As qualidades do Vectra europeu de terceira geração ficam mais evidentes quando se compara o modelo ao homônimo nacional, que na verdade é um Astra Sedã rebatizado

O encerramento da produção do Vectra no Brasil (veja aqui), em decorrência da chegada iminente de seu substituto, o Cruze, fez despertar um sentimento de nostalgia em vários consumidores. Fenômeno natural, pois o sedã permaneceu no mercado nacional por 15 anos (de 1996 a 2011) e foi sonho de consumo da classe média. Um fato muito noticiado pela imprensa especializada, mas ainda obscuro para grande parte do público, é o de a terceira geração do modelo nacional não ser equivalente ao homônimo feito pela Opel.

O veículo, desenvolvido pela filial brasileira, nada mais é do que uma versão sedã do Astra que os consumidores europeus conheceram em 2004. Aliás, o projeto nacional chegou a ser comercializado em alguns mercados do velho continente, exatamente sob a designação de Astra Sedã. O primeiro Vectra, lançado no Brasil em 1993, e do segundo, apresentado aqui em 1996, eram iguais aos homônimos europeus. Essa diferenciação ocorreu, antes de mais nada, para reduzir os custos de produção. Assim sendo, achei conveniente mostrar com mais detalhes o legítimo Vectra C, um ilustre desconhecido para a maior parte dos brasileiros.

O design, tanto da carroceria quanto do interior, até que era bem parecido nos dois modelos, o que pode fazer com que um olhar superficial não note muitas diferenças. Porém, quando se ia além da percepção visual, as origens do projeto menos sofisticado ficaram evidentes já na época do lançamento, em 2005. É verdade que o novo carro tinha algumas vantagens, como linhas atualizadas, espaço interno ampliado e adoção de novos equipamentos, mas era pouco para disputar a liderança da categoria, que não demoraria a ganhar renovações. Alguns itens pareciam ter regredido até em relação ao antecessor.

O acabamento interno estava pior, com uso plástico rígido nas portas e no painel, além do compartilhamento de muitas peças com outros modelos da marca. A sofisticada suspensão traseira multilink, que havia chegado à indústria nacional junto com o Vectra de segunda geração, havia cedido lugar ao menos eficiente eixo rígido. Até os amortecedores para sustentar o capô foram suprimidos.

Já o legítimo Vectra de terceira geração foi lançado na Europa em 2002 e recebeu uma leve reestilização em 2005, ficando com o visual que aparece nas fotos. O veículo havia evoluído mais que o modelo desenvolvido para o Brasil, ganhando acabamento interno mais caprichado, com arremates melhores e materiais agradáveis ao toque, enquanto a suspensão multilink foi mantida. O espaço interno era maior que no sedã nacional, graças à adoção grande número de porta-objetos para os ocupantes à maior largura do habitáculo.

As dimensões externas dos dois modelos eram bastante parecidas, com exceção da largura, o que explica a desvantagem do sedã brasileiro em espaço transversal. A versão local tem 4,59 metros de comprimento, 1,73 de largura, 1,45 de altura e 2,70 de distância entre-eixos. No Vectra europeu, as respectivas medidas ficavam em 4,61, 1,81, 1,46 e 2,71.

Na Europa o Vectra sempre ofereceu mais opções de motorização que no Brasil. Aliás, isso não é exclusividade do sedã da GM: todos os modelos que cruzam o atlântico dispõem de maior variedade de propulsores por lá do que por aqui. A terceira geração estrangeira teve blocos Ecotec de quatro e seis cilindros, aspirados e turboalimentados, partindo de um 1.6 de 100 cv até um 2.8 de 230 cv. Havia ainda a linha de motores movida a diesel, com sistema Common Rail, que começava com um 1.9 de 100 cv a chegava a um 3.0 de 184 cv.

Por aqui, houve o 2.0 de oito válvulas flex, que no começo gerava 121/128 cv com gasolina e etanol, na ordem, e posteriormente, junto com a reestilização de 2009, passou a debitar 133/140 cv. No começo, também existiu um 2.4 de 16 válvulas, com 148/150 cv, sempre acoplado ao câmbio automático de quatro velocidades.

No velho continente, o Vectra também tinha mais opções de carroceria, com variantes hatch e perua. No Brasil, houve a única variação foi um hatch, chamado de Vectra GT, que assim como o sedã, era um Astra rebatizado. Os dois modelos nacionais compartilhavam a parte mecânica. Se houve algo em comum entre o Vectra C europeu e o brasileiro foi o fato de ambos serem os últimos a sair da linha de produção. Por lá, o sucessor foi o Opel Insignia, lançado em 2008.

Fotos | Opel/Divulgação

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