Por Marcus Celestino

O publisher do Autos Segredos, e meu grande amigo, o Marlos Ney Vidal, é um cinéfilo de carteirinha. Quando ele me pediu sugestões para elaborar listas para esta data tão especial para o site não pensei duas vezes: tinha de fazer uma com a seleção de 10 filmes que marcaram os últimos 10 anos — todos, claro, com muita graxa cheiro de borracha queimada. Apesar de ter me atido ao conceito da dezena a fim de remeter ao aniversário do AS, sei que muitas outras películas de 2009 para cá marcaram a memória dos petrolheads. Se a que te marcou não está na lista, deixe nos comentários o nome da obra e o que você achou dela! Sem mais delongas, segue abaixo o top 10 em ordem de lançamento oficial nos cinemas ou nas plataformas de streaming.

Senna: O Brasileiro, O Herói, O Campeão (2010)

O documentário ganhador do BAFTA conta a trajetória do tricampeão mundial e foca em sua rivalidade com o francês Alain Prost. Com uso de algumas imagens inéditas, o filme também aborda questões sobre a segurança e a integridade dos pilotos de F1 da época. Dirigido pelo londrino Asif Kapadia, também responsável pelo documentário sobre a cantora Amy Winehouse, é uma obra indispensável para os fãs de uma das maiores lendas do automobilismo mundial.

Velozes e Furiosos 5: Operação Rio (2011)

Achou que não citaríamos nenhum filme da franquia Velozes e Furiosos? Achou errado. Nesta película, uma das melhores da série, Toretto, Brian, Mia e companhia planejam um roubo de 100 milhões de dólares do corrupto Hernan Reyes. Este é o primeiro filme da saga que “abandona” o conceito de corridas de rua para ampliar o escopo, o público-alvo. Operação Rio também marca a estreia de Dwayne Johnson na franquia como o agente Luke Hobbs. Por causa das mudanças, das sequências de ação que desafiam as leis da gravidade e das cenas de tirar o fôlego, muitos consideram este o ponto de virada da franquia, que se encontrava numa sinuca de bico após o quarto filme.

Rubber: O Pneu Assassino (2011)

A premissa é igualmente bizarra e brilhante: Robert, um ser inanimado abandonado no deserto da Califórnia, ganha vida. Quer mais? Robert, um pneu, descobre que também é dotado de poderes telepáticos. Cômico, violento e recheado de crítica social, o filme entretém do início ao fim. Além disso, conta com um assassino em série mais bizarro que Michael Myers, Jason Voorhees e Jigsaw juntos. Uma dica: não leve Rubber a sério. Divirta-se com essa comédia de horror sobre este pneu nada inofensivo.

Drive (2011)

O Chevelle Malibu 1973 é, sem dúvidas, a grande estrela de Drive, filme que alavancou a carreira do diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn. Ryan Gosling interpreta um dublê e mecânico que trabalha como piloto de fuga nas horas vagas. Como “O Motorista”, Gosling entrega uma interpretação quase cômica dada a inexpressividade do personagem. Ele está brilhante. Winding Refn, por sua vez, tira vários coelhos da cartola: Drive evoca em dados momentos a violência estilizada eternizada na obra de Quentin Tarantino, mas sem abrir mão de criar certa atmosfera de antecipação da violência que está por vir. Além disso, a fotografia remete a clássicos das décadas de 1970 e 1980, grande trunfo do dinamarquês. Drive não chega a ser uma obra de arte, mas é um filme que tem tudo para, caso você ainda não tenha assistido, te marcar.

Locke (2013)

Este talvez seja uns dos filmes mais desconhecidos desta lista, mas não menos intrigante. O protagonista (magistralmente interpretado por Tom Hardy) entra em seu carro para viajar até a cidade onde está sua amante, que se encontra em trabalho de parto. Durante a jornada, ele tem de lidar com mais de três dezenas de ligações, a maioria de sua família questionando o motivo de ele não estar com seu filho num importante jogo de futebol. A tensão começa a ser criada não a partir do veículo, mas sim dos telefonemas e dos dilemas enfrentados pelo protagonista. Em dado momento, porém, o automóvel se torna uma extensão de seu corpo, de seus anseios e desesperos. A cada minuto que passa, o homem se sente cada vez mais prisioneiro do veículo. Você já se sentiu assim? Não deve ser bom. Mesmo. Mas o filme é um estudo de personagem certeiro e imperdível.

