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Rodrigo Lara (*)
Especial para o Autos Segredos

De Águas de São Pedro (SP) – Demorou, mas a Chevrolet se rendeu à moda dos aventureiros. E coube ao monovolume Spin a primazia dentre os modelos da fabricante a adotar uma roupagem lameira. “E o Celta Off Road?”, alguns podem perguntar. O compacto de visual fora de estrada, que frequentou as ruas na metade da década de 2000, não era propriamente uma versão do modelo, se tratando somente do modelo equipado um kit de acessórios estéticos homologados pela Chevrolet e vendido em concessionárias.

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Baseada na versão LTZ da van, a Spin Activ será vendida em duas versões, que diferem entre si apenas pelo tipo de câmbio: manual de cinco marchas ou automático, de seis. Os preços se iniciam em R$ 62.060, para a manual, e vão até R$ 65.860 para a automática. Para comparação, a versão LTZ do carro tem preço inicial de R$ 61.960, o que dá direito a um pacote de equipamentos similar ao da Activ e, ao contrário da variante aventureira, lugar para sete ocupantes.

Considerando todas as versões do monovolume, a Chevrolet espera que a Spin Activ responda por 20 a 25% do total de vendas. A garantia é de três anos.

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Vivendo de aparências

Salvo raríssimas exceções, as versões aventureiras de carros de série englobam, basicamente, alterações estéticas. É esse é o caso da Spin Activ. Entram em cena faixas na parte inferior das laterais, apliques de plástico preto nos para-choques, arcos de roda e saias laterais, rack no teto (curiosamente, as barras transversais para tornar o equipamento funcional são opcionais), retrovisores pretos, faróis escurecidos, molduras em preto brilhante nas luzes de neblina, rodas aro 16 polegadas com acabamento diamantado e estepe pendurado na tampa do porta-malas.

Os adereços aventureiros melhoraram o visual do exterior da Spin, especialmente se considerarmos as rodas maiores que diminuem o excessivo vão entre para-lamas e pneus das versões convencionais. A linha de cintura, com os adesivos e apliques pretos, acaba ficando visualmente mais alta. Em conjunto, essas mudanças tornam a aparência – um dos pontos mais controversos do carro – mais proporcional.

Partindo para o interior, o carro ganhou bancos com faixas centrais e inscrições “Activ” espalhadas em elementos como o painel de instrumentos. O acabamento da cabine na versão é todo em preto.

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Não há qualquer alteração mecânica relevante que faça, de fato, o carro ser apto a encarar terrenos mais difíceis. As únicas mudanças nesse sentido se deram com o intuito de compensar as rodas maiores. A saber: a suspensão foi recalibrada e a relação de marchas ficou mais curta na primeira e na ré. No mais, a Activ é uma Spin convencional, com suas qualidades e defeitos.

Espaço, conforto e visibilidade

Apesar do apelo familiar da Spin, a oferta de espaço é um tanto restrita, especialmente nos bancos de trás. Enquanto os ocupantes da dianteira viajam sem aperto, dependendo do ajuste dos bancos as pernas de quem vai atrás tendem a ficar apertadas. E aqui não falamos de pessoas propriamente altas: durante o test-drive, os assentos da frente eram ocupados por passageiros de cerca de 1,75 metro, o suficiente para fazer o vão livre da traseira minguar.

Com rodas maiores, a Spin acaba transmitindo as irregularidades do piso de forma mais intensa para o interior. Não chega a ser desconfortável, mas há uma mudança perceptível nesse sentido. Por falar em conforto, o banco traseiro – desconsiderando a questão do espaço já citada – é confortável, mas os dianteiros carecem de um apoio lateral mais pronunciado.

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Considerando o banco do condutor, a posição de dirigir pode incomodar quem prefere um posto de comando mais esportivo. Mesmo ajustado para a posição mais baixa, a peça ainda permanece alta. A direção, ajustável somente em altura, não ajuda tanto nesse sentido. O resultado é que há pouca “conexão” entre o carro e seu condutor.

Outro efeito da posição mais alta de dirigir é que o carro transmite pouca segurança nas curvas. A tendência, nesse caso, é a de sentir a carroceria “entortando” mais ao efetuar manobras e o motorista pode encontrar mais dificuldades para manter uma trajetória precisa. Essas características são compensadas, entretanto, por um campo de visão mais amplo, o que tende a agradar motoristas que gostam de guiar SUV´s, por exemplo.

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Na hora de acelerar, paciência

Equipada com o motor 1.8 EconoFlex, a Spin Activ exige boa vontade do motorista. No test-drive foi avaliada uma unidade equipada com câmbio automático de seis velocidades. Mesmo com trocas rápidas, é notável que a caixa não trabalha em harmonia com o motor. O resultado é que, muitas vezes, ela fica perdida na tarefa de escolher a melhor marcha para cada situação. O câmbio também permite trocas manuais, mas o método de operação, por meio de teclas na própria alavanca, desencoraja esse tipo de uso.

O principal responsável pelo desempenho um tanto anêmico é o propulsor 1.8. De cara, é possível ver que essa unidade é bastante defasada apenas olhando os números: são 108 cv de potência a 5.400 rpm com etanol (106 cv a 5.600 rpm com gasolina) e torque máximo de 17,1 kgfm a 3.200 rpm com o derivado de cana (16,4 kgfm a 3.200 rpm com gasolina). Embora o torque seja bom, o motor carece de elasticidade. Em acelerações e retomadas, ele “grita” com vontade, porém demora para embalar os 1.325 kg da versão automática do carro. E, quando mais alto o motor gira, mais ele acaba consumindo.

Em velocidades mais elevadas, a Spin Activ oscila um bocado, o que acaba exigindo uma atenção extra do condutor. Já o desempenho em curvas, mesmo não sendo uma das propostas do modelo, é mediano. A suspensão é acertada para ficar no meio-termo entre conforto e dirigibilidade, mas não evita que a carroceria role um bocado durante essas manobras. A sensação, evidenciada pela já citada posição de dirigir, faz com que o modelo exija maior prudência nessas situações. A Chevrolet afirma que a decisão de colocar o estepe na parte central da traseira foi tomada justamente para não prejudicar a dinâmica do carro. Nesse sentido, a presença da peça no exterior do modelo em nada interferiu no seu comportamento.

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Vale a pena?

O custo-benefício não é o forte da Spin Activ. Por menos, é possível levar para casa a versão LTZ do modelo, que é tão completa quanto a variante aventureira e ainda possui espaço para sete ocupantes. Ainda assim, tanto nas versões convencionais, quanto na Activ, o modelo é uma opção interessante para famílias.

Considerando isso, só é recomendável que o comprador pague a mais se fizer questão dos adereços estéticos do carro. Já para aqueles que procuram um carro realmente capaz de encarar estradas de terra com desenvoltura, a recomendação é simples: procurem outro modelo.

(*) O jornalista viajou à convite da General Motors.

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Fotos | Fábio Gonzalez/Chevrolet/Divulgação