O Prisma Joy 1.0 é a versão de entrada do sedã compacto da Chevrolet. As principais novidades do Prisma nessa opção são a direção elétrica, câmbio de 6 marchas e alterações no motor e na suspensão

teste_chevrolet_prisma_joy_25Paulo Eduardo

O Prisma é o quinto modelo mais vendido no mercado nacional até outubro, com mais de 53 mil unidades comercializadas. O sedã compacto é derivado do líder absoluto do mercado, o hatch Chevrolet Onix, que já vendeu cerca de 120 mil unidades este ano. Para incrementar ainda mais as qualidades do Prisma, a fabricante fez alterações significativas. A direção passa a ter assistência elétrica em vez da hidráulica. Isso torna o sistema melhor, com assistência maior em manobras, privilegiando a leveza, e deixando-a firme em alta. Porém, deveria ter mais sensibilidade em alta. O sistema de suspensão está recalibrado, segundo a fabricante, para proporcionar mais conforto em piso irregular e firmeza nas curvas.  A transferência das imperfeições para os ocupantes, principalmente, no banco traseiro, está em níveis aceitáveis.

teste_chevrolet_prisma_joy_19Na alteração, o carro ficou 1 centímetro mais baixo. O incômodo é o para-choque dianteiro esbarrar facilmente na saída de rampas inclinadas, como as de garagem. É preciso sair com cuidado para evitar danos na parte de baixo. Outra novidade para privilegiar consumo é o câmbio de seis marchas. A quinta e a sexta marcha são longas e mais adequadas em estrada plana. O s engates são secos, duros, às vezes, e até o conjunto atingir a temperatura ideal de funcionamento, é recomendável não trocar as marchas rapidamente para evitar arranhar.

Apesar de o motor ter recebido alterações internas, com bielas, pistãos e anéis mais leves, não tem a mesma eficiência energética dos modelos 1.0 de três cilindros da concorrência. É sutil demais a diferença de desempenho para o modelo anterior. As ultrapassagens são lentas, exigem atenção do motorista e requerem sempre uma marcha mais forte. Quinta e sexta marchas não são recomendadas para tanto, pois o tempo para realizar a manobra é longo, comprometendo a segurança.

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O interior mudou um pouco com plástico bicolor no painel central. Entretanto, a aparência do plástico deveria ser mais agradável. Fica impressão ruim. Outro incômodo é puxador da porta localizado na parte inferior da porta, obrigando motorista e passageiro da frente a inclinar muito o corpo, posição desconfortável para fechá-la. Nas versões superiores o puxador foi deslocado para cima, ficando na posição correta. A  coluna de direção não tem regulagens nem de altura nem de distância. A posição de dirigir elevada agrada aos de menor estatura e os mais altos quase esbarram a cabeça no teto. O encosto dos bancos tem abas para segurar o corpo, mas o assento deveria ser mais comprido para conforto das pernas.

O porta-malas enorme só pode ser aberto por meio de chave. Não há abertura interna. O encosto do banco traseiro é rebatido totalmente, impedindo divisão de espaço entre passageiro e carga no banco traseiro. O descaso com segurança é a falta o apoio de cabeça central no assento traseiro, cujo ocupante tem disponível apenas cinto do tipo abdominal, bem menos eficaz do que o de três pontos. Os faróis iluminam bem e o motorista não passa apuros à noite na estrada. Freios bem dimensionados, com ABS obrigatório por lei, dão conta do recado.

teste_chevrolet_prisma_joy_12Se a Chevrolet derrapa em alguns quesitos, o Prisma tem como atrativo o espaço interno, principalmente no banco traseiro. Porém, há um detalhe que poucos prestam atenção na compra do carro: a carga útil. Isso determina quanto de peso o carro pode levar entre ocupantes e bagagem. A do Prisma é a de apenas 375kg. Por exemplo, cinco adultos com peso médio de 75kg já somam o peso máximo, inviabilizando levar bagagem. É que quando a carga útil é excedida o comportamento do automóvel não é mais o mesmo, comprometendo a segurança em situação crítica, como frear o carro em espaço curto. Até o desempenho em curva fica comprometido.

No fim das contas, a maioria dos dilemas do Prisma pode ser corrigida. O modelo não é por acaso o sedã compacto mais vendido no mercado nacional. As qualidades são muitas. Se o desenho da carroceria não é unanimidade, agrada pela estilo limpo, linha de cintura elevada e traseira curta.

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FICHA TÉCNICA

Motor
De quatro cilindros em linha, 999cm³ de cilindrada, flex, de 80cv (álcool)/78cv (gasolina) de potências máximas a 6.400rpm e torques máximos de 9,8kgfm (a) e 9,5kgfm (g) a 5.200rpm

Transmissão
Tração dianteira e câmbio manual de seis marchas

Direção
Tipo pinhão e cremalheira com assistência elétrica

Freios
Disco ventilado na dianteira e a tambor na traseira

Suspensão
Dianteira, independente; traseira, eixo de torção

Rodas/pneus
5×14”de aço (liga leve opcional) /185/70R14

Peso
1.028kg

Carga útil (passageiros + bagagem)
375kg

Dimensões (metro)
Comprimento, 4,27; largura, 1,70; altura, 1,47; distância entre-eixos, 2,52

Porta-malas
500 litros

Desempenho
Velocidade máxima, 172km/h (álcool); aceleração até 100km/h, 13,3 (álcool)

Consumo (km/l)
Urbano, 9 (a) e 12,9 (g); estrada, 11,1 (a) e 15,6 (g)


Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos