Com motor a diesel  italiano, fruto da fusão entre Chrysler e Fiat, e câmbio de oito marchas ZF de origem alemã, SUV anda bem sem gastar demais; diferença de preço em relação à versão a gasolina, porém, chega a R$ 20 mil 

teste_Jeep_Grand_Cherokee_57Alexandre Soares
Especial para o Autos Segredos

Atualmente, avistar um Grand Cherokee pelas ruas, ainda mais se for da atual geração, não é tarefa das mais fáceis. Curiosa a redução de mercado de um carro que foi tão marcante durante o período da reabertura das importações: nos anos 90, o modelo era um abundante símbolo de status, capaz de agradar às mais diversas pessoas. Homens, mulheres, solteiros, pais de família, artistas e jogadores de futebol: vários endinheirados eram vistos ao volante do SUV. Se, no Brasil, o carisma diminuiu, pode-se dizer que outras qualidades aumentaram. Uma delas é o motor a diesel, que chegou neste ano, restrito à versão top Limited, e equipa a unidade das fotos, avaliada pelo  Autos Segredos.

teste_Jeep_Grand_Cherokee_59Última novidade do Grand Cherokee no Brasil, o motor a diesel é uma verdadeira usina de força.  Com seis cilindros dispostos em “V”, 3.0 litros, turbocompressor de geometria variável, injeção direta e 24válvulas com comando variável na abertura, o propulsor é capaz de produzir nada menos que 241 cv de potência e 56 kgfm de torque. Bloco e cabeçote são construídos em alumínio. Oriundo da Itália, onde é produzido pela VM Motori, o motorzão é casado com uma transmissão automática alemã, da marca ZF, igualmente avançada em termos tecnológicos, com oito velocidades e opção de trocas manuais. O resultado é um desempenho muito consistente. Chega a ser até espantosa a prontidão com a qual o SUV de mais de duas toneladas reage aos comandos do acelerador. A oferta abundante de torque, aliada às relações curtas do câmbio, fazem o modelo acelerar e retomar sempre com agilidade. Além do mais, a caixa de marchas demostrou ter ótima programação, atuando quase sempre em momentos desejáveis, e assim como o propulsor,  operou sempre com suavidade, algo que nem sempre ocorre em utilitários movidos a diesel. O condutor pode escolher entre três programações de software: Normal, Sport ( para uma tocada mais radical no asfalto), que troca as marchas em regime mais alto, e Eco (voltado para economia), que faz trocas em giros mais baixos.

ON-ROAD Se por um lado o Grand Cherokee acelera forte, por outro não faz feio na hora de fazer curvas. Obviamente, o peso exagerado e a grande altura trazem limitações: o modelo logo avisa que não é muito tolerante a abusos, inclinando bastante a carroceria e lançado mão dos controles eletrônicos para recuperar aderência. Ainda assim, o resultado é bastante positivo para um SUV de grandes dimensões.  Mérito para o acerto da suspensão independente nas quatro rodas, por braços sobrepostos na dianteira e do tipo multilink na traseira. Mérito também para a rigidez da carroceria, construída sobre a ótima plataforma que o modelo da Jeep herdou do Mercedes-Benz ML, na época da extinta união entre a marca alemã e a Chrysler, que resultou na extinta Daimler-Chrysler. Também merece crédito a direção com assistência eletro-hidráulica, bastante progressiva. O comportamento dinâmico é completado pelas frenagens eficientes, fruto do sistema com enormes discos ventilados nas quatro rodas e ABS.

