Renault Sandero Stepway passa a ter motor 1.6 16V de bom desempenho e menor consumo. Câmbio e direção têm alterações. Sistema Stop&Start ajuda a beber menos

Por Paulo Eduardo

A onda dos carros aventureiros urbanos foi inaugurado pela Fiat e virou febre pelo mundo afora. Modelos com suspensão elevada fazem sucesso nos centros urbanos. A suspensão elevada possibilita trafegar com mais desenvoltura por caminhos ruins até na cidade, onde as imperfeições do solo fazem das ruas laboratórios gratuitos de testes para fabricantes de automóveis. Carro alto não esbarra a parte inferior do chassi ou monobloco em tampas de bueiros elevadas, saídas de garagem, além de transpor caminhos de terra acidentados com menos dificuldade.

A novidade principal da versão aventureira do Sandero é o motor 1.6 16V, de origem Nissan. Aliás, há muito a Renault deveria ter adotado esse motor em detrimento do anterior de oito válvulas, que tem desempenho pífio com gasolina. Com etanol, melhora. O motor batizado de 1.6 Sce dá outra dinâmica ao carro. A 100 km/h em quinta marcha basta pisar levemente no acelerador para se obter resposta imediata, o carro levanta um pouco a frente e a velocidade cresce. As retomadas são feitas em menor espaço de tempo, aumentando a segurança nas ultrapassagens. O motor usa corrente em vez de correia dentada, dispensando a manutenção periódica. Entretanto, persiste o tanquinho de partida a frio. Em carros Nissan, esse motor dispensa tanquinho e usa sistema de pré-aquecimento do combustível.

Direção

Outro item revisto é a assistência da direção, que é eletro-hidráulica. Ou seja, não tira potência do motor nem tem a leveza do sistema totalmente elétrico nas manobras, pois exige força. Além disso, é pouco sensível em alta na estrada. Melhorou em relação ao sistema totalmente hidráulico. Porém, o sistema totalmente elétrico é superior em todos os sentidos.

O sistema Stop&Start, que desliga o motor quando o carro para, contribui para menor consumo e redução das emissões de poluentes. E pode ser desligado por meio de tecla no painel. O sistema religa o motor em duas situações: ao acionar a embreagem ou quando o carro está na descida ao atingir 6 km/h mesmo sem pisar na embreagem. Fizemos a simulação para testar a segurança. O motor religa nessa situação para que o sistema de freio não fique sem o vácuo, que exige menos pressão no pedal.

Consumo

Os dados de consumo obtidos pelo Inmetro, órgão do governo responsável pela aferição de consumo em todos os carros vendidos no país, revelam curiosidade. O Stepway tem valores de consumo cidade/estrada bem próximos (ficha técnica).

Dirigindo

O rodar do Stepway sempre causa estranheza no início pela grande altura em relação ao solo. O carro galeia um pouco, sem assustar. Acostuma-se logo. Isso significa que, apesar da excelente calibragem da suspensão obtida pela Renault, a versão aventureira exige mais cuidado em curva. A inclinação da carroceria é maior em relação às versões mais próximas do chão. Deve ser conduzido com mais prudência e sem estripulias, principalmente nas curvas.

Câmbio

Mudou também o sistema de engates do câmbio, que agora é por cabo em vez de vareta. Melhorou um pouco, mas o curso da alavanca continua longo. Os engates não são macios nem leves, mas secos e justos. Precisa evoluir. Engate da ré exige acionar totalmente a embreagem e fazer o curso certo da alavanca para não arranhar a marcha sem sincronizador.

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Os freios funcionam bem e param o carro em espaço suficiente. A visibilidade ruim é a de ¾ traseira em função da coluna C larga. Retrovisores são bem dimensionados. Pelo preço do carro, a coluna de direção poderia ter regulagem em distância. Há apenas a de altura. A posição de dirigir é alta no estilo aventureiro. Faróis iluminam bem no alto e baixo. A maioria dos comandos (vidros, faróis, limpadores, retrovisores e multimídia) está bem posicionada.

Espaço interno

O Sandero não é por acaso um dos carros mais vendidos do país. O espaço interno, principalmente no banco traseiro, e a capacidade do porta-malas são excelentes para um hatch médio. Falta apenas cinto de segurança de três pontos no assento central traseiro. O abdominal não cumpre tanto a função quanto o outro. O apoio de cabeça central está lá. Apesar de a proposta aventureira ser bem mais urbana, a Renault poderia disponibilizar pneus de uso misto para quem roda na terra. O pneu de perfil 55 é baixo, apesar de ter boa altura de borracha. Se o perfil fosse mais alto, o conforto seria melhor e também menor seria a transferência das imperfeições para o habitáculo.

Enfim, apesar de bem equipada, a versão Stepway é vendida na faixa de 60 mil reais. Fica a pergunta: existe carro barato no Brasil? Há poucos modelos zero quilômetro abaixo de 40 mil reais. O que não é pouco para salário-mínimo inferior a 950 reais.

Ficha técnica

Motor
De quatro cilindros em linha, 1.6, flex, de 118cv (álcool) de potência máxima a 5.500rpm e 115cv (gasolina) a 5.500rpm e torques máximos de 16kgfm (a/g) a 4.000rpm

Transmissão
Tração dianteira e câmbio manual de cinco marchas

Direção
Tipo pinhão e cremalheira com assistência eletro-hidráulica

Freios
Disco ventilado na dianteira e tambor na traseira

Suspensão
Dianteira, independente, do tipo McPherson; traseira, eixo de torção

Rodas/pneus
6×16”de liga leve /205/55R16

Peso (kg)
1.102

Carga útil (passageiros+ bagagem)
458 kg

Dimensões (metro)
Comprimento, 4,06; largura, 1,72; altura, 1,55; distância entre-eixos, 2,59

Porta-malas
320 litros

Desempenho
Velocidade máxima, 177 km/h (a) / 174 km/h (g); aceleração até 100km/h, 10,1 segundos (álcool) e 10,6 segundos (gasolina)

Consumo (km/l)
Urbano, 8,3 (a) e 12 (g); estrada, 8,5 (a) e 12,1 (g)

Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos