Tiggo 7 cresce, muda visual e ganha mecânica do Tiggo 8

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O Caoa Chery Tiggo 7 chega à linha 2022 com estilo, mecânica e acabamento completamente novos, para se descolar de vez da semelhança com o Tiggo 5X e se aproximar do Tiggo 8

Por Hairton Ponciano Voz
Especial para o Autos Segredos

O Tiggo 7 PRO 2022 mudou completamente. O modelo que começa a ser vendido hoje não lembra em nada a versão anterior do SUV, que trazia certa semelhança com o Tiggo 5X. Em vez de se espelhar no irmão menor, o Tiggo 7, que agora recebe o sobrenome PRO, olha para cima e mira no irmão maior e mais luxuoso, o Tiggo 8. Segundo a Caoa Chery, que produz o modelo em Anápolis (GO), o estilo foi concebido pelo estúdio de design da Chery em Frankfurt, na Alemanha. O novo Tiggo 7 é mais imponente e tem mais personalidade – algo que ele não tinha. Internamente, está mais sofisticado. E, sob o capô, ele ganhou o mesmo conjunto motor-câmbio do Tiggo 8. Isso significa que saem de linha o 1.5 turbo e o câmbio de dupla embreagem e seis marchas, e entram em campo o 1.6 turbo e a transmissão de dupla embreagem e sete velocidades. A má notícia é que o preço também deu um grande salto. Contra os R$ 154.990 do Tiggo 7 TXS 2021, o Tiggo 7 PRO 2022 estreia com preço promocional de R$ 179.990, alta de R$ 25 mil, e ainda assim sujeita a reajuste no início do ano.

Lançado em 2019, o Tiggo 7 sofria de falta de personalidade. Ele dividia a mesma mecânica com o Tiggo 5X, não tinha grandes mudanças visuais em relação a ele, era somente 9 cm mais longo e custava R$ 17 mil adicionais. Assim, em termos de custo-benefício a balança pendia para o Tiggo 5X.

Agora o Tiggo 7 PRO 2022 se desloca da comparação e passa a se inspirar no luxuoso Tiggo 8, em todos os sentidos. Com isso, ganha melhores atributos para disputar mercado com os SUVs médios, caso de Jeep Compass, Toyota Corolla Cross e Volkswagen Taos. Vamos esmiuçar as novidades para ver se a partir de agora ele tem credenciais para encarar o trio.

Em termos de estilo, o novo Tiggo 7 deu um grande salto. Embora a plataforma T1X seja a mesma (ela é utilizada também pelo Tiggo 5X e Tiggo 8), toda a carroceria é nova, assim como a suspensão. O que mais chama atenção é a ampla grade frontal, que deu mais imponência ao modelo. Ela tem formato hexagonal e desenho de treliça, com pontos cromados.

Os faróis, agora de LED, são mais estreitos do que os do modelo anterior. As luzes de pisca são do tipo “dinâmicas” (a iluminação corre pela faixa de LED, como nos Audi). Há também luzes “de curva”, por meio do acendimento das lâmpadas de neblina, dependendo do movimento do volante. O capô está mais alto e ganhou vincos que reforçam a impressão de robustez.

As dimensões cresceram. Agora o SUV tem 4,5 metros, 7 cm a mais. A altura foi de 1,67 m para 1,7 m (3 cm adicionais), enquanto o entre-eixos foi para 2,67 m (2 cm a mais). A largura manteve-se em 1,84 m.

Da mesma forma como a parte dianteira, quando visto de lado o modelo também está mais vistoso. As linhas retas da área envidraçada deixaram o aspecto mais robusto, e o recorte do vidro na parte final da lateral lembra o estilo do Toyota SW4.

As rodas mantiveram o aro 18, mas o desenho mudou. De traseira o SUV também está bem mais inspirado, com uma extensão plástica ligando as lanternas de LEDs, solução que tem se mostrado uma forte tendência da indústria.

Motor 1.6 turbo garante o ânimo

O 1.6 turbo GDI de injeção direta, duplo comando variável e 187 cv melhorou muito o ânimo do modelo de 1.489 kg (44 kg a mais que o modelo 2021). Afinal, em relação ao 1.5 turbo, são 37 cv a mais de potência e 6,6 kg adicionais de torque (que saltou de 21,4 para 28 mkgf, a partir de 2 mil rpm).

Graças ao “coração” de Tiggo 8, basta uma leve pressão no acelerador para o SUV disparar com disposição. A Caoa Chery anuncia aceleração de 0 a 100 km/h em 8,09 s. A fabricante também informa que o sistema de injeção Bosch versão 9.3 tem capacidade de processamento 30 vezes mais rápido que o de geração anterior. O único ponto negativo é que a partir de agora ele só aceita gasolina (o antigo era flex). Pelos dados do Inmetro, o SUV tem média de 9,9 km/l na cidade e 11,7 km/l na estrada. 

As trocas de marcha são rápidas, típicas de sistemas de dupla embreagem. O novo modelo tem uma marcha a mais (sete). Não há borboletas no volante para mudanças manuais. Mas o motorista pode fazer as trocas no joystick. O pequeno comando de fácil operação está localizado no novo console, que tem acabamento em black piano. Ali estão também os botões do freio de estacionamento e do auto hold, que aplica frenagem automática com o carro parado (em semáforos, por exemplo).

A direção elétrica mostrou precisão e transmite segurança em velocidades mais altas. Isso se deve também à nova suspensão. De acordo com a engenharia da Caoa Chery, o sistema independente nas quatro rodas (McPherson na frente e multilink atrás) foi totalmente refeito. Na prática, o SUV mostrou estabilidade nas curvas e uma rodagem bem confortável e silenciosa, com boa absorção de imperfeições do piso. A fabricante informa que o novo modelo é até 4% mais silencioso que o anterior.

A única ressalva é que o test drive (rodoviário e urbano), entre São Paulo e Itu, no interior do Estado, foi feito sobre piso de boa qualidade. Rodamos cerca de 200 km com o Tiggo 7 PRO, mas sem pisar na terra. De qualquer forma, a altura livre do solo é de 17,3 cm. O modelo tem ângulo de entrada de 21º e de saída de 27º.

Interior confortável

Dentro, o conforto também agrada. O revestimento interno emprega material sintético que imita couro, com bom aspecto. Os bancos são bem desenhados e há bom apoio lateral. Os dianteiros contam com ajustes elétricos, e o do motorista inclui regulagem lombar.

As duas telas digitais dominam o painel. A da central multimídia é um mostrador horizontal de 10,25″ (a anterior tinha 9″) sensível ao toque. Há câmera de 360º e compatibilidade com Android Auto e Apple CarPlay, mas a conexão é feita com cabo. Ainda em termos de tecnologia, o Tiggo 7 PRO oferece carregamento de celular por indução, com alerta sonoro caso o motorista saia do carro e esqueça o aparelho.

O ar-condicionado tem um belo painel de comando e botões sensíveis ao toque. O sistema, aliás, pode ser acessado também pela tela da central multimídia. Há regulagens independentes para motorista e passageiro, além de saídas para o banco de trás. Quem vai no banco traseiro conta também com uma porta USB. O túnel central é baixo, e há bom espaço para pernas e cabeça. O grande teto solar panorâmico, de série, chega até lá.

A tampa traseira tem abertura automática, e dispensa até a passada de pé sob o para-choque. Basta ficar por um tempo atrás do carro de posse da chave que ela sobe automaticamente. A altura de abertura da tampa pode ser configurada na central multimídia. O compartimento acomoda 475 litros.

A tela de 12,3″ de TFT que reúne as informações para o motorista é festiva demais, com excesso de animações, apresentadas em azul (se o carro estiver no modo Eco) ou vermelho (Sport). O mostrador passa a impressão que você está jogando videogame, e não dirigindo. Ainda sobre festividades, é possível alterar a tonalidade da iluminação ambiente em sete opções de cores, e até fazer com que a luz acompanhe as batidas do som (como no Kia Soul, lembram-se?).

Para encerrar o campo das críticas, o retrovisor interno deforma a imagem e exige um tempo de adaptação do motorista. Além disso, quando se aciona a seta de direção há um “bipe-bipe” alto demais.

Faltam sistemas de condução semi-autônoma

Do ponto de vista de segurança, o Tiggo 7 PRO 2022 traz seis airbags (frontais, laterais e de cortina), aviso de passageiro sem cinto de segurança, sistema Isofix para fixação de cadeira infantil, monitor de ponto cego e até um útil alerta de perigo nas portas.

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Funciona por meio de uma pequena luz na parte interna das portas, que acende se o ocupante for sair e algum carro, ciclista ou motociclista estiver se aproximando.

Mas, por outro lado, não é desta vez que o Tiggo 7 recebeu auxiliares de condução semi-autônoma, caso de controle de cruzeiro adaptativo (ACC), frenagem automática com detecção de pedestres e sistema de manutenção em faixa. São itens oferecidos nas versões mais caras dos concorrentes.

A propósito, contra os R$ 179.990 do SUV da Caoa Chery, o Jeep Compass 1.3 turbo vai de R$ 151.990 a R$ 204.990. O VW Taos parte de R$ 168.490 e chega a R$ 197.590, enquanto o Toyota Corolla Cross 2.0 tem preços entre R$ 153.290 e R$ 164.190 (não levando em conta aqui as versões híbridas).

Com as mudanças, o SUV menos vendido da família Tiggo deve reagir em termos de mercado. No acumulado do ano, até novembro, foram vendidas apenas 3.803 unidades do 7. Como comparação, o 5X teve 11.656 veículos emplacados, e o irmão maior, 9.190. A partir de agora, suas chances melhoram.

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