ter aproveitado a oportunidade e passado a oferecer os dois equipamentos, indisponíveis em todas as versões até como opcionais. Ainda entre os itens de segurança, não há encosto de cabeça no centro do banco traseiro, enquanto os dianteiros são fixos. Cinto de três pontos para o quinto passageiro, então, nem pensar. O pacote de proteção aos ocupantes deixa bastante a desejar.

Avaliação Chevrolet Prisma LT 1.4Lembra-se do que eu disse no início do texto, sobre o slogan adotado pelo fabricante? Apesar da carroceria de três volumes, o Prisma não é um carro grande. Pelo contrário. São 4,13 metros de comprimento por 1,64 de largura. Ocorre que ser pequeno tem vantagens. No trânsito urbano, o modelo se mostrou muito prático, tanto na hora de passar por brechas entre os outros carros tanto no momento de encontrar vagas, situação para a qual também colabora o acerto leve da direção hidráulica. A visibilidade é boa, ajudada pelos espelhos retrovisores generosos. A traseira alta prejudica um pouco na hora de dar ré, mas não chega a ser ruim para um sedã.

BALANÇO FINAL A Chevrolet cobra R$ 31.626 pelo Prisma LS, equipado com motor 1.0, e R$ 32.439 pelo LT, 1.4. A proximidade entre os valores torna vantajosa a escolha pela versão mais potente. Os principais itens de conforto da versão top, como ar-condicionado, direção hidráulica, travas elétricas com acionamento automático a 15 km/h e vidros dianteiros elétricos com dispositivo de alívio de pressão, são vendidos opcionais. O pacote com todos esses equipamentos custa R$ 4.808, o que faz com que o preço do carro suba para R$ 37.247. Definitivamente, não são valores baixos, mas o fato é que estão na média da categoria, e as concessionárias costumam trabalhar com alguns descontos.  O aparelho de som é um acessório disponível na rede autorizada, assim como as rodas de liga leve, frisos e o jogo de spóilers, que equipavam a versão avaliada pelo Autos Segredos. Confira abaixo a ficha técnica e as notas, dadas por mim e pelo Marlos.

Avaliação Alexandre Marlos
Desempenho 

(acelerações e retomadas)

8 8
Consumo 

(cidade e estrada)

9 9
Estabilidade 

 

6 7
Freios 

 

7 6
Posição de dirigir 

 

5 6
Espaço interno 

 

6 5
Porta-malas 

(espaço, acessibilidade e versatilidade)

8 9
Acabamento 

 

6 6
Itens de segurança 

(de série e opcionais)

4 5
Itens de conveniência 

(de série e opcionais)

6 5
Conjunto mecânico 

(acerto de motor, câmbio, suspensão e direção)

6 6
Relação custo/benefício 

 

7 8

FICHA TÉCNICA

MOTOR
Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linhac,8 válvulas, gasolina/etanol, 1.389 cm³ de cilindrada, 95 cv (g)/ 97 cv (e) de potência máxima a 6.000/6.200 rpm, 13,2 mkgf (g)/ 13,7 mkgf (e) de torque máximo a 2.800 rpm

TRANSMISSÃO
Tração dianteira, câmbio manual de cinco marchas

DIREÇÃO
Pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica (opcional)

FREIOS
Discos na dianteira e tambores na traseira

SUSPENSÃO
Dianteira: independente, McPherson, com barra estabilizadora; traseira, semi-independente, eixo de torção

RODAS E PNEUS
Rodas em liga de alumínio (opcionais), 5,5 x 14 polegadas, pneus 175/65 R14

DIMENSÕES (metros)
Comprimento, 4,127; largura, 1,645; altura, 1,463; distância entre-eixos, 2,443

CAPACIDADES
Tanque de combustível: 54 litros; carga útil (passageiros e bagagem): 470 quilos; peso: 935 quilos

Galeria


Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

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