Até pouquíssimo tempo atrás, uma fábrica da Kia no Brasil estava totalmente fora de cogitação. Não por desinteresse da marca sul-coreana, e sim por uma questão judicial envolvendo a Asia Motors: nos anos de 1990, a extinta empresa anunciou a construção de uma planta na Bahia e, consequentemente, foi dispensada de pagar determinados impostos. Ocorre que as instalações nunca foram erguidas, o governo cobrou de volta os incentivos fiscais e a Receita Federal estipulou uma multa de R$ 500 milhões.

Porém, àquela altura, a Asia Motors passava por uma situação financeira difícil as operações foram assumidas pela Kia, que herdou a pendência judicial, calculada em nada menos que R$ 1 bilhão. O caso se arrastou por vários anos, até que em novembro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que a empresa não tinha responsabilidade sobre o assunto, dispensando-a de pagar a dívida. Sem o impasse, não há empecilhos para a construção de uma fábrica no país.

José Luiz Gandini, presidente local da empresa, chegou a falar sobre tal possibilidade ontem, em uma entrevista ao portal Brasil Econômico. O executivo disse que há volume de vendas para uma planta local e deixou claro que o único empecilho era a antiga questão judicial.

Uma fábrica instalada em solo nacional parece ser uma questão vital para o setor automobilístico daqui para frente, pois as novas alíquotas de IPI tornaram os automóveis importados menos competitivos. O próprio Gandini previu queda na participação dos carros estrangeiros em 2012 (veja aqui).

Por enquanto, ainda não há quaisquer definições quanto ao local de construção da fábrica ou aos modelos que seriam nacionalizados. O que está mais claro é o interesse da Kia em negociar com o governo enquanto a planta não se concretiza. Ao contrário do que aconteceu com a Asia, espera-se que agora  o projeto saia do papel.

Fonte | Brasil Econômico
Fotos | United Pictures e Asia Motors/Divulgação

Acompanhe também o Auto Segredos pelo Twitter