Citroën C3 tem bom desempenho no mercado de usados
Citroën C3
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Por Marcelo Iglesias

Não é surpresa para ninguém que o automóvel no Brasil está custando os olhos (nariz, boca, orelhas, sobrancelhas e até cravos e espinhas) da cara. Segundo a Jato Dynamics, empresa que monitora o desempenho da indústria automotiva nos principais mercados globais, o carro novo encareceu de 0,5% a 56% no Brasil, nos últimos 3 anos, dependendo do segmento.

E a categoria de hatches compactos, que corresponde a mais de um terço dos emplacamentos, o preço subiu cerca de 22%. Ou seja, se o amigo levou três anos para acumular R$ 50 mil, quando foi à loja descobriu que aquele mesmo modelo já custava R$ 62 mil. Daí comprar um carro zero se tornou um sonho distante para maioria dos consumidores. No entanto, a solução é buscar alternativas no mercado de usados. E uma opção interessante, mas vítima de uma pecha injusta, é o Citroën C3.

Citroën C3
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Buracos e peças

O Citroën C3 chegou ao mercado em 2003, fabricado na planta de Resende (RJ). Primo do Peugeot 206, a primeira geração do compacto ficou marcada pela fragilidade da suspensão, principalmente a dianteira, que não suportava o “padrão” brasileiro de pavimentação. Outro fator negativo em torno do C3 é a fama de manutenção cara. É bem verdade que o custo das peças desse Citroën é muito superior a de modelos como Fiat Mille e Volkswagen Gol.

Produção menor

Mas a explicação está no volume de produção. Com menos carros rodando na praça, menor a demanda por itens de reposição, o que impacta na economia de escala. Ou seja, é mais caro fabricar menos peças do que mais peças. Sobre custo elevado, a Citroën tenta reverter o quadro com planos de manutenção com preços fixos para modelos de diferentes anos de produção.

Citroën C3
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Já o problema da suspensão foi corrigido na virada de geração em 2012 e não mais se desmancha diante de um quebra-molas. A PSA levou nove anos para resolver um problema que literalmente jogou seu nome no buraco.

A opção

Com 15 anos de mercado, o C3 já teve diversas versões e opções de conjuntos mecânicos. Motores 1.2, 1.4, 1.5 e 1.6 litro, assim como caixas manual de cinco marchas e automáticas de quatro e seis velocidades. De acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os preços do C3 variam de R$ 14 mil a R$ 58 mil. Valores que se alteram de acordo com ano de fabricação, motorização e versão de acabamento.

Citroën C3
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Vai bem no usado

E olha que o francesinho tem boa procura no varejo. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em julho foram negociadas 7 mil unidades do C3. No mesmo período foram licenciadas 534 unidades. Ou seja, mesmo apesar das pechas, o compacto tem virtudes que agradam o consumidor.

Citroën C3
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Para quem busca um usado sem grande tempo de uso e pacote de conteúdos farto, a versão Exclusive 1.6 automático (de quatro marchas), ano 2015, surge como uma opção interessante. Segundo a Fipe, a versão está avaliada em R$ 45 mil. Valor que hoje o consumidor compraria um compacto básico, como o próprio C3, na versão Start 1.2 (manual).

Conteúdos

A versão Exclusive, da linha 2015, traz cesta de equipamentos que inclui:

  • Direção elétrica,
  • Ar-condicionado digital,
  • Trio elétrico (vidros, trava e retrovisores elétricos),
  • Rádio (com CD, USB e Bluetooth),
  • Sensor de ré
  • Sensor de chuva
  • Sensor crepuscular,
  • Para-brisas Zenith,
  • Faróis de neblina,
  • Luzes diurnas em LED,
  • Rodas aro 16.
Citroën C3
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Ao volante

O C3 sempre foi um carro agradável de dirigir, desde a primeira geração. Na segunda, o refinamento melhorou significativamente, principalmente na versão Exclusive 1.6, que é a topo de linha. A qualidade da montagem agrada, mesmo que ele não ofereça materiais nobres no acabamento. Mesmo assim tem bom tato, sem rebarbas e encaixe firme, o que contribui para conforto sonoro.

É possível encontrar opções com bancos revestidos em couro, o que torna a vida a bordo mais satisfatória. O para-brisas Zenith (que é uma placa retrátil do forro do teto) é um mimo que aumenta a área envidraçada, mas totalmente desaconselhável no início da manhã e final de tarde, quando o sol está mais perto da linha do horizonte e vai direto nos olhos.

Citroën C3
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

O motor 1.6 de 122 cv e 16 mkgf de torque é mais que satisfatório para um compacto. A caixa automática de quatro marchas pode ser vista como antiquada e de relações que não contribuem para a eficiência, mas atendem bem tanto na estrada quanto na cidade. Seu consumo gira em torno de 7,5 km/l na cidade, abastecido com etanol.

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Mesmo assim, ele é prático e se comporta bem no trânsito. Só não espere dele um vigor atlético. Sua virtude é o conforto. Ele tem boa visibilidade e seu porte compacto contribui na hora de se espremer numa vaga.

Citroën C3
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Manutenção

Segundo o plano de manutenção programada da Citroën, para o C3 até 2016, a visita na oficina da concessionária fica em R$ 922, para quilometragem até 40.000 km, e R$ 794, para hodômetro que já bateu 50.000 km. Considerando a quilometragem média do brasileiro em torno de 15 mil quilômetros, a maioria das opções deverão figurar nessa faixa de uso.

Peças de desgaste

No entanto, nunca é demais recomendar que: assim que o automóvel for aprovado por um especialista, ter tido sua documentação, histórico de manutenção e possíveis ocorrências verificadas, faça uma revisão geral e substitua peças de desgaste como correias, filtros, lubrificante, fluido de arrefecimento e pastilhas. Também não deixe de conferir o estado da bateria, amortecedores, pneus e nível do óleo de caixa. Se for manual verifique também o estado da embreagem.