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Henrique Rodriguez (*)
(Porto Alegre/RS)

Se você vê o Volkswagen up! como um carro de brinquedo, que seja então um bom brinquedo, daqueles eternizados na memória por boas lembranças. Durante todo o test-drive de cerca de 140 km entre Gramado e Porto Alegre o novo subcompacto da Volks transmitiu boas impressões e se mostrou apto a alcançar os objetivos traçados pela fabricante. Ele não está aqui para brincadeira.IMG_1665

Pra quem tinha o Gol G4 e seu projeto com partes aproveitadas do Santana como carro de entrada, o up! consegue tirar o atraso de 20 anos, contados desde o lançamento do Gol “Bolinha”. Por baixo destas linhas simples e bem definidas há uma plataforma modular pensada exclusivamente para automóveis pequenos, motor da família mais moderna da Volks e ainda uma arquitetura eletrônica gerenciada por um único módulo. A grande diferença do up! diante de seus atuais concorrentes é que ele não foi pensado para ser exatamente barato.

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Isso se percebe ainda com o carro parado. Os plásticos que compõem o acabamento do interior são duros, como é de se esperar. Mas realmente são duros, resistentes mesmo, do tipo que não se curva ao ser apertado. Não se nota qualquer rebarba – até porquê a maioria dos elementos são sobrepostos – e o único encaixe ruim que notei foi entre a borracha do topo do vidro e o plástico que faz o acabamento por trás dos retrovisores externos. Sim, há lataria aparente nas portas, mas a Volkswagen foi sagaz e usou isso como vantagem nas versões mais caras, que tem a parte central do painel na cor do carro.

A primeira vista não se vê as saídas de ar centrais, mas ela é unica e está logo acima dos comandos do ar-condicionado. Sem regulagem, está sempre aberta e apontada para o teto. JAC J2, Fiat Grand Siena e Toyota RAV4 possuem algo parecido, e a Volks acrescenta que desta forma o sistema pelo menos 10% mais eficiente que os dos concorrentes. A explicação pode vir da física, afinal o ar quente é menos denso e sobe, enquanto o ar frio, mais denso, desce. Como esta saída de ar está apontada para o teto, resfria-se o ar quente e, de quebra, o ar chega mais fresco ao banco traseiro.

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Mas nota-se simplicidade. Apesar de bastante confortáveis, os bancos dianteiros tem encosto de cabeça fixo, os cintos de segurança também não tem regulagem em altura e nem por encomenda você conseguirá volante multifuncional ou vidros elétricos traseiros e one touch nos dianteiros. Se bem que temos que comemorar pelo simples fato de poder descer os vidros de trás de forma manual, pois na Europa eles são basculantes.

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O espaço para quem está na frente é bom, e como o painel e o banco tem por característica uma posição um pouco mais alta que o normal, pessoas maiores podem não sentir a necessidade de correr o banco todo para trás, melhorando o espaço para quem vai atrás. No assento traseiro cabem duas pessoas com conforto, mas o bom senso diz que não é bom andar com três pessoas sobre ele. O único problema é na hora de sair, pois é preciso puxar os pés para que não sejam barrados pela coluna B.

Dou partida no motor e sinto aquela vibração diferente mas o ronco… Cadê? Quase não se ouve o motor, mesmo em rotações elevadas! Seu ruído só começa a invadir a cabine acima dos 5000 rpm, prova de que não economizaram no isolamento acústico – a Volkswagen garante que o barulho na cabine é, em média, 5 decibéis mais baixo que o de seus concorrentes.

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Este é aquele mesmo motor 1.0 12V de três cilindros estreado pelo Fox Bluemotion no ano passado. São 75 cavalos de potência na gasolina e 82 cv quando abastecido com etanol, e torque total de 95 Nm/102 Nm aos 3000 rpm. O câmbio é o manual de 5 marchas MQ200, também usado pelo Fox Bluemotion e pelos 1.6 da marca. Apesar dos números idênticos ao do Fox, inclusive nas relações de marcha e do peso mais baixo do up!, o subcompacto se mostrou pouco menos ágil. Poderia ainda estar “amarrado” devido a baixa quilometragem (cerca de 400 km), mas é fato que ele sofre com certa letargia nas arrancadas, exigindo pisada mais forte no acelerador, que por sua vez tem operação menos sensível – talvez para obrigar a economizar combustível. Outro detalhe é que o câmbio parece ter engates um pouco mais duro do que o percebido com os motores 1.6.

Por mais que o motor tenha elementos de baixo atrito, boa potência e boa curva de torque, o comportamento ainda é de um 1.0. Um bom 1.0. Depois de embalado o up! acorda. “Get up!” grita o acelerador em seu fim de curso, e o motor revela-se capaz de retomadas mais rápidas que as de alguns concorrentes, mas ainda não é capaz de passar segurança suficiente para encarar uma ultrapassagem rápida.

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O que realmente anima é o comportamento da suspensão. O up! é praticamente neutro em curvas, mesmo em alta velocidade – a inclinação da carroceria é mínima. Na cidade nota-se que o carro é firme como Gol e Polo, mas ainda assim filtra muito bem as imperfeições do piso. A direção com assistência elétrica progressiva é leve e firme quando precisa ser, e ainda tem respostas ágeis aos comandos.

Quem poderia ser melhor é o sistema de freios, cuja modulação exige um pouco mais de pressão no pedal.

E aí, vale a pena?

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Enquanto não houver versão 2p nas lojas – só chega em maio – os R$ 28.900 cobrados pela versão de entrada, Take up!, podem assustar, afinal dispõe apenas de limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro, banco do motorista com ajuste de altura, ISOFIX, painel na cor cinza, ABS e airbag. Nem o pequeno conta-giros ele conta. Soma-se R$ 2.750 de ar-condicionado, R$ 1.240 por direção elétrica e rodas de 14 polegadas, R$ 1.100 por chave canivete, vidros, travas e retrovisores elétricos, R$ 230 de preparação para som e chegamos aos R$ 34.220. Maps&more custa módicos R$ 630, valeria adicionar!

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Acho a Move up! a versão de melhor custo benefício. São R$ 30.300 para ter a mais computador de bordo, prateleira no porta-malas, três apoios de cabeça no banco traseiro, quadro de instrumentos com conta-giros, painel na cor bege, predisposição para som e rodas de aço aro 14″ com pneus 175/70. Com ar-condicionado, R$ 1.240 por direção elétrica e rodas de 14 polegadas, R$ 1.100 por chave canivete, vidros, travas e retrovisores elétricos, R$ 230 de preparação para som e chegamos aos R$ 35.620. Não é nada mal!

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Mais econômico, seguro e moderno, a meu ver o up! é mais conveniente que Gol e Fox com motor 1.0. O up!grade (não poderia perder a piada…) de modelo só vale mesmo para as versões 1.6.

Ahhhh se o 1.6 coubesse no cofre do motor do up! Seria um ótimo brinquedo…

Fotos | Volkswagen/Divulgação

(*) O jornalista viajou a convite da Volkswagen