[Primeiras impressões] Novo Volkswagen Polo 2023 vai sair do fundo da sala?

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Como anda o remodelado hatch compacto, com motor menos potente e os desafios de suas novas responsabilidades

Por Fernando Miragaya

O VW Polo é quase aquele estudante deslocado na sala de aula, que fica na dele, não é de falar muito e de se enturmar. Mas que agora abandonou o aparelho dos dentes e passou a usar lentes de contato, e ainda se tornou o representante da turma.

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Caberá ao compacto fazer as vezes da porta de entrada para a marca no Brasil. Sim, o Polo Track que será lançado entre janeiro e março de 2023 será o modelo mais barato da Volks. Porém, a transição para o fim iminente do Gol será adiantada por estas quatro versões do renovado hatch.

Para assumir a representação da turma, o Polo teve de se adequar. As configurações de entrada encareceram, e as mais caras ficaram mais baratas, em um troca-troca de equipamentos: ganhou uns, perdeu outros. 

Uma dessas “perdas” foi no motor 1.0 TSI, que teve a potência diminuída nesta linha 2023. E foi justamente isso que Autos Segredos foi tirar à prova em São Paulo em um primeiro contato com três conjuntos mecânicos diferentes do novo Polo.

Notas boas novo Volkswagen Polo 2023

Comecei o dia com o Polo Highline 170 TSI, a topo de linha com câmbio automático. Com potência de 116 cv com etanol e 109 cv, com gasolina, usa a terminologia do falecido Up! turbo, mas a Volks garante que a calibragem é diferente. 

De qualquer forma, são quase 10% a menos de potência para mover um carro que perdeu cerca 5 kg. Na prática, o que isso impactou no Polo? Já respondo de bate-pronto: pouca coisa.

O mais perceptível neste novo Volkswagen Polo TSI 2023 é que ele perdeu aquele tranco forte nas acelerações. Deixou de ser bruto, mas não de ser forte. Você pisa e aquele delay que já existia antes é logo esquecido por uma subida de giro súbita e uma arrancada vigorosa.

Ganho a Rodovia Castelo Branco para ver se ali o três-cilindros vai me dar margem para críticas. Novamente, pouca coisa mudou. A força em baixas rotações está lá nas horas das retomadas – e ainda mais cedo.

Agora, o torque de 16,8 kgfm (com qualquer mistura dos dois combustíveis) se apresenta em sua plenitude nas 1.750 rotações – antes, eram quase nas 2.000 rpm. Garantia de motor cheio cedo e caminhões ficando para trás sem maiores dificuldades. 

Auxilia nisso a transmissão automática de seis velocidades. A caixa é a mesma da falecida 200 TSI e passou por mudanças na ECU, além de priorizar uma sexta mais longa para fazer o motor girar menos e atuar melhor em velocidades maiores – além de dar aquela força para o consumo.

Giro baixo na estrada

Realmente o Polo chega tranquilamente aos 120 km/h permitidos na Castelo Branco. Nesta velocidade, o conta-giros marca 2.500 rpm e o consumo da unidade testada – com etanol no tanque – oscilou entre 10 e 10,5 km/l durante o test drive. 

Pelos números da Volks, o desempenho do Polo 170 TSI no 0 a 100 km/h fica basicamente o mesmo na comparação com o 200 TSI: 10,5 segundos com etanol e 11,1, com gasolina. Mas a máxima prometida é de 192/189 km/h.

Já no consumo, as médias de acordo com o Inmetro ficaram melhores, como era de se esperar – porém, basicamente na versão Comfortline 170 TSI, que ganhou até selo de eficiência energética, algo que não tinha quando 200 TSI. 

Na Highline, a eficiência melhorou um pouco no uso rodoviário com álcool. Com gasolina, as médias pioraram. Veja as comparações, em km/l:

  • Etanol (U) Etanol (R) Gasolina (U) Gasolina (R)
  • Polo Comfortline 200 TSI 8,4 10,3 12,2 15,1
  • Polo Comfortline 170 TSI 8,7 10,8 12,5 15,3
  • Polo Highline 200 TSI 8,4 10,3 12,2 15,1 
  • Polo Highline 170 TSI 8,4 10,5 12,1 14,9

A estreia do câmbio manual com motor turbo

Depois foi a vez de guiar a configuração até então inédita do Polo, que combina o motor turbo ao câmbio manual de cinco marchas. E antes de mais nada é preciso salientar que, mesmo no conturbado trânsito paulistano, é fácil esquecer do “desconforto” do câmbio manual quando se tem essa transmissão da Volks.

Trata-se de um dos câmbios com melhor acerto da vida. No casamento com o motor turbo, o escalonamento repete a calibragem eficaz que a VW consegue com os conjuntos aspirados. Primeira, segunda e terceira com as esticadas na medida e a alavanca de curso curto e engates precisos são um convite a acelerar.

Mas foi bom ter dirigido o novo Volkswagen Polo manual 2023 e turbinado depois. Aqui, é preciso estar mais atento e se familiarizar com o motor para sempre aproveitar o melhor dele. Na Serra dos Romeiros, entre as reduzidas que as deliciosas curvas do trajeto exigem, às vezes foi preciso descer duas marchas para não deixar o hatch esmorecer.

Mas a interação com o carro é total. Tanto que nas arrancadas e na estrada, é possível extrair mais do motor TSI. Segundo a Volks, o 0 a 100 km/h do Polo turbo manual é feito em 10,1 segundos com etanol e 10,2 segundos, com gasolina, enquanto a máxima chega a 197/193 km/h.

Dinâmica apurada, acabamento nem tanto

Importante salientar que na questão das reduzidas, não dá para se guiar só pelo painel, já que esta versão não tem conta-giros (ela só aparece no Active Info Display da Highline). Uma das mudanças na linha que já relatamos aqui.  

Bom lembrar que o Polo 2022 também perdeu os freios a disco traseiros, não fizemos um teste do poder de frenagem no meio da estrada obviamente, mas a Volks garante que o hatch para melhor do que antes: 38,3 metros na desaceleração 100 km/h a zero, contra 39,4 metros anteriores.

As mudanças aos olhos foram mais perceptíveis. O acabamento deu uma melhorada, com painel menos sensível a riscos. Na Highline, um acabamento brilhante e o revestimento de tecido nas portas sinalizam um upgrade, porém a versão manual sem sobrenome e sem esses disfarces evidenciam o acabamento ainda deveras simples para um carro que tem preços entre R$ 82.990 e R$ 109.990.

O banco é outro que mudou bastante. Os modelos, agora com encosto de cabeça integrado, não comprometem a posição de dirigir, que continua baixinha como deve ser em um hatch, e ergonomicamente funcional.

O acerto dinâmico também se manteve como um dos destaques do Polo. Feito sobre a plataforma MQB, o compacto segue aquela firmeza dos carros da Volkswagen com as benesses de uma construção apurada. Aponta bem nas curvas, tem direção precisa e carroceria com rigidez elogiável.

Se formos comparar com o VW Gol, então, o Polo seria o melhor estudante da classe sem dúvidas. Porém, quando o veterano colega for jubilado do portfólio da marca, ele terá a chance de ganhar holofotes. Predicados tem para atraí-los. Só o diretor da escola não atrapalhar.

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