Olá amigos,

Reproduzo aqui com autorização do autor, a matéria sobre a proibição das vendas do Toyota Corolla em Minas, publicada na edição de ontem do jornal Estado de Minas. As coisas estão se complicando para o lado da Toyota. Opinem e digam o que acham do caso.

Segurança: Só Procon segura Toyota

Promotor determina a suspensão das vendas do Corolla por concessionárias do estado de Minas Gerais a partir de amanhã até que a marca jogue limpo com consumidores

Daniel Camargos

A partir de amanhã, nenhuma concessionária Toyota de Minas Gerais pode vender o Corolla, que também não poderá ser emplacado pelo Detran. A proibição foi determinada ontem pelo promotor de justiça de defesa do consumidor do Procon Estadual, Amauri Artimos da Matta. Depois de duas audiências realizadas pela Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o promotor considerou que a Toyota criou um risco desnecessário para o consumidor, já que, segundo a própria marca, o tapete pode prender e disparar o pedal do acelerador. Além disso, o fabricante não informa de maneira adequada o consumidor sobre o risco. A decisão administrativa cautelar do Ministério Público também cita os diversos relatos de aceleração espontânea do carro já publicados no Estado de Minas.

O problema ocorre paralelo a uma crise imensa na história da marca, que é pivô do maior recall da história da indústria automotiva, com cerca de nove milhões de unidades convocadas, principalmente, nos Estados Unidos (veja quadro). No resto do mundo, a Toyota também foi obrigada a fazer um recall para uma substituição do tapete no ano passado, mas como o problema não foi resolvido outro recall foi feito — em janeiro deste ano — para substituição do pedal do acelerador, porém, continuam a surgir relatos de casos de aceleração involuntária mesmo após a substituição dos componentes.

“Ainda vem sendo investigado se não existe um outro fator, mas tudo indica que há outro problema. A ação feita pelo Procon é urgente e trabalhei com os dados que tinha no momento”, afirma o promotor, que notificou as 12 concessionárias do estado, além do fabricante. Se alguma delas vender algum Corolla, será aberto um processo administrativo, que pode acarretar em multa que vai de R$ 300 a R$ 3 milhões.

O promotor Amauri Artimos da Matta explica que o artigo oitavo do Código de Defesa do Consumidor deixa claro que, em casos de produtos que oferecem risco, é necessário prestar informações ostensivas. Porém, a Toyota informa no manual sobre os riscos do tapete e os problemas de fixação, mas somente em outubro do ano passado passou a costurar uma etiqueta no tapete com a orientação. “Todos os Corollas vendidos próximo do fim do ano passado estão sem alerta ou informação sobre riscos que podem causar”, alerta o promotor.

Além de ouvir os representantes da Toyota na audiência na ALMG, no início de deste mês, o promotor determinou que equipes do Procon fossem até as concessionárias, passando-se por consumidores, na busca de informações sobre um Corolla e também das questões de segurança. As equipes foram frustradas, segundo o promotor, pois os concessionários estavam totalmente despreparados e sem nenhuma informação, apesar da marca enfrentar uma imensa crise mundial.

A ação pode ser retirada quando a Toyota adotar as medidas determinadas pelo Procon, que são: informar com clareza os riscos do produto e substituir os tapetes que já estão no mercado por produtos seguros além de melhorar o processo de fixação. A Toyota foi procurada, mas não informou — até o fechamento da edição — qual atitude tomará.

ENTENDA O CASO
No resto do mundo

  • Nos EUA aconteceram acidentes, inclusive vários com mortes, devido a aceleração involuntária.
  • Primeiramente, a Toyota afirmou que o