Rush: No Limite da Emoção (2013)

A temporada de 1976 da Fórmula 1 merecia um filme do calibre de Rush há muito tempo. Dirigida por Ron Howard, a película tem como foco principal a relação de rivalidade e respeito entre os campeões mundiais Niki Lauda e James Hunt. A atenção aos detalhes nesta cinebiografia impressiona. Evidente que alguns eventos são exagerados (Hunt e Lauda, apesar de rivais, eram bons amigos na vida real), mas o filme foi elogiado por muita gente que entende do riscado. A própria lenda Niki Lauda adorou o resultado final da obra, que, disse ele, “surpreendeu positivamente”. Este é um título excepcional, tanto para os aficionados pelo esporte quanto para os que não dão muita bola para o circo.

John Wick: De Volta ao Jogo (2014)

O que você faria se matassem o seu cachorro e roubassem o seu Boss 429 Mustang 1969? Eu não sei, mas creio que todos sabem o que John Wick estava disposto a fazer: voltar à carreira de assassino profissional. O carro é fantástico, a premissa é fantástica e o filme ainda conta com uma interpretação de Keanu Reeves como não víamos há muito tempo. Reeves abraça suas deficiências como ator e as usa a favor do personagem, transformando o anti-herói num ícone instantâneo, assim como fez com Neo na trilogia Matrix. O Mustang já é uma figura carimbada em filmes. Ficaríamos até amanhã lembrando de ‘Tangs famosos nas telonas. Mas, esse Boss 429 é uma belezura, e serve de estopim para um dos melhores filmes de ação dos últimos anos.

Mad Max: Estrada da Fúria (2015)

O clássico instantâneo de George Miller segue as novas desventuras do ex-policial Max Rockatansky, interpretado neste filme por Tom Hardy. Max continua tentando sobreviver a um mundo pós-apocalíptico no qual há escassez de água e onde seus habitantes travam duelos até a morte por gasolina. Mais de 150 veículos foram desenvolvidos especificamente para a obra, a maioria hot rods e muscle cars em estados deploráveis. O Interceptor, tradicional veículo de Max nos filmes estrelados por Mel Gibson, marca presença, porém com nova roupagem. A carroceria, no entanto, ainda é a do Ford Falcon cupê XB do original. O veículo do vilão Immortan Joe foi construído com uso de componentes de dois Cadillacs Deville 1959 montados sobre rodas com dois metros de raio. Outro veículo icônico de Estrada da Fúria é o Doof Wagon. Ele tem caixas de som gigantescas e, enquanto a caravana de Immortan Joe persegue Max e Furiosa (Charlize Theron), um guitarrista anuncia a chegada da tropa com seu instrumento de dois braços que lança labaredas de fogo. Uma beleza.

Gonchi (2015)

Gonzalo Rodríguez sonhava em ser um piloto de Fórmula 1. Promissor, teve ótimo desempenho nas categorias inferiores e ganhou notoriedade na Fórmula 3000, chamando a atenção de uma das mais tradicionais equipes da Indy. Pela Penske, o talentoso uruguaio conquistou apenas um único ponto — no GP de Detroit. Sua carreira foi abreviada na etapa seguinte da competição, em Laguna Seca, por conta de um trágico acidente. O documentário traz relatos emocionantes sobre a meteórica carreira do arrojado Gonchi, que morreu aos 28 anos e é considerado o maior piloto da história do automobilismo uruguaio.

Em ritmo de fuga (2017)

Este talvez seja o melhor filme de Edgar Wright, um cara que dirigiu projetos como Todo mundo quase morto, Hot fuzz e Scott Pilgrim contra o mundo e, embora tenha deixado o comando da produção antes do lançamento, o primeiro filme do Homem-Formiga. A película conta a história de Baby, um jovem ladrão de carros que acaba se tornando um exímio piloto de fugas. Quando se apaixona por uma jovem garçonete, Debora, Baby resolve fazer um último serviço antes de deixar o crime. As cenas envolvendo o Subaru WRX guiado por Baby talvez estejam entre as melhores e mais bem editadas cenas de pilotagem da história do cinema. Destaque também para a trilha sonora que embala boa parte da película.