Produzido durante 20 anos o compacto da Ford trouxe inovações a conta gotas e esteve nos sonhos de muitos brasileiros especialmente as versões esportiva e conversível.

fordescortbPor Waldez Amorim
Especial para o Autos Segredos

Em Agosto de 2013 o Escort completou 30 anos de lançado. O modelo foi um dos primeiros modelos conhecido como “carro mundial” produzido no Brasil pela Ford. O primeiro Escort que chegou ao Brasil foi a terceira geração do carro lançado em 1968 na Europa.

fordescorteLogo na estreia o modelo trazia inovações que por muito tempo foi sinônimo de modernidade como motor transversal, tração dianteira e suspensão independente nas quatro rodas. Além disso, o carro possuía o melhor coeficiente aerodinâmico (Cx) da época, 0,385, um valor que demonstra a modernidade das linhas do compacto para a época, um dos motivos que faz o carro até hoje ser conhecido pela economia.

A primeira versão do Escort chegou ao Brasil nas versões de três e cinco portas nas versões Standart, L e GL, todos equipados com motor CHT, câmara de alta turbulência, que melhorava o desempenho e diminuía o consumo, uma evolução do motor utilizado pelo Corcel que até hoje é conhecido pela durabilidade.

O motor de 1,35 litro, também com fama de robusto entre os mecânicos, possuía a potência de 63,5 cavalos quando movido a álcool e 58,6 cavalos usando gasolina respectivamente.

Posteriormente ao lançamento, mais especificamente dois meses, foi apresentado o Escort Ghia, nome do tradicional estúdio italiano e utilizada pela Ford durante anos para os modelo top de linha. O modelo Ghia vinha equipado com motor de 1,6 litro com potência de 65,1 cavalos, câmbio cinco marchas e luxos como controles elétricos dos vidros dianteiros e trava das portas, além de relógio digital acima do espelho retrovisor, luzes de aviso para desgaste das pastilhas, baixo nível de óleo no motor e combustível. O teto solar era opcional nessa versão.

fordescortxr3No final de 1983 a Ford lançou o Escort XR3, sigla em inglês para terceira pesquisa experimental. O esportivo, no verdadeiro sentido da palavra, era equipado com motor 1,6 litro com modificações nas válvulas, comando e dutos de admissão, o que fazia a potência saltar para 82,9 cavalos, mais de 10% superior a maior potência até o momento para o modelo. Além de motor mais potente, era evidente a melhoria na estabilidade quando comparado às versões mais básicas do Escort.

fordescortxr3bEm abril de 1985 a Ford lançou o segundo conversível produzido no mercado brasileiro, o primeiro havia sido o Karmann-Ghia. A sedução do carro era evidente e não faltavam olhares para as ruas que o Escort passava. O nível de requinte era tal que a capota, na ainda de acionamento manual, era trazida da Alemanha e instalada na fábrica da Karmann-Ghia em São Bernardo do Campo (SP). Na época o porta malas foi diminuído para acomodar o teto removível. Como consequência o carro ganhou mais peso em relação às outras versões devido aos reforços estruturais por conta da falta de teto rígido.

O modelo da Ford durou no mercado como único conversível durante os próximos seis anos até a chegada do Kadett GSi no final de 1991.

fordescortxr3cEm agosto de 1986 chegou o Escort totalmente reestilizado com para-choques envolventes, de plástico, ausência de grade frontal e lanternas traseiras lisas, além de mudanças no interior e uma inovação para a época, o tanque com maior capacidade, de plástico, até então só havia peças de metal no mercado brasileiro.

fordescortxr3aA versão XR3 do modelo reestilizado perdia os faróis de neblina no para choques dianteiro mas mantinha os de milha na altura dos faróis principais. Apesar da evolução no desenho, das melhorias que trouxeram mais modernidade para todas as versões do hatch, o motor continuava a ser o ultrapassado para a época 1.6 CHT voltado mais para a economia do que para o desempenho.

Em 1989 a união entre a Ford e Volkswagen criou a Autolatina o que resultou na adoção do motor AP 1.800 para os Escort Ghia e XR3. Com isso, a potência saltava para 87 cavalos no Escort Ghia e 99 no Escort XR3 a álcool, que chegou até mesmo a usar a versão S do Gol GTS.

