vwfusca1978montagem3A vida de restaurador de carro não é nada fácil, pois estou sentindo na pele os problemas e desgotos com a reforma do Volkswagen Fusca 1978. No post passado, relatei que a pintura já estava pronta, faltando apenas o polimento. Daí pensei que, se com um mês está assim, o 78 sairá logo do estaleiro. Ledo engano: depois da pintura, ele ficou outro mês parado na oficina, sem que um peça sequer fosse colocada no lugar.

vwfusca1978montagem6Apesar de o responsável pela oficina ter garantido que entregaria o carro  montado com tudo no lugar, na prática foi diferente. “Ah, essa borracha de vidro com friso eu não coloco, muito trabalho. Esses frisos empenam”.  Como queremos tudo como no modelo original, não dava para deixar as borrachas sem os frisos cromados.

Parti então para achar um instalador especializado no assunto. Depois de alguns contatos, consegui uma mão de obra confiável para a montagem. Só para instalar os vidros o profissional pediu R$ 250 e por R$ 400 ele entregaria o carro todo montado com maçanetas de capô, tampa de motor, fechaduras no lugar. Como o serviço na oficina estava “agarrado”, liguei para o dono (irmão) do 78 para ele autorizar o serviço e assim tirar o carro da lanternagem o mais rápido possível.  

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CAPOTARIA Logo depois que os vidros estavam no lugar e a forração do teto e assoalho já estavam prontos, fiz contato com o capoteiro para colocação  dos bancos e forrações de portas.  Como havia relatado na #parte3, tinha comprado os revestimentos das portas prontos, mas o capoteiro fez minha cabeça para que as fizesse  com ele, pois ficariam melhores. Realmente, valeu a pena mandar confeccionar as forrações.

As forrações do tipo original são presas por presilhas e com pouco tempo de uso se soltam. Mas o capoteiro usa presilhas de plástico como nos carros atuais, na foto abaixo tem-se uma ideia melhor do serviço. As únicas alterações são novos buracos na porta para a fixação das presilhas extras, que deixaram os forros bem mais firmes. Como elas ficam embutidas, não há o problema de perder a “originalidade”. A única diferença dessas forrações para as vendidas hoje e para as originais são as famosas costuras eletrônicas. Como o capoteiro não tinha como fazê-las, sugeri a ele que arrematasse o revestimento com costuras duplas, para simular a eletrônica. O resultado final foi bem satisfatório como mostra a galeria de fotos. Aliás, se tem uma mão de obra que gostei muito até essa etapa do restauro, foi a do capoteiro.

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Mesmo assim, pagando os R$ 400 “por fora” para montagem do carro e com o capoteiro cumprindo os prazos a oficina, ainda demorou mais de uma semana para colocar estribo, debluns e para-choques no lugar. A entrega só aconteceu na tarde do dia 30 de abril e da lanternagem o 78 seguiu de reboque direto para o eletricista, mas isso será assunto para o próximo post.

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PEÇAS No último post já tinha escrito sobre os problemas com peças compradas pela internet para o Fusca. E as compradas no balcão também trouxeram dores de cabeça. Se cometi erros nessa restauração, posso afirmar que o maior deles foi ter comprado muitas peças antes mesmo de começarem os serviços de lanternagem. As peças “novas”  não tem o mesmo padrão de furações e fixações originais.

As fechaduras, por exemplo, serviram somente para a retirada de peças para recuperar as originais, que mesmo com mais de 30 anos de uso ainda são melhores que as paralelas de hoje em dia. O batente do capô, assim como a fechadura, não deram encaixes e tivemos que manter as originais no lugar. As maçanetas internas também não deram encaixes e as originais foram mantidas. Depois do carro pronto, irei aplicar algumas camadas de silicone para que fiquem pretas novamente. Já fiz isso no volante e o resultado ficou muito bom.

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Somente as maçanetas externas, limitadores de porta e a fechadura da tampa do motor é que foram trocadas pelas novas peças. Se tivesse esperado a montagem começar, teria economizado uma boa grana. Mas, pelo menos, serve de aprendizado, ainda mais porque o meu irmão quer que eu encare outra aventura…

No próximo post vou escrever sobre como foram os trabalhos na parte elétrica.

Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos