Primeira Volta: Com motor 1.3 Turbo, Captur 2022 ganha 50 cv e muda da água para o vinho

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Com motor 1.3 turbo, SUV da Renault salta dos 120 cv para 170 cv e impressiona pela melhora no desempenho

Por Hairton Ponciano Voz
Especial para o Autos Segredos

É como se o Captur tivesse mudado da água para o vinho. A principal novidade na linha 2022 do SUV da Renault é o motor 1.3 turbo de 170 cv. Com ele, o salto de potência foi de 50 cv (o 1.6 16V anterior rendia 120 cv). O torque teve incremento de 69,5%, e subiu de 16,2 para 27,5 mkgf. O resultado de tudo isso é que poucas vezes um carro melhorou tanto ao trocar de motor. Finalmente, o SUV lançado em 2017 recebe mecânica à altura de seu belo estilo. Com o novo conjunto (o câmbio automático CVT também passou por modificações e agora simula oito marchas), é como se o Captur tivesse nascido de novo. De acordo com a Renault, o SUV agora faz 0 a 100 km/h em 9,2 s e alcança 190 km/h. Como comparação, o antigo 1.6 precisava de uma eternidade para chegar a 100 km/h (13,1 s, com etanol), e não ia além de 169 km/h de máxima. Outra novidade é o sistema start-stop.

Preços do novo Renault Captur 2022

Confira preços e versões do SUV francês renovado:

  • Zen 1.3 TCe CVT – R$ 124.490
  • Intense 1.3 TCe CVT – R$ 129.490
  • Iconic 1.3 TCe CVt – R$ 138.490

Não é de hoje que o Captur precisava desse upgrade. Há quatro anos, o SUV foi lançado no Brasil com alguns problemas de nascença. Foi o caso do motor 2.0, que rendia apenas 148 cv. Era muita cilindrada para pouca potência (a potência específica era de 74 cv/l). Além disso, tinha o péssimo hábito da dependência da bebida, e ainda trazia reservatório auxiliar para partida a frio, item que já naquela época estava caindo em desuso. O câmbio? Um automático antigo de somente quatro marchas. O motor 1.6 de 120 cv não bebia tanto, mas também limitava os movimentos do modelo. Pois agora tudo isso é passado.

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O novo 1.3 TCe (iniciais de turbo control efficiency) dá vida nova ao modelo, e a dirigibilidade melhorou muito. A potência específica saltou para 130,8 cv/l. Além de superar com larga margem o antigo Captur, o novo modelo também consegue deixar para trás até oponentes de cilindrada superior, caso do T-Cross 1.4 turbo, que tem 150 cv e 25,5 mkgf.

A avaliação feita em um percurso de ida e volta entre São Paulo e São Roque (a cerca de 70 km da capital) serviu para mostrar que na prática a mudança fez muito bem ao modelo de 1.366 kg. O roteiro teve retas, muitas curvas, subidas e descidas, e em todos os trechos o SUV mostrou que agora sim está com a saúde em dia. Logo no começo, ainda no trecho urbano, o Renault Captur 1.3 TCe apresentou agilidade nas saídas de semáforo, ânimo que se confirmou quando pegamos a estrada. A velocidade sobe rapidamente, e a agulha do conta-giros se move com vontade, resultado do bom torque disponível já a 1.600 rpm. Os 27,5 mkgf valem tanto para gasolina como para etanol, informa a Renault. Já a potência máxima com gasolina é de 162 cv.

Motor teve trabalho conjunto de franceses, alemães e japoneses

O motor de quatro cilindros, 16 válvulas e injeção direta é o resultado do trabalho conjunto de uma força multinacional entre a Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi e a Mercedes-Benz. Funciona com pressão de turbo de até 1,4 bar e tem comando de válvulas variável com gerenciamento eletrônico. De forma resumida, a contribuição da empresa francesa se concentrou “da junta do cabeçote para baixo”, na definição de um executivo da Renault, enquanto a Mercedes cuidou da parte de cima. Uma das principais características é o formato triangular do cabeçote (portanto, dentro do domínio “alemão”), que proporcionou redução de tamanho e peso do propulsor, com reflexo na diminuição de centro de gravidade do veículo.

A Renault, por sua vez, garante que empregou sua experiência na Fórmula 1 para trabalhar intensamente na redução de atrito de peças móveis, com utilização de nanotecnologia em anéis, por exemplo. As bronzinas receberam polímeros para reduzir atritos no sistema de virabrequim e mancais, e as paredes dos cilindros passaram por um tratamento para também diminuir atrito com anéis e pistões. A Renault informa que é a mesma técnica empregada no esportivo Nissan GT-R, e que entre outros benefícios resulta em diminuição de consumo e emissões em cerca de 1%.

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Para se ter uma ideia da versatilidade desse motor – que já teve mais de 1,2 milhão de unidades produzidas na Espanha desde o ano passado -, ele está em modelos como o Renault Talisman (um sedã grande) e o SUV Kadjar. Equipa também o SUV Mercedes GLB, à venda no Brasil. No modelo alemão, no entanto, ele rende 163 cv, e não é flex. Falando nisso, embora o motor seja espanhol, o desenvolvimento para transformá-lo em bicombustível foi feito no Brasil. Com tantas qualidades, em breve ele passará a equipar a família Sandero (incluindo Logan e Duster) e os Nissan Versa e Kicks.

Câmbio CVT foi completamente reprojetado

Para acompanhar o 1.3 TCe, a Renault instalou no Captur 1.3 TCe um câmbio CVT totalmente revisado. Embora a caixa (produzida no México) não seja inteiramente nova, praticamente tudo foi melhorado. Agora, ele simula oito velocidades (eram seis), e, quando o motorista pisa fundo no acelerador, funciona como se fosse um automático convencional, emulando trocas de marchas. Entre as diversas alterações, a corrente é mais estreita, o que segundo a montadora possibilita acelerações mais vigorosas, além de menor rotação em velocidade de cruzeiro (para redução de consumo). O óleo lubrificante tem menor viscosidade, o que também ajuda na economia de combustível, diz a fabricante. Além disso, com cárter e bomba de óleo menores, o consumo também foi reduzido.

Na prática, podemos dizer que ao menos no que diz respeito a desempenho o serviço surtiu resultado. Motor e câmbio falam o mesmo idioma espanhol, e aparentemente não sentiram os 80 kg a mais do novo modelo. Segundo a Renault, isso é resultado dos reforços estruturais que o Captur recebeu. Os semi-eixos, por exemplo, foram reforçados, para suportar o maior torque do propulsor.

As saídas são ágeis, sem aquela demora típica dos CVTs (o que nos lembra mais uma vez que o Nissan Kicks precisa desse conjunto urgentemente). Não há borboletas no volante, mas quem quiser trocar marchas manualmente pode recorrer à alavanca. Nesse caso, as reduções são para a frente e os aumentos, para trás.

Quanto ao consumo, o Captur 2022 obteve nota A no programa de etiquetagem do Inmetro (o modelo 1.6 era C). Com etanol, a média é de 7,5 km/l na cidade e 8,3 km/l na estrada. Com gasolina, o consumo é de respectivamente 11,1 e 12 km/l.

Direção agora é elétrica

Embora seja um carro alto (1,62 m) e esteja bem longe do chão, o Renault Captur 1.3 TCe desafia as regras da Física e se comporta muito bem em curvas. Em um circuito sinuoso, o modelo mostrou obediência, resultado também da nova direção elétrica (era eletro-hidráulica), que ficou mais direta, melhorando a dirigibilidade. A Renault também informa que os reforços estruturais aplicados ao monobloco melhoraram a rigidez torcional em 12,5%, outro ponto que favorece o comportamento do carro nas curvas e retas (mais silêncio e menos vibração).

Alterações visuais são sutis

Por fora, há poucas mudanças. Para-choque e grade são novos. A grade cresceu e recebeu detalhes cromados, e a parte inferior foi redesenhada. Os faróis são full LED na versão de topo, Iconic. Além dela, na linha 2022 o Captur volta a ser oferecido nas versões Zen (básica) e Intense (intermediária). Os LEDs estão também nas luzes diurnas e nos faróis de neblina, com função de curva. O único senão é que o novo para-choque diminuiu um pouco o ângulo de entrada, de 23º para 19º. As rodas de liga leve de 17″ têm novo desenho e acabamento diamantado, mas os freios traseiros continuam com tambores. Atrás, o acabamento sobre a placa vem na cor da carroceria. A unidade avaliada recebeu a nova cor batizada de bronze Sable.

Por dentro, um dos destaques é a nova tela da central multimídia, que cresceu de 7″ para 8″ e pode ser espelhada com Android Auto e Apple CarPlay. No entanto, a conexão ainda é feita por fio. É possível acionar o motor remotamente, para ativar a climatização. Além da direção elétrica, outro ponto positivo é que a coluna de direção passa a ser ajustável em altura e profundidade (antes, apenas em altura). Já os comandos de som não mudaram e continuam atrás do volante, presos à coluna. O modelo também traz sensores de ponto cego e de pressão dos pneus.

O console foi redesenhado e abriga novos porta-copos e apoio de braços. A alavanca de freio, no entanto, permanece. A opção mais cara oferece acabamento interno em dois tons. O painel tem superfície rígida na parte superior e suave ao toque na parte frontal. Atrás, há duas saídas USB e bom espaço, graças ao entre-eixos de 2,67 m. O porta-malas para 437 litros está entre os maiores da categoria.

Em termos de segurança, o Renault Captur 1.3 TCe continua com quatro airbags, mas a Renault informa que os laterais foram reprojetados e oferecem maior proteção para cabeça. A versão topo de linha pode vir opcionalmente com sistema de som Bose, já oferecido no modelo anterior. São seis alto-falantes, um subwoofer no porta-malas para reforço de graves e um amplificador.

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