Com retoques visuais e novo quadro de instrumentos Renault quer tentar atrair olhares para o Fluence. Conforto é ponto positivo do modelo

teste_novo_renault_fluence_15A Renault chegou a experimentar por um mês o que é ser o centro das atenções entre os sedãs médios. Foi em março de 2006, quando lançou a segunda geração do Mégane. Era bonito, moderno… Até abril, quando a Honda lançou o New Civic e envelheceu o segmento em cinco anos. O Renault Fluence substituiu o Mégane em 2010 e mesmo agora, após reestilização, continua em busca do seu lugar ao sol.

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É uma tarefa difícil para quem não está disposto a sair da sombra. Na linha 2015, o Fluence tem novos grade e faróis, que passam a acompanhar o novo padrão mundial da marca — já visto em Clio, Logan e Sandero. E ainda há belas luzes diurnas com leds, também usados nas novas lanternas traseiras. E só. Não fosse pelas rodas de liga leve aro 17” da versão Privilège, eu poderia dizer até que o visual do Toyota Corolla empolga mais. Que fase…

Lá dentro, tudo continua muito discreto. Há mudanças,  como o quadro de instrumentos agora é digital, de ótima leitura, aproveitado da versão GT – que deve ressurgir este ano. Ainda substituíram a central multimídia complicada, que dependia de controle remoto para várias funções, pela nova R-Link, com tela maior, de sete polegadas, sensível ao toque e que tem até comando de voz. É tão chique que o GPS é da TomTom – que até alerta sobre radar –, e o som é da Arkamys e tem até câmera de ré.

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O ISOFIX, sistema de fixação de cadeirinhas infantis no banco traseiro, também é novidade. É a prova de que não é necessário mudar todo o projeto para ter algo tão prático e seguro.

Bancos em couro, abertura das portas por aproximação e teto solar elétrico são outras conveniências, mas também estão disponíveis para a versão Dynamique Plus, intermediária. Exclusivos mesmo são os airbags de cortina, totalizando seis bolsas (as demais têm frontais e laterais), faróis de xênon, e controles de estabilidade (ESP) de tração (ASR). O preço de tudo isso? R$ 84.390.

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Em cima do salto

Sem qualquer alteração mecânica, o Fluence continua com o 2.0 16V Hi-Flex, com duplo comando de válvulas no cabeçote, que gera até 143cv a 6000rpm e 20,3kgfm de torque a 3750rpm. No Privilège a companhia é sempre o câmbio CVT X-Tronic que simula seis marchas, enquanto os outros franceses do segmento (Peugeot 408 e Citroën C4 Lounge) já exploram as benesses do downsizing com um 1.6 turbo.

Simular marchas é sempre bom para os CVT. Alegra as almas que já esperam por um passeio monótono, ainda que o 2.0 faça deste sedã de 1372kg um carro com desempenho apenas correto, longe de ser explosivo.

É que o Renault Fluence é daquele tipo de carro gostoso de dirigir. A suspensão é bem equilibrada entre conforto e handling, e ainda silenciosa. Contorna curvas bem, e com mínima inclinação da carroceria, mas roda suave. Transmitiria mais segurança se a direção com assistência elétrica ficasse um pouco mais firme em altas velocidades.

teste_novo_renault_fluence_3A proposta do Fluence chega a ser um pouco mais conservadora do que as de Chevrolet Cruze LTZ e Toyota Corolla XEi, que custam praticamente a mesma coisa e já têm “nome” no segmento – estamos falando do líder e do terceiro lugar do segmento. Só que fica difícil atrair olhares para si sem ter, pelo menos, o preço como chamariz.

O Renault Fluence é daquele tipo de carro gostoso de dirigir, tudo que um bom sedã médio dos anos 90 queria ser. Hoje, infelizmente, o segmento tenta viver da da suposta “esportividade”. Sedãs médios esportivos? O mercado brasileiro realmente muito peculiar…

AVALIAÇÃO Henrique Marlos
Desempenho(acelerações e retomadas)  7,5 8
Consumo(cidade e estrada)  7 7
Estabilidade  8 8
Freios  8 8
Posição de dirigir/ergonomia  9 8
Espaço interno  8 7
Porta-malas(espaço, acessibilidade e versatilidade)  8 7
Acabamento  7 8
Itens de segurança(de série)  9 9
Itens de conveniência(de série)  9 9
Conjunto mecânico (acerto de motor, câmbio, suspensão e direção)  8 8
Relação custo/benefício  7 8

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FICHA TÉCNICA
» MOTOR
Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 1.997cm³ de cilindrada, 16 válvulas, que desenvolve potências de 140cv (gasolina) e 143cv (etanol) a 6.000rpm e torques de 19,9kgfm (gasolina) e 20,3kgfm (etanol) a 3.750rpm

» TRANSMISSÃO
Tração dianteira, com câmbio continuamente variável (CVT) de seis velocidades simuladas

» SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS
Dianteira, independente do tipo McPherson, com braço inferior triangular e barra estabilizadora; e traseira com eixo soldado em H de deformação programada e barra estabilizadora/de liga leve de 17 polegadas/205/55 R17

» DIREÇÃO
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica variável

» FREIOS
A disco ventilado na dianteira e sólidos na traseira, com ABS e EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem)

» CAPACIDADES
Do tanque, 60 litros; e de carga útil (passageiros mais bagagem), 413 quilos

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Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos