Participei da montagem do milionésimo Jeep em Pernambuco

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Commander é o responsável pela marca histórica de um milhão de SUVs da Jeep feitos no Polo Automotivo de Pernambuco

Já são quase 20 anos avaliando carros e procurando com lupa falhas que podem prejudicar você, leitor. Meu olhar está treinado para isso, mas recentemente tive uma experiência diferente. Fui para o outro lado do balcão, ou melhor, para dentro da linha de montagem. Eu e mais oito jornalistas fomos convidados pela Jeep para participar da montagem da unidade que marcou 1 milhão de SUVs produzidos na fábrica de Pernambuco.

Por volta das 14 horas do dia 21 de março, o Jeep Commander com final de chassi KN40454 deixava a linha de produção da fábrica. Ele poderia ser apenas mais uma das dezenas de SUVs produzidos diariamente em Goiana (PE), no entanto, coube a unidade o marco histórico da Jeep no seu Polo Automotivo de Pernambuco. 

Cada jornalista ficou responsável por apoiar no processo de montagem de itens específicos do milionésimo Jeep. Uns ficaram responsáveis pela montagem dos para-choques, outro colega foi o responsável por colocar os fluidos do conjunto mecânico ou pelo volante. Eu, por exemplo, fui sorteado para montar o banco dianteiro esquerdo. 

Antes de chegar a minha vez de participar da montagem, Giu Brandão, do canal Mundo Sobre Rodas, e Alessandro Reis, do Uol, ficaram a cargo de montar as lanternas do Commander, Jorge Moraes ficou responsável pela montagem do para-choque traseiro. Já o para-choque dianteiro foi montado por Sílvio Menezes do Carro Arretado e Vivi Pacheco. 

Depois do trabalho realizado pelos colegas chegou a minha vez: para conseguir executar a tarefa fui treinado pelo colaborador Everton Caio da Silva Moura, de 21 anos, que tem um ano e cinco meses de empresa. Everton é um dos 14.700 empregados diretos que atuam na fábrica e no parque de fornecedores. 

Quando o então grupo Fiat Chrysler Automóveis Brasil (FCA) lançou a pedra fundamental do complexo, em 29 de dezembro de 2010, Everton tinha apenas oito anos. Naquela época, provavelmente, suas únicas preocupações eram estudar e brincar com seus amigos.

No momento desse pontapé inicial, o local planejado para as instalações ainda era o Porto de Suape, localizado entre os municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho (PE). No entanto, um canavial em Goiana acabou dando lugar à fábrica que iniciou suas atividades em fevereiro com o lançamento do Jeep Renegade. 

Oficialmente, a fábrica foi inaugurada em 28 de abril de 2015. Everton estava com treze anos; ainda era uma criança, talvez não pensasse no seu primeiro emprego. Mas em seis anos, no finalzinho de 2021, esse acabou sendo a fábrica de automóveis. 

Everton trabalha montando os bancos esquerdos que passam em sua linha, mas ele também tem que conectar o airbag lateral e os sensores do ADAS nos automóveis que contam com a tecnologia — nos que não têm, ele coloca o acabamento do retrovisor interno. 

Apesar de ainda ser um novato na fábrica da Stellantis, Everton desempenha suas funções como se já fizesse parte de sua rotina por muito tempo. No dia da visita, o jovem estava com um sorriso no rosto e feliz por sua profissão; com toda a paciência, ensinava a este jornalista, 25 anos mais velho do que ele, a pelo menos não fazer feio no vídeo e na foto. 

A soberba tão típica de nós, jornalistas, teve que ficar do lado de fora. Lá dentro virei um aprendiz e meu professor foi o Everton, de apenas 21 anos. “Joga o corpo para cima do banco”, dizia ao me orientar para encaixar a máquina para fazer o transporte do banco até o carro. 

Parece fácil, né? Mas não foi: enquanto encaixava o banco passava pela minha cabeça se o serviço seria bem feito ou, quem sabe, se essa unidade seria avaliada por um jornalista criterioso, que notaria alguma falha e criticaria o barulho que minha falta de perícia provocou.  O jogar o corpo para pegar o banco conforme as instruções do Everton é apenas uma das técnicas para desempenhar a função. 

Tempo de treinamento

Antes de colocar o banco no milionésimo Jeep, Everton me treinou e auxiliou na montagem de bancos de alguns Renegade e Compass. O serviço, para quem não está acostumado, é cansativo, e o suor descia pelo meu corpo. Mas tarefa dada é tarefa para ser cumprida. 

A cada cinco, dez minutos, eu perguntava se faltava muito para a chegada do milionésimo Jeep. Faltavam 20 carros, faltavam 15 carros… E às 13h14 chegou a vez de instalar o banco esquerdo do Commander. Fiz a instalação, conectei o airbag e ao terminar fui aplaudido pelo Everton: o trabalho dele estava cumprido, afinal ele conseguiu me ensinar para que eu executasse a função. 

Além de ficar feliz com a montagem do milionésimo Jeep, fiquei feliz em presenciar que a fábrica mudou não só a vida de Everton, mas de dezenas de colaboradores. 

O meu treinamento foi acompanhado de perto pelo líder Renato Pereira Cardoso que começou em Goiana como piloto de testes. Renato, como muitos outros, teve oportunidade de crescer na fábrica que agora é parte do grupo Stellantis.

A jornada de montagem do milionésimo Jeep ainda teria a Camila Camanzi, do Carros com Camanzi, que montou o banco dianteiro direito. O jornalista Jason Vogel foi incumbido de montar o volante do Commander. 

O SUV de sete lugares ainda passaria por outras etapas de montagem até chegar a vez de Paulo Amaral, do Canaltech, fazer a verificação elétrica do Jeep. Ao fim dela, o Commander ainda teve sua pintura verificada pelos olhos atentos dos funcionários que contam com auxílio de luzes para ver se há algum defeito. Até mesmo a montagem de tampa do porta-malas, portas e capô são checados. 

A etapa final da montagem especial do Jeep Commander que representou um milhão de modelos da marca foi concluída quando o aventureiro e entusiasta da marca, o senhor Hugo Vidal, deu partida no SUV concluindo o processo e sendo aplaudido por todos.  Vidal tem idade acima dos 90 anos e esbanja alegria e vitalidade. A história dele com a marca começou em 1955 quando ele realizou junto com dois amigos uma viagem de São Paulo ao Alasca dirigindo um Jeep Willys. A aventura ficou conhecida como “Operação Abacaxi”.

No entanto, apesar do processo produtivo ter terminado quando o motor do Jeep foi ligado pela primeira vez, o SUV ainda passaria por mais verificações. Uma delas é o alinhamento de faróis e rodas; na sequência, uma volta na pista de testes para verificar se está tudo em ordem. Por fim, o modelo ainda enfrenta o teste de água para conferir se não há infiltrações. 

Só então é que o Jeep iria para o pátio de distribuição para chegar à garagem do felizardo cliente que o comprou. 

Vai dar certo?

A escolha de Pernambuco para receber a fábrica causou estranheza, pela falta de infraestrutura fabril da região, mas o mesmo questionamento ocorreu na década de 1970 com a escolha de Betim (MG) para receber a fábrica da Fiat. Hoje, as duas mostram que as escolhas foram certeiras. Ambas mudaram suas regiões e são sonhos de empregos de dezenas de jovens. 

Polo Automotivo de Pernambuco em números

  • R$ 18,5 bilhões investidos
  • 4 modelos em produção
  • Mais de um milhão de modelos produzidos (incluindo a Fiat Toro)
  • 123 mil veículos exportados
  • 36 fornecedores em Pernambuco
  • 14.700 empregos diretos na planta e no parque de fornecedores

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