Em rodovias, o condutor tem que abusar do pé direito para deixar o SUV mais ágil

Quando testamos a versão Intense 2.0, o Alexandre Soares afirmou que o Captur merecia um conjunto mecânico mais atual. A chegada da transmissão CVT associada ao motor 1.6 supriu o peso da idade do conjunto mecânico que equipa a versão 2.0. Mesmo assim, ainda não é o ideal: se o câmbio CVT é ponto positivo, o motor 1.6 nem tanto, e o SUV fica devendo em desempenho. Na cidade, o conjunto mecânico entrega agilidade, mas, rodando em rodovias, o Captur 1.6 é limitado, e o motor sente seu peso de 1.286 kg.

Andando

O motor 1.6 de 120 cv e 16,1 kgfm de torque está longe de dar ao Renault Captur uma performance de atleta, mas a combinação com a caixa X-Tronic CVT da Nissan garante comodidade ao motorista no cotidiano.

As respostas do câmbio são um pouco lentas. Mesmo quando se cutuca o acelerador no chamado “kick-down”, ele demora a atender. Numa situação em que é preciso ser ágil, a solução melhor é mudar para o modo manual e realizar as trocas pela alavanca. O consumo de 7,4 km/l (no álcool) é mais que satisfatório para o porte de um “jipinho” projetado para a cidade.

Vendas

Nem mesmo a chegada do câmbio CVT fez com que as vendas do Renault Captur embalassem. Desde sua chegada, em fevereiro, até novembro, o SUV francês vendeu apenas 11.638 unidades. A média mensal é de 1.100 unidades, bem distante dos 3.600 modelos estimados pela marca francesa, em junho, quando lançou a versão CVT.

Talvez o SUV seja prejudicado pelo posicionamento no mercado. Enquanto o Duster parte de R$ 70 mil, o Captur começa nos R$ 80.450. Porém, levando-se em conta que ambos compartilham a mesma arquitetura, e isso diminui os custos de produção, a marca francesa tem hoje 7% no cobiçado segmento dos SUVs compactos. De janeiro a novembro, somando-se a venda dos dois, a Renault tem 27.347 unidades vendidas.

Refinado

Além do preço, o refinamento é o que separa os irmãos. O Renault Captur é um modelo mais refinado, tanto no visual quanto nos conteúdos, com direito a velocímetro digital, chave do tipo cartão, pintura em dois tons, cromados e demais mimos que encantam o consumidor.

Vida a bordo

O sistema de partida é por botão. Entretanto, a marca segue insistindo na chave em formato de cartão, que é a mesma do Mégane de 2006. Os demais comandos, de vidros elétricos e de ajustes de retrovisores, estão bem posicionados e ao alcance das mãos do condutor. Entretanto, inexplicavelmente, a tecla de acionamento piloto automático está instalada próxima da alavanca do freio de estacionamento. Outro deslize é falta de ajuste de profundidade da coluna de direção, que tem somente regulagem de altura.

Suspensão

Mesmo equipado com rodas de 17 polegadas e pneus de perfil 60, o conforto de rodagem do SUV é mantido. A calibragem da suspensão também é boa, e o Captur anda por pisos irregulares com suavidade, sem expor os ocupantes a solavancos.

Interior

No interior, apesar do visual mais elegante, seu acabamento é simples, mas a montagem é honesta e minimiza ruídos. O isolamento acústico também é superior ao do Duster. O espaço é generoso tanto para os passageiros quanto para bagagem (437 litros). A oferta de cintos de três pontos para todos os ocupantes é um ponto positivo, assim como ESP de série.

Segurança

O Renault Captur 1.6 CVT vem equipado com controle eletrônico de estabilidade (ESP), e controle eletrônico de tração (ASR). Ainda fazem parte do pacote quatro airbags de série (dois frontais e dois laterais). Para o transporte dos pequenos, o Captur tem sistema de fixação ISOFIX para duas cadeirinhas infantis. Os freios ABS tem auxílio de frenagem de emergência (AFU) e distribuição eletrônica de frenagem (EBD).

A assistência de partida em rampas (HSA) é acionada quando o carro se encontra em uma inclinação superior a 3°. Este sistema freia o carro por até 2 segundos, auxiliando a arrancada em ladeiras e trazendo conforto e segurança.

Opcional

O sistema MEDIA Nav é oferecido como opcional na versão Zen ao custo de R$ 2.500. De série na opção Intense, o sistema tem tela touchscreen de 7”, o usuário tem acesso ao GPS integrado, Bluetooth, câmera de ré, eco-scoring e eco-coaching.

Quando custa?

O Renault Captur 1.6 CVT parte de R$ 86.450 na versão Zen e chega aos R$ 89.950 na versão Intense.

Ficha técnica

MOTOR
Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 1.597cm³ de cilindrada, 16 válvulas, flex, que desenvolve potências de 118cv (gasolina) e 120cv (etanol) a 5.500rpm, e torque de 16,2kgfm (g/e) a 4.000rpm

TRANSMISSÃO
Tração dianteira, com câmbio automático tipo CVT (transmissão continuamente variável)

SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS
Dianteira, independente, tipo McPherson, com triângulos inferiores; e traseira semi-independente, com barra estabilizadora/de liga leve de 7×17 polegadas/215/60 R17

DIREÇÃO
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência eletro-hidráulica

FREIOS
A discos ventilados na dianteira e tambores na traseira

CAPACIDADES
Do tanque, 50 litros; e de carga útil (passageiros mais bagagem), 449 quilos

Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

  • Uranium

    Este carro é um embuste completo. Inacreditável a Renault achar que venderia 3600 unidades mensais desse carro, oferecendo como únicos pontos positivos – em um carro de mais de 80 mil – apenas um visual externo agradável (o resto da linha nem isso tem) e espaço interno. Lá fora a marca tem coisa boa, mas no Brasil arrisco dizer que é a marca com a linha de produtos mais medíocre de todas (tirando as chinesas, obviamente).

    • Zigfrietz Tazogh

      Quem matou o Fluence foi o mercado, ao rejeita-lo.

      • Uranium

        Uma mentira contada 1000x acaba se tornando verdade… Durante um tempo considerável (da linha 2011 à 2013), o Fluence teve vendas razoáveis e, no balanço da coisa, a aceitação é bem maior que a do antecessor Megane. A coisa começou a desandar quando, na linha 2014, a Renault depenou o carro nas versões de entrada, tirou airbags de cortina e outras coisas e começou a aumentar o preço sem parar. O GT Turbo e o GT-Line, com visuais altamente cafonas, vieram na mesma época e floparam. Na linha 2015 veio a reestilização porca, em que até as lanternas antigas foram mantidas nas versões básicas. Por fim, a pá de cal foi jogada pela própria Renault em duas oportunidades: uma em setembro de 2016, quando lançaram a linha 2017, em que a versão de entrada Dynamique saiu de linha e a mais barata (Dynamique Plus) passou a custar 93 mil reais e 2 meses depois, 95 mil. Por fim, a segunda pá de cal foi este ano, quando os preços foram a R$ 99.350 (versão de entrada) e o carro saiu de linha sem sucessor.

        Portanto, dá pra ver claramente que, da mesma forma que ocorreu com o Megane, o Fluence foi lançado e logo já foi largado no mercado à própria sorte, quando não sabotado pela própria Renault. Enquanto o carro estava atualizado com os concorrentes, vendeu bem sim. Só não dá para achar que é só lançar um sedan médio e ele vai bater Civic e Corolla, sem mais nem menos, totalmente largado no mercado. Mas, claro, é mais fácil declarar oficialmente que a culpa é do mercado pela baixa procura.

        A Renault do Brasil é exatamente assim: traz carros bons com muita má vontade, os fazendo sair do mercado, e traz carros medíocres que acabam virando arroz-de-festa em frota, locadora e licitação de governo, porque o consumidor comum não se interessa muito devido à pobreza geral desses carros. É mesmo uma pena que, para comprar carros de nível, as pessoas tenham que procurar outra marca.

        • Anderson Trajano

          Perfeito. Concordo em tudo. Faz anos que não vejo ninguém do meu círculo de amizades entrar numa CSS Renault e comprar um carro.

          • Uranium

            Conheço um que comprou em 2016 um Sandero Expression 1.0 16V para o filho, que tinha acabado de formar na faculdade. Não entende nada de carro, claro, só escolheu o mais barato e pronto, o que é ok, pois foi um presente. Pois bem, eu já peguei carona algumas vezes com o cara (moramos perto) e o que ele mais fala é que o carro só tem espaço e mais nada. O ar condicionado é quase decorativo, pois qualquer subida tem que desligar, se não o carro não sobe morro nem de 1a marcha (somos de BH); às vezes não sobe nem desligando o ar. Outro detalhe, a central multimídia é lenta e o navegador parou de funcionar porque a atualização (gratuita) dá erro. Por fim, a montagem é ruim: porta-luvas, central MM, tampa da buzina, porta traseira esquerda e capô, tudo desalinhado. Fora os aspectos de convivência, que só dirigindo para saber. Te digo que provavelmente foi o primeiro e o último Renault dele.

        • New Fiesta

          Pura verdade.

          • Uranium

            Tem gente que acredita até em papai noel…

        • Marco

          …”É praxe da marca: lança um carro bom, abandona ele à própria sorte, descobre que não pode ter a margem de lucro das japonesas, se não o carro não vende, aí tira do mercado”…. (igualzinho ao que a Fiat fez com o finado LINEA). Eu tento, mas não consigo entender qual é a mentalidade dessas montadoras instaladas aqui no Brasil. Preferem não vender NADA do que ter uma boa participação no mercado com produtos digamos, HONESTOS. E com isso, a confiança na marca vai por água abaixo. Uma pena realmente.

      • radioactive

        Você pagaria 100 mil reais por um Fluence intermediário, com todos esses anos de mercado, com concorrentes muito mais atualizados, desde C4 Lounge até Corolla e Civic? A não ser que você seja louco ou fanboy, a resposta é NÃO, assim como a de 99,99% dos compradores de sedan médio. Portanto, se tem alguém que matou o Fluence, foi única e exclusivamente a Renault.

        • Edson Fernandes

          Na verdade, esses Fluence (a Renault tem produzido em pequena escala os modelos dynamique e dynamique plus) tem sido vendidos por R$69000 e R$77000.

          Mas ela ainda dá descontos em cima. E por curiosidade, tem PCD para os dois produtos. Não sei explicar como consegue com produto acima de R$70000 ter isenção de ICMS, mas ela consegue!

    • Pedro154

      É porque, na verdade, não temos a Renault, temos a Dacia.

      • Uranium

        Não é Dacia, porque Dacia custa barato. Não é Renault porque nenhum dos carros é de nível acima de “medíocre”. Digamos então que temos Dacia com logo e preço de Renault.

      • radioactive

        Entrar numa concessionária Renault depois que o Fluence sumiu chega a dar nojo, na boa.

      • O único produto Renault vendido hoje no país é a Master.

  • marcelo monteiro

    Não consigo gostar desse carro! Acho ele feio e sem graça tanto no design externo quanto o interior.

    • radioactive

      Esse carro é patético. Do ponto de vista da Renault, a existência dele mais do que se justifica. Ele é tão vagabundo e cheio de cortes de custo, que o custo de produção dele deve ser uns 30% menor que de um HR-V, Creta ou Renegade. É um Dacia Duster recheado e com outra casca, afinal de contas.
      Como a Renault vende ele pelo mesmo preço dos concorrentes e ainda acha uns 1000 e poucos compradores todo mês, acaba valendo muito a pena financeiramente. Só que na minha garagem não entra, como aliás nenhum Renault atual, exceto o Fluence.

      • wagner

        Nao vejo muita diferença em termos de proposta de projeto com o Creta.

        • Henrique

          A única coisa que me incomoda no Creta é o acabamento do painel, que distoa do resto…

        • Uranium

          O Creta tem plataforma de Elantra (pode procurar) e mecânica coerente, com motores atuais e com câmbio de 6 marchas. A diferença já começa aí.

        • radioactive

          Um tem plataforma de Elantra, o outro de Sandero. Não preciso falar mais nada.

      • Henrique

        Fluence já era…
        Se não me engano publicaram aqui um obtuário.

        • radioactive

          Sim, como eu disse, será o último carro de verdade da Renault no Brasil.

  • Audi a5

    Fiz test drive. Os pecados maiores quanto ao acabamento são: 1) acabamento das portas traseiras totalmente em plástico, como em um sandero, quando as dianteiras trazem faixa em couro; 2) ausência de cobertura da soleira das portas, junto ao assoalho. Ali só se vê a borracha da porta sobre o carpete, como em um popular, devendo uma capa plástica. 3) carpete de muito baixo custo, com varias emendas mal arrematadas. A suspensão filtra bem; o cvt mais o motor no transito não empolga, mas movimenta na medida de uma condução sem pressa – creio ser o estilo de dirigir do público alvo (mulheres + transito).

    • Anderson Trajano

      Também andei e optei por outra. O grande erro desse carro já foi amplamente discutido nesse tópico. O Captur é um carro inferior em todos os sentidos a maioria dos seus concorrentes, mas a Renault Brasil insiste em vender ele no preço dos demais.

  • Audi a5

    A versão europeia apresenta painel com acabamento tão pobre quanto a nossa, mas há o opcional de painel com revestimento em couro, quando aí sim, a coisa muda. Poderiam ofertar por aqui.

  • Razzo

    As lanternas do novo Sandero cairiam bem na insossa traseira do Captur:
    https://uploads.disquscdn.com/images/bd647357a8fe3532d001f1e774dcb009dadbc102553284e40afd4063e0d678a5.jpg

    se aproximando um pouco da atual traseira do Scenic:

    https://uploads.disquscdn.com/images/8da5483e113a8bc7a2dce1dc2087608bf6ee0f8d2d5107b6f17478f04c8fca86.jpg

    Em tempo, cadê uma direção elétrica, freios à disco traseiro e um motor mais decente para esta faixa de preço deste veículo ?

  • Anderson Neves

    86 mil em um SUV 1.6 com 120cv? Passo. Prefiro o Renegade Sport 1.8

  • Edson Fernandes

    Pra mim, o maior erro da Renault foi vender Duster e Captur juntos. Não faz o menor sentido.

    Ok que tenha Oroch que prejudicou tudo… mas não seria melhor então ter o Captur e uma picape desse? E digo mais… se esse produto tivesse preço e nome de Duster, seria uma evolução timida, porém esperada… e em termos de visual, agradaria quem era dono de Duster.

    Mas não … lançou tudo no timing errado e esta colhendo pelo erro. O erro não é a escolha de quem olha e não considera, mas sim da Renaulkt em colocar em um patamar sem sentido. E aí qual a justificativa para custar R$89000 na versão 1.6 Intense CVT? nenhuma. Não perante os rivais que tem alguns até mais completos.

  • Leonardo costa

    Compramos o captur zen, carro excelente, câmbio CVT, altura do solo muito boa, mala grande, econômico, plataforma robusta, quatro airbags, nota quatro no latincap, ótima dirigibilidade, e acabamento compatível com os carros brasileiros.