teste_Jeep_Grand_Cherokee_19No asfalto, o SUV já mostrou seu poder de fogo. Mas e na terra? Bem, nesse ambiente ele não se sente assim tão confortável. Em estradas rurais, ainda que malconservadas, o modelo esbanja desenvoltura.  Mas incursões off-road mais radicais são desaconselháveis. Em parte porque os pneus, que trazem kevlar em sua composição, são voltados para uso on-road. Mas também porque os ângulos de ataque e de saída, de 26,3° e 26,5°, respectivamente, são pequenos. Durante nosso teste, ao atravessar uma ondulação, o defletor dianteiro chegou a tocar o piso. Já a altura em relação ao solo, que é variável, em função de um sistema a ar acionado pelo motorista, é generosa: o vão mínimo é de 21,8 cm. Se, contudo, for preciso atravessar um trecho de baixa aderência, há todo o aparato mecânico necessário, uma vez que o SUV é equipado com tração integral permanente e reduzida acionada por botão, além de controle de tração. Há ainda a tecla selec-terrain, que permite ao condutor escolher a configuração eletrônico-mecânica mais adequada para cada situação. Há as seguintes opções:  Auto (de automática), Sand (areia), Mud (lama), Snow (neve) e Rock (pedra).

A maior vantagem do diesel em relação à gasolina, teoricamente, é o menor gasto com combustível. Durante sua estadia no Autos Segredos, o Grand Cherokee realmente se mostrou econômico para seu porte: cravou médias de 10,1 km/l na estrada e de 8,0 km/l na cidade. Graças ao enorme tanque de combustível de 93,1 litros, a autonomia chega a aproximadamente 940 km. Boa notícia, inclusive porque o motor só aceita o diesel S-10, que não está disponível em todos os postos, e, portanto, pode fazer com que o motorista rode mais que o necessário na hora de abastecer. Nunca é demais lembrar que o consumo de um veículo depende de uma série de fatores, como as características das vias, as condições do trânsito, o relevo e o estilo de direção do condutor.

teste_Jeep_Grand_Cherokee_13AMERICAN WAY OF LIFE Dirigir um Grand Cherokee é se sentir automaticamente na América do Norte. A bordo do modelo, você vê outros SUVs, literalmente, de cima. Tudo dele é superlativo: além de alto (com 1,80 m) , o Jeep também é comprido (4,82 m) e largo (1,94). Seja pela profusão de porta-copos ou pelos enormes bancos, extremamente confortáveis, aquecidos e com regulagens elétricas, mas um tanto planos, incapazes de segurar o corpo em curvas tomadas com mais ânimo, a atmosfera do interior é tipicamente estadunidense. O volante multifuncional, de aro menor que o se costuma ver em outros veículos da categoria, tem ótima pegada. Os instrumentos digitais, que simulam com perfeição mostradores analógicos (mas aceitam outros modos de leitura, pois a tela é configurável), e a pequena alavanca do câmbio, com design futurista, dão ar de modernidade ao habitáculo. Apesar do tamanho exagerado, o ato de dirigir não é difícil. A ergonomia é correta, os comandos são suaves e a visibilidade é boa para a frente e para os lados. Para trás, o campo visual é restrito, mas o motorista é auxiliado por retrovisores bem-dimensionados (ainda que o direito seja plano e não cubra uma área tão ampla assim), câmera de ré e sensores de estacionamento na dianteira e na traseira. Os faróis bi-xenônio proporcionam ótima iluminação, mas não são direcionais.

teste_Jeep_Grand_Cherokee_10O acabamento é muito bom: as portas têm fartas porções de couro e superfícies emborrachadas , sendo que esse último material também está presente no painel. Há, inclusive, grande quantidade de apliques cromados e plásticos que simulam revestimento em madeira. Chega a ser até um pouco exagerado, mas não a ponto de tornar o interior extravagante. O espaço interno é muito bom: mesmo com cinco pessoas a bordo, não há aperto para ombros, pernas ou cabeças. O banco traseiro, além de trazer encostos de cabeça e cintos de três pontos para todos, tem altura correta. Em outros SUVs, o banco traseiro é muito baixo, fazendo com que o quadril fique em posição mais baixa que os joelhos, o que não ocorre no modelo da Jeep. Porém, há lugares apenas para cinco ocupantes, enquanto alguns concorrentes levam sete. Com os assentos em posição normal, a capacidade do porta-malas é de 457 litros, valor não mais que razoável  em relação às dimensões externas. Há de se considerar, contudo, que com o banco traseiro rebatido e utilizando-se todo o espaço até o teto, o valor sobe para 1.554 litros. Ademais, o vão de entrada é amplo, o que facilita a as operações de carga e descarga.

