Os carros da Volvo não costumam ser famosos pela esportividade, certo? Bem, há muitos anos a linha de automóveis do fabricante em questão é composta por modelos bastante sóbrios, mas saiba que nos anos de 1960 a história era diferente. Um dos esportivos mais famosos daquela década carregava o sobrenome da marca sueca. O primeiro nome é P1800, uma alusão à capacidade cúbica do motor de quatro cilindros e dois carburadores.

Ora, mas um automóvel que se diz esportivo pode ter motor de apenas 1.800 cilindradas? Sim, e acredite, ele não fazia feio no que diz respeito à performance. A carroceria leve (pesava pouco mais de uma tonelada) e aerodinâmica, aliada um excelente câmbio manual, fazia com que fosse possível tirar bom proveito da potência do motor, que rendia100 cv na versão básica e 124 cv nos modelos top. A velocidade máxima ficava em cerca de 170 km/h, marca que não fazia do Volvo um supercarro, mas que estava acima da média para os padrões da época e assemelhava-se à de concorrentes mais potentes e caros.

A produção começou em 1961, mas curiosamente ficava a cargo de outro fabricante. Quem dava forma ao P1800 era a Jensen, pequena empresa situada na Inglaterra. Só em 1963 o esportivo começou a sair das linhas de montagem suecas. Até 1973, quando o veículo deixou de ser comercializado, 47,5 mil unidades ganharam as ruas, número bastante expressivo para a categoria. Tamanho sucesso faz com que muita gente pense que o cupê foi o primeiro esportivo da Volvo. Ledo engano. O pioneiro foi o roadster P1900, de 1956. Mas o antecessor era inferior em design e qualidade de construção, o que o condenou ao ostracismo, com apenas 68 exemplares vendidos.

O P1800 era revolucionário para um Volvo, mas não abria mão da característica mais marcante da marca, já naquela época: a segurança. O modelo tinha painel acolchoado, para amortecer impactos em caso de acidente, e cintos dianteiros de três pontos. Os freios dianteiros eram sempre a disco, inclusive na versão básica, em um período em que os tambores nas quatro rodas ainda marcavam presença nas ruas, mesmo na Europa.

PERUA O Cupê não foi o único carro da Volvo a revelar ousadias durante a década de 1960. O modelo deu origem a uma perua, denominada P1800 ES. Com apenas duas portas, a versão seguia o estilo Shooting Break, no qual o maior espaço para bagagem não implica em menor esportividade. O detalhe mais chamativo era o vidro traseiro que também serve como tampa do porta-malas. Em uma nítida releitura do passado, o atual hatch C30 utiliza a mesma solução de estilo.

ASTRO Em grande parte, a popularidade do P1800 deve-se à participação no seriado “O Santo”, produção britânica dos anos de 1960, que foi transmitida no Brasil no mesmo período. O personagem principal, Simon Templar, era interpretado por Roger Moore (foto ao lado), que frequentemente aparecia ao volante do P1800. Consta que o ator teve, por muitos anos, um carro idêntico na vida real. Os episódios serviram de base para um longa-metragem em 1997, mas os astros foram substituídos, com Val Kilmer no papel de protagonista e um Volvo C70 na posição de coadjuvante.

RECORDE O P1800 detém um recorde incomum: é o automóvel mais rodado do mundo pelas mãos do mesmo proprietário. O realizador da façanha é o nova-iorquino Irv Gordon (foto acima), que adquiriu um cupê zero em 1966 e desde então rodou com ele mais de 4,5 milhões de quilômetros! Os dois permanecem juntos e na ativa até hoje.

LITERATURA O jornalista britânico Quentin Willson, que ficou famoso por apresentar a primeira versão do programa Top Gear, fez duas definições sobre o P1800 em uma publicação intitulada “O Grande Livro dos Automóveis Clássicos”, que serviu de base para este post. Para ele, o cupê foi “a única extravagância dos sóbrios suecos” e “algo singular no mundo dos esportivos: um esportivo prático”. É difícil explicar o cinquentão da Volvo de outras maneiras.

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Galeria

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Fontes | O Grande Livro dos Automóveis Clássicos, de Quentin Willson e Blog do Boris Feldman
Fotos | Volvo/Divulgação

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