Avaliação: Hilux SRV Flex – o preço que se paga pela logo Toyota

Preço sugerido da Toyota Hilux SRV Flex esbarra em modelos turbodiesel da concorrência. Versão tem boa lista de itens de equipamentos de série. Mas, o consumo da picape é alto
Hilux SRV Flex
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Por Marcelo Jabulas

Motores bicombustível estão presentes em praticamente todos automóveis vendidos no país, com exceção de alguns modelos importados. Esse tipo de propulsor se popularizou muito por dar ao consumidor o poder de escolha de qual combustível é mais vantajoso. E abastecer com o derivado da cana-de-açúcar pode ser mais barato que a gasolina numa média de 30 pontos percentuais, segundo a legislação.  Daí é possível ter uma boa economia no bolso, mesmo o combustível verde não ofereça a mesma autonomia do derivado do petróleo.

Hilux SRV Flex
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

No segmento de picapes unidades flex também fazem parte do portfólio de marcas como Ford, Chevrolet e Toyota.  No entanto, etanol e diesel têm preços parecidos, salvo em regiões sucroalcooleiras onde o etanol é bem mais barato. Por outro lado, rodar numa picape flex pode significar uma economia na hora da compra.

Testamos a Toyota Hilux SRV 2.7 4×4 que surge como uma das opções mais acessíveis da linha japonesa, com preço sugerido de R$ 140.990. Trata-se de um valor salgado, ainda porque se aproxima de versões turbodiesel de rivais como a VW Amarok e da própria versão de entrada da Hilux diesel (com caixa manual) que sai por R$ 142 mil.

No entanto, trata-se de um preço com pacote fechado e não um valor que pode sofrer alterações na medida em que o cliente inclui conteúdos opcionais. Apesar de cara, essa versão é bem mais acessível que as movidas a diesel. As opções com caixa automática variam de R$ 161.560 a R$ 207 mil.

Mercado

A Hilux fechou 2018 como a picape média mais vendida do país, com 39.278 unidades licenciadas, segundo a Fenabrave. Só não vendeu mais que a Fiat Toro (58.477), que se posiciona num degrau abaixo da japonesa.

O sucesso dessa Toyota se dá pela robustez e confiabilidade. Realmente é um carro que impressiona quando colocado à prova em terrenos acidentados. Ela sacoleja, torce para um lado, torce para o outro, mas não titubeia.

Conteúdos

Hilux SRV Flex
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Entre os itens de série estão bancos forrados em couro, ar-condicionado digital, multimídia (com leitor de CD, navegador GPS, USB e câmera de ré) e partida sem chave que satisfazem o consumidor que investiu valor que ele poderia levar um SUV de luxo.

Sua lista de equipamentos ainda inclui:

  • Ar-condicionado digital (com saída de ar central para os bancos traseiros),
  • Direção hidráulica,
  • Trio elétrico (vidros, travas e retrovisores elétricos),
  • Banco do motorista com ajuste elétrico de distância,
  • Bancos com ajuste de inclinação, distância e altura,
  • Computador de bordo com tela de 4,2 polegadas de TFT, multimídia Toyota Play de sete polegadas (GPS, TV Digital, DVD, rádio, USB, CD, MP3, câmera de ré e Bluetooth).

A versão ainda vem equipada com acendimento automático dos faróis, partida sem chave, retrovisor eletrocrômico, luz de condução diurna (DRL), sete airbags e controles e estabilidade (ESP) e tração (A-TRC), assistente de reboque e faróis de neblina.

Ao volante

Picapes médias têm ganhado itens de conveniência e arquiteturas que entregam um comportamento e conforto de carros de passeio. No entanto, esses pequenos caminhões se tornaram exageradamente caros, e uma das razões está na motorização turbodiesel. A Hilux SRV flex entrega muito conteúdo,

A cidade não é um ambiente amistoso para a Hilux, assim como todas picapes de seu porte. Dificuldades de encontrar vagas ou escapar por frestas no trânsito exigem uma reflexão do proprietário sobre o quão o excesso de tamanho e largura são realmente necessários em grandes centros. Afinal, trata-se de um veículo 5,31 metros de comprimento. Ainda bem que ela conta com câmera de ré, mas peca por não oferecer sensores sonoros.

O motor 2.7 de 163 cv e 25 mkgf não se compara à unidade turbodiesel da Hilux. Mesmo assim, ela dá conta recado. Apesar de menor torque, ela sobra em potência e não fraqueja quando está com a caçamba carregada.

Consumo

Abastecida com etanol, a unidade testada registrou média de 4,5 km/l no combinado entre trajeto urbano e rodoviário. Trata-se de um consumo elevado, mas compreensível quando se trata de um utilitário de duas toneladas.

Hilux SRV Flex
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Suspensão

A suspensão da Hilux foi projetada para carregar até 1 tonelada de carga e capaz de atravessar terrenos acidentados. Como boa parte das picapes ela oferece sistema independente (no eixo dianteiro) e o trivial eixo de torção e feixe de molas na traseira.

No asfalto o comportamento da picape não chega a comprometer. Mas é bom não abusar nas curvas rápidas, pois como toda picape, a traseira tende a escapar, mesmo com o auxílio do ESP. Quando carregada, seu comportamento tende a ficar mais estável.

Por dentro

O acabamento da versão não oferece grandes refinamentos, mesmo que o revestimento dos bancos, volante e alavanca de transmissão em couro tentem argumentar que você está num carro de luxo.  Apesar do bom pacote é impossível não se lembrar de estar viajando em veículo de carga. Principalmente que viaja atrás. Os bancos traseiros têm pouca inclinação, por conta da caçamba. Para piorar, quem viaja atrás absorver toda rispidez da suspensão traseira.

Hilux SRV Flex
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

As rivais da Hilux

Produzida na unidade de Zárate (Argentina), a Hilux flex concorre apenas com:

  • Ford Ranger Limited 2.5 4×2 flex (R$ 128.670)
  • Chevrolet S10 LT 2.5 4×4 flex (R$ 126.290).

Mitsubishi, Volkswagen e Nissan não oferecem utilitários com motores bicombustível.

Palavra final

A Hilux flex é a opção mais acessível para levar para casa o utilitário japonês. A picape encareceu muito nos últimos anos, muito em função da desvalorização do real que tornou sua importação mais cara. No entanto, faz-se necessário uma pesquisa para saber se a economia de R$ 21 mil na opção da flex pela versão diesel mais acessível compensa o consumo mais elevado com etanol. A diferença do preço do litro gira em torno dos R$ 0,30, sendo que o consumo é quase o dobro. Talvez, a Hilux flex seja uma boa pedida se você não tiver que fazer dela seu carro de uso diário.

Hilux SRV Flex
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Ficha técnica Hilux SRV Flex

MOTOR
Dianteiro, longitudinal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, 2.694 cm³ de cilindrada, flex, que desenvolve potências máximas de 159 cv (gasolina) e 163 cv (etanol) a 3.400 rpm e torque máximo de 25 kgfm (g/e) a 4.000 rpm

TRANSMISSÃO
Tração 4×2, 4×4 e reduzida; e câmbio automático de seis marchas

Hilux SRV Flex
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS
Dianteira, independente, com braços duplos triangulares e barra estabilizadora; e traseira com eixo rígido e molas semielípticas de duplo estágio / 18 polegadas (liga leve) / 265/60 R18

DIREÇÃO
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica

FREIOS
A discos ventilados na frente e tambores na traseira, com ABS e EBD

Hilux SRV Flex
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

CAPACIDADES
Tanque, 80 litros; capacidade de carga (passageiro e carga), 815 kg

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