O Grand Cherokee Limited, naturalmente, traz amplo pacote de equipamentos. Além dos itens já citados ao longo do texto, há r-condicionado com duas zonas de temperatura, coluna de direção com ajustes elétricos, limitador de velocidade em descidas, cruise-control, sensores crepuscular e de chuva, partida sem chave, computador de bordo, monitoramento de pressão dos pneus, sistema multimídia com tela de 8,4 polegadas no centro do painel, nove alto-falantes, DVD player com leitor blu-ray subwoofer, entrada USB, bluetooth e navegador GPS e rodas de liga leve aro 20”. Causa estranhamento a ausência de teto solar, indisponível até mesmo como opcional. Porém, entre os itens de segurança, não há ausências graves. O SUV da Jeep traz sete airbags (frontais, laterais, do tipo cortina e para os joelhos do motorista), encostos de cabeça dianteiros ativos e controles eletrônicos de tração, estabilidade e oscilação de reboque, além de freios ABS.

teste_Jeep_Grand_Cherokee_7O PREÇO, SEMPRE ELE Como produto, o Grand Cherokee Limited agrada. Ao fim da avaliação, ele mostrou muitos pontos fortes e poucos fracos. O problema é que os conceitos “bom” e “ruim”, quando aplicados aos automóveis, sempre estão inseridos dentro de um contexto de preço. E o do SUV é bem alto: o top de linha Limited, com motor a diesel, custa nada menos que R$ 239.900. O alto desembolso necessário para adquirir o Jeep talvez explique, em parte, porque atualmente ele não faz tanto sucesso como no passado, mas cabe ressaltar que a mesma versão equipada com propulsor a gasolina é bem mais em conta, tabelada em R$ 219.900. São exatos R$ 20 mil separando as duas opções. Ainda que o modelo a diesel tenha consumo mais baixo e desvalorização menor, a diferença de preço é tão grande que acaba se tornando favorável  à configuração movida a gasolina.

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FICHA TÉCNICA
Motor
Dianteiro, longitudinal, seis cilindros em V, 24 válvulas, a diesel, 2.987cm³ de cilindrada,  241cv de potência máxima a 4.000 rpm e 56 kgfm de torque máximo entre 1.800 rpm e 2.800r pm

TRANSMISSÃO
Tração integral, câmbio automático de oito velocidades

ACELERAÇÃO  ATÉ 100 km/h (dado de fábrica)
8,2 segundos

VELOCIDADE MÁXIMA (dado de fábrica)
202 km/h

SUSPENSÃO
Dianteira independente, com braços curtos e longos e barra estabilizadora; traseira independente, de braços múltiplos

RODAS E PNEUS
8 x  polegadas, em liga leve / 265/50 R20

DIREÇÃO
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência eletro-hidráulica

FREIOS
A disco ventilado nas quatro rodas, com ABS

DIMENSÕES
Comprimento, 4,828; largura, 1,943; altura, 1,802; distância entre-eixos, 2,915

CAPACIDADES
Tanque de combustível, 93,1 litros; porta-malas, 457 l, capacidade de carga (passageiros e bagagem), 580 quilos; peso, 2.393 kg

Avaliação Alexandre Marlos
Desempenho (acelerações e retomadas)  9 9
Consumo (cidade e estrada)  8 8
Estabilidade  8 8
Freios  8 8
Posição de dirigir / Ergonomia  9 8
Espaço interno  9 8
Porta-malas (espaço, acessibilidade e versatilidade)  8 9
Acabamento  10 9
Itens de segurança (de série e opcionais)  9 8
Itens de conveniência (de série e opcionais)  8 8
Conjunto mecânico (acerto de motor, câmbio, suspensão e direção)  9 10
Relação custo/benefício  7 9

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Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos