No último mês de abril, publiquei uma matéria contando a história de 10 automóveis que por pouco não chegaram ao mercado brasileiro (veja aqui). Casos assim podem ocorrer por vários motivos, mas em geral ligados a custos, pois os fabricantes visam o retorno financeiro de seus investimentos e costumam recuar diante da menor possibilidade de prejuízo. Como houve grande repercussão na época da veiculação do primeiro post, achei interessante relacionar outra dezena de veículos que quase fizeram parte do mercado local. Procurei relacionar aqueles que chegaram mais perto da comercialização, em diferentes décadas. Depois de algumas pesquisas, segue a listagem:

Chevrolet Corsa (1ª geração) O primeiro Corsa produzido no Brasil era, na verdade, a segunda geração europeia. Na década de 1980, revistas especializadas chegaram a flagrar algumas unidades da fornada pioneira do compacto circulando em testes em solo nacional (nas fotos 1 e 2, a versão original da subsidiária Opel). O lançamento, contudo, nunca aconteceu. O mercado local só conheceria o modelo totalmente reprojetado, em 1994.

Chevrolet D20 4×4 A D20 com tração integral chegou, de certo modo, a ganhar as ruas, há cerca de 20 anos. A engenharia da Chevrolet já havia produziu e vendeu um pequeno lote e houve até um evento de apresentação à imprensa, em meio a um terreno com muita lama e barro, antes do lançamento oficial. Foi justamente durante o test-drive dos jornalistas que os problemas começaram: os veículos pifaram devido a uma falha de projeto na transmissão. Em vez de aperfeiçoar o sistema, o fabricante optou por abandoná-lo e a picape continuou apenas com tração 4×2 (foto).

Fiat Punto (1ª geração) O Punto substituiu o Uno na Europa. A Fiat cogitou fazer o mesmo por aqui, mas acabou concebendo um modelo inédito: o Palio. Algumas unidades do hatch italiano, que foram importadas pela filial de Betim, MG, serviram para desenvolver o projeto. Mais de uma década depois, a versão premium do compacto, conhecida no velho continente como Grand Punto, ganhou cidadania brasileira, mas sem o prenome.

Fiat-Tata Xenon/Safari Já faz algum tempo que a Fiat planeja ter uma picape média e um SUV no Brasil. No início da última década, a marca procurou materializar seus planos por meio de uma parceria com a indiana Tata. Os modelos Xenon e Safari (visto dentro da fábrica de Betim na foto tirada pelo Marlos em 2006, antes da criação do Autos Segredos) serviriam de base para a marca italiana, mas os projetos originais ganhariam alterações de estilo e motores 2.3 de origem Iveco, que equipam a van Ducato. Consta que as duas marcas não chegaram a um consenso e a ideia foi abortada.

Ford Belina I quatro portas Nos dias atuais, a ideia de uma perua ter apenas duas portas é inconcebível no Brasil. Contudo, 40 anos atrás, o mercado rejeitava radicalmente veículos com quatro portas. Em 1969, a Ford planejava lançar a Belina com as duas opções de carroceria, mas diante do estranho gosto dos consumidores da época, acabou engavetando o projeto com melhor acesso aos passageiros do banco de trás.

Ford “Jampa” Quando a Ford comprou a Willys Overland do Brasil, em 1967, optou por continuar produzindo o Jeep, que havia adquirido ótima fama e público cativo. Sob nova direção, o modelo seguiu em linha até 1983, até que suas rugas ficaram evidentes demais e as vendas caíram. A marca do oval-azul chegou a iniciar o desenvolvimento um substituto, que compartilharia a plataforma e vários outros componentes com a Pampa 4×4. O parentesco com a picape compacta fez com que a imprensa chamasse o projeto de “Jampa”, embora os protótipos ainda exibissem o nome Jeep. O modelo, contudo, acabou não ganhando sinal verde para ser fabricado em série.

Volkswagen BY O BY protagonizou uma verdadeira novela: começou a ser concebido no começo dos anos de 1980 e, ao fim da mesma década, a Volkswagen ainda cogitava lança-lo. A ideia do fabricante era ter um veículo menor e mais barato que o Gol (BX), montado sobre a mesma plataforma, que receberia um encurtamento na distância entre-eixos. O projeto alongou-se por tanto tempo que diversos motores foram pensados para equipá-lo. Primeiramente, a mecânica seria composta pelos propulsores boxer refrigerados a ar, de 1.300 e 1.600 cm³, depois a tarefa caberia ao bloco AP, em uma inédita versão de 1.300 cm³, e por fim, já na época da Autolatina, deveria pulsar sob o capô do hatch o AE de origem Ford, com cilindradas de 1.300 e 1.600 cm³ A história finalmente terminou com o cancelamento do modelo.

Volkswagen Voyage G2 Quando a linha Gol G2 (foto), conhecida pelos consumidores como “bolinha”, estava em fase de projeto, consta que a intenção da Volkswagen era manter o Voyage no mercado. Entretanto, nos anos de 1990, os sedãs compactos não tinham tanta participação nas vendas como hoje em dia e a marca achou mais vantajoso trazer o Polo Classic da Argentina. O veículo feito pelos hermanos tinha até concepção mais atual, com motor transversal e melhor ergonomia, mas acabou não fazendo sucesso no país.

Renault Logan Picape A versão cargueira da linha Logan é comercializada em outros países, sob a chancela da Dacia. A Renualt cogitou produzi-la por aqui, conforme o Autos Segredos apurou em 2009 (veja aqui). Contudo, a dificuldade de obter êxito no mercado de picapes leves, amplamente dominado pela Fiat Strada, além do estilo que não teria agradado ao público brasileiro, puseram fim aos planos da marca.

Peugeot 308 Break A 308 Break chegou a ser flagrada pelo Autos Segredos, dentro de um pátio da fábrica de Porto Real, RJ, em julho de 2010 (veja aqui). O modelo substituiu a 307 SW na Europa e, assim como a antecessora, seria importada para a América do Sul. Contudo, a perua acabou sendo abortada, devido aos impostos mais altos para veículos produzidos fora do eixo Mercosul-México e ao encolhimento do segmento de peruas nos últimos anos.

Fotos | GM/Divulgação, Fiat/Divulgação, Marlos Ney Vidal/arquivo pessoal, Quatro Rodas/reprodução, Volkswagen/Divulgação, Dacia/Divulgação, Gladyston Rodrigues/Especial para o Autos Segredos

Fontes | Autos Segredos, revista Quatro Rodas, carroantigo.com

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