 No visual as mudanças eram poucas, apenas rodas, spoliers laterais, rodas, painel e pequenos detalhes. Mas, mesmo com o novo motor, o Escort não conseguia fazer frente a esportivos da época como o Gol GTi e Kadett GS ambos equipados com motor 2.0.  Em novembro daquele ano a Ford apresenta outro modelo, o Verona, derivado do Orion europeu, o que seria para o Brasil como um Escort sedan.

Para entrar na década de 90 a Ford adotou o acionamento elétrico da capota para o XR3 conversível e em janeiro a montadora norte americana lançou uma série especial denominada como XR3 Fórmula. O modelo de acabamento refinado era vendido nas cores azul metálico Denver e vermelho Munique e vinha equipado com amortecedores desenvolvidos pela Cofap no Brasil que variavam a carga entre firmes até 20 km/h, macios entre 20 km/h e 100 km/h e novamente firmes acima dos 100 km/h.

fordescortghia A segunda geração do Escort brasileiro chegou como linha 1993 e adotou os motores “AE”, alta economia a carroceria era mais curta, alta e larga e o entre eixos maior, o que aumentava o espaço interno e melhorou a estabilidade.

fordescortOs modelos receberam o design mais moderno e o interior possuía bancos Recaro e toca fitas FIC com equalizador. Além disso chegava a versão hobby. Primeiramente, no ano de 94, os Escort hobby vinham equipados com motor 1.6 para depois, em 1994, o Escort receber a motorização AE 1.0L de 50 cavalos e utilizava o design da versão anterior do modelo hatch.

Nas versões L, GL, Ghia, XR3 e XR3 conversível os motores utilizávamos motores “AE” 1.6L equipados com carburador. Mas, a versão XR3 começava a vir equipada com motor 2.0 L a gasolina, com injeção eletrônica de bico simples e potência de 115,5 cavalos. Em 1994 o Escort XR3 recebeu injeção com um bico injetor por cilindro e o motor passava a ter potência de 122,4 cavalos com injeção monoponto Ford FIC digital. O câmbio era um projeto da Volkswagen, importado da Argentina, o freio era a disco nas quatro rodas e a suspensão um dos pontos mais criticados da versão um dos motivos por causa de um problemas na fixação da barra estabilizadora que acabou gerando um recall na época.

fordescortxr3Em 1995 o Escort recebeu pequenas mudanças e em 1996 a produção do carro foi transferida para a Argentina, perdendo as versões Ghia XR3 e XR3 conversível, para o início da produção do Fiesta no Brasil. Nessa época, enfrentando concorrentes de peso como o Gol GTI 16V e Corsa GSI.

Contando com as versões GL e GLX, ambas equipadas com motor AP 1.8i, e a versão racer, essa equipada com moto 2.0i, uma tentativa da Ford de suprir a falta do XR3, mas sem bancos Recaro e bem mais simples.

No fim de 1996, já como linha 1997, chegava o Escort com motor Zetec 1.8 16V de 115 cavalos fabricado na Inglaterra e que encerrava o ciclo dos motores Volkswagen. Um motor que teve origem na fórmula 1 e que acabou resultando no primeiro título de Michael Schumacher em 1994.

fordescortrsCom aspecto mais moderno, o modelo presente na Europa desde 1995, trazia entre as novidades a presença da Escort Station Wagon, que foi eleita pelas revistas especializadas a melhor perua no momento, concorrendo com as peruas Corsa Wagon, Palio Weekend e Parati.

fordescortswaO modelo tinha as versões GL, GLX tanto para a carroceria Hatch quando para a Station Wagon. Em 1998 novamente a Ford adota lança a versão RS, importado da Argentina com carroceria de duas portas, opção incorporada também pelo restante da linha, menos para a perua. Mas o Escort Racer não conseguiu ter o mesmo sucesso do XR3 mesmo equipado com motor 2.0i e com desempenho interessante para o mercado brasileiro.

fordescortcO Escort permaneceu com a mesma carroceria até 2003 quando saiu de linha para dar origem ao Focus da primeira geração, e encerrar o ciclo de 20 anos em produção. Dessa forma, fechar um ciclo de modelos que permeou a imaginação dos brasileiros

Senna e Escort

São vários os vídeos e sites que comprovam a afinidade existente entre Ayrton Senna e a  Ford, em especial pelo Escort.


Fotos | Arquivo Pessoal