Conjunto mecânico formado por motor 2.0 TSI, câmbio automatizado de dupla embreagem e seis marchas e suspensões independentes nos dois eixos proporciona alto desempenho ao modelo 

teste_vw_jetta_2.0_higline_29Alexandre Soares
Especial para o Autos Segredos

Haters gonna hate, mas eu adoro testar qualquer veículo equipado com o motor 2.0 TSI do Grupo Volkswagen. Aqui para o Autos Segredos, já avaliei o Fusca e o Tiguan, e, para o jornal onde trabalho, o Golf GTI e o Audi TT; todos proporcionam muito prazer ao dirigir. Ironicamente, eu ainda não havia dirigido o Jetta equipado com esse propulsor. Agora, enfim, matei minha curiosidade, em uma unidade 2016, ano-modelo que trouxe um discreto face-lift, que alterou grade, parachoques, faróis e lanternas. E, em termos de dirigibilidade, ele atendeu às expectativas: por baixo do design discreto da carroceria sedã, há um  automóvel de alta performance.

teste_vw_jetta_2.0_higline_20Voltando ao motor 2.0 TSI, não é difícil entender porque ele agrada: basta analisar os números de potência e torque. No Jetta, ele desenvolve 211 cv a 5.500 rpm e 28,6 kgfm a 2.000 rpm (sempre com gasolina, pois não há sistema flex). Mesmo considerando que o sedã da Volkswagen tem 1.378 kg, e, portanto, está longe de ser leve, os números sobram para ele: a relação peso potência é de 6,53 kg/cv, e a peso torque, de 48,18 kg/kgfm.  Entre os recursos utilizados no propulsor para atingir esses valores, estão turbocompressor, intercooler e injeção direta de combustível, além de duplo comando de válvulas, variável na admissão, acionado por corrente. O bloco é confeccionado em ferro fundido, e o cabeçote, em alumínio. O câmbio automatizado da família DSG, com duas embreagens banhadas a óleo e seis marchas, também é conhecido.  Em termos de tecnologia embarcada, portanto, esse conjunto já não impressiona como antes, mas ainda é bastante atual.

teste_vw_jetta_2.0_higline_4Em movimento, o Jetta 2.0 TSI mostra seu poder de fogo em qualquer ação um pouco mais brusca do pé direito. Graças à boa distribuição do torque em ampla faixa de rotação, uma acelerada um ligeiramente mais forte (para mudar de faixa, por exemplo) já faz o sedã dar um pulo na frente dos outros veículos. Se o motorista continuar pisando fundo, sentirá as costas sendo pressionadas com força contra o encosto do banco e atingirá velocidades ilegais em alguns segundos. O sistema de freios, com discos nas quatro rodas e ABS, responde no mesmo nível da performance do propulsor, imobilizando o veículo em espaços bem curtos. Porém, em deslocamentos cotidianos, no conturbado trânsito urbano, nem mesmo toda essa eficiência é capaz de assegurar total segurança. Por isso, nessas situações, o ideal é manter o pé leve e curtir a suavidade de funcionamento do motor e de operação do câmbio automatizado: durante toda a avaliação, não notei trancos nem nas  trocas ascendentes nem nas descendentes. Nem parece aquela transmissão que reduz até duas marchas durante um kick-down, otimizando ainda mais as retomadas.

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Compromisso 

A capacidade de oferecer ótimo desempenho sem comprometer o conforto parece ser, realmente, o maior barato do Jetta Highline. A direção, que tem assistência elétrica, atua do mesmo modo: é muito leve em manobras, mas firme em alta velocidade, graças à sua grande progressividade. Até a calibragem da suspensão consegue entregar bom compromisso, na medida do possível. Ela é mais dura que a dos demais sedãs médios – quem está acostumado com um Corolla ou um Fluence, por exemplo, certamente irá estranhar -, mas ainda consegue ser mais suave que a de outros veículos de alto desempenho , como o Civic SI e até mesmo o primo Golf GTI. A contra-partida é uma estabilidade muito acima da média: em situações passíveis de se explorar um pouco mais o comportamento esportivo do modelo, como em uma estrada desimpedida, dá gosto entrar nas curvas, nas quais ele se mantém equilibrado e sob controle. A tendência ao subesterço demora a aparecer, e não é imediatamente interrompida pelos controles eletrônicos. Muito divertido! O sistema, vale destacar, é independente nas quatro rodas, formado por conjuntos do tipo McPherson na dianteira e multilink na traseira.

Se em desempenho o Jetta Highline se destaca, em consumo ele obtém resultados apenas razoáveis. Nas aferições realizadas durante a avaliação, o sedã cravou médias de 8 km/l na cidade e de 10,5 km/l em estradas, sempre com gasolina (que, relembrando, é o único combustível que o veículo aceita). Como o tanque tem 55 l de capacidade, a autonomia é de 577 km. Fica a ressalva de que uma série de fatores, como, como relevo, estilo de condução do motorista, características das vias e condições do tráfego influem no gasto de combustível de qualquer automóvel, gerando variações em diferentes contextos.

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Habitabilidade

No habitáculo do Jetta, o motorista encontra condições ergonomicamente perfeitas para trabalhar. O volante, regulável em altura e em profundidade, tem ótima pegada, os instrumentos com grafia simples e objetiva têm leitura fácil ( termômetro de água, que aos poucos vai sendo abolido de vários segmentos, está presente) e o banco, que tem ajuste de altura e de apoio lombar,  acomoda muito bem as pernas e a coluna, além de ter abas laterais generosas, que seguram o corpo com competência em curvas. Todos os comandos, no painel, nas portas e no console, têm fácil acesso.  A visibilidade também agrada, graças à ampla área envidraçada e aos retrovisores bem-dimensionados.

Porém, nem tudo é alegria a bordo do Jetta. O ponto fraco é o acabamento, que, se por um lado, não chega a ser ruim, por outro mostra-se nitidamente inferior ao de outros sedãs da categoria. As forrações das portas, embora bem-montadas, são quase inteiramente confeccionadas em plástico rígido: só há acolchoamento no encosto de braço. Já na tampa do porta-malas, falta revestimento interno. São detalhes, mas eles destoam dentro da categoria. Por outro lado, não há nada a reclamar do painel: embora algumas pessoas critiquem o design monótono desse componente, o fato é que ele utiliza materiais de boa qualidade e é quase todo emborrachado, além de ter ótimos encaixes.

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Ao menos nenhum ocupante irá se queixar de espaço, pois o Jetta tem um interior bem amplo. Quatro pessoas de estatura elevada se acomodam com bastante folga, e mesmo com cinco a bordo não há grandes desconfortos. Vale destacar que todos contam com a proteção de cintos de segurança de três pontos e de encostos de cabeça. O porta-malas, com 510 litros, também está entre os maiores da categoria, e seu formato com poucas reentrâncias permite ótimo aproveitamento do volume total, embora as dobradiças, que não são do tipo pantográfico, roubem alguns litros do compartimento. E, no habitáculo, há muitos nichos para pequenos objetos.

Além dos R$ 100 mil

O Jetta Highline tem preço sugerido de R$ 106.690. A lista de equipamentos inclui ar-condicionado digital com duas zonas de temperatura, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, rodas de liga leve de 17 polegadas, sistema multimídia com rádio CD-Player, tela sensível ao toque de 6,3 polegadas, bluetooth, SD-Card,  App-Connect e oito alto-falantes, bancos revestidos em couro sintético, assistente de partida em rampa, bloqueio eletrônico do diferencial “EDS e XDS”, volante multifuncional revestido em couro, bancos revestidos em couro sintético, indicador de perda de pressão dos pneus, cruise-control, computador de bordo, alarme com sistema keyless e vidros, travas e retrovisores elétricos. Entre os equipamentos destinados à segurança, há seis airbags (frontais, laterais e do tipo cortina), ganchos Isofix para fixação de cadeirinhas e controles eletrônicos de tração e estabilidade. Todavia, o conteúdo de série para por aqui. Itens como retrovisor interno eletrocrômico, bancos aquecidos e revestidos em couro legítimo, retrovisores externos rebatíveis eletricamente e sensores de chuva e crepuscular são vendidos à parte, agrupados em um pacote denominado Exclusive, que custa R$ 5.018. Um pacote mais completo, batizado de Premium, que traz esses últimos itens citados e acrescenta ainda faróis de xênon dinâmicos, sistema de partida sem chave e navegador GPS é oferecido por R$ 11.195. O teto solar é um opcional livre, pelo qual são cobrados R$ 4.587.

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O grande destaque do Jetta Highline é, sem dúvida, seu comportamento dinâmico. Em desempenho e estabilidade, não há nenhum concorrente direto capaz de equiparar a ele, com exceção daqueles de marcas premium, que, todavia, são significativamente mais caros em versões com motorização equivalente. Sim, o modelo da Volkswagen deixa a desejar em alguns pontos: deveria ter acabamento melhor e oferecer mais equipamentos de série, como aponta a avaliação. Todavia, para quem busca esportividade sem extrapolar muito a barreira dos R$ 100 mil, aliada ao espaço e ao conforto de um sedã médio, não há outra opção por preço equivalente.

AVALIAÇÃO Alexandre Marlos
Desempenho (acelerações e retomadas) 10 10
Consumo (cidade e estrada) 7 7
Estabilidade 9 8
Freios 9 9
Posição de dirigir/ergonomia 9 9
Espaço interno 9 10
Porta-malas (espaço, acessibilidade e versatilidade) 9 10
Acabamento 7 8
Itens de segurança (de série e opcionais) 8 8
Itens de conveniência (de série e opcionais) 7 8
Conjunto mecânico (acerto de motor, câmbio, suspensão e direção) 10 10
Relação custo/benefício 8 8

FICHA TÉCNICA

MOTOR
Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, com injeção direta, turbocompressor e intercooler, a gasolina, 1.984 cm³ de cilindrada, 211cv de potência máxima a 5.500 rpm, 28,6 kgfm de torque máximo a 2.000 rpm

TRANSMISSÃO
Tração dianteira, câmbio automatizado de dupla embreagem e seis marchas

ACELERAÇÃO  ATÉ 100 km/h (dado de fábrica)
7,2 segundos

VELOCIDADE MÁXIMA (dado de fábrica)
241 km/h

DIREÇÃO
Pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

FREIOS
Discos ventilados na dianteira e discos sólidos na traseira, com ABS e EBD

SUSPENSÃO
Dianteira, independente, McPherson, com barra estabilizadora; traseira, independente, multilink, com barra estabilizadora

RODAS E PNEUS
Rodas em liga de alumínio, 7×17 polegadas, pneus 205/45 R17

DIMENSÕES (metros)
Comprimento, 4,644; largura, 1,778; altura, 1,473; distância entre-eixos, 2,651; peso: 1.378 quilos

CAPACIDADES
Tanque de combustível: 55 litros; porta malas: 510 litros; carga útil (passageiros e bagagem): 562 quilos

teste_vw_jetta_2.0_higline_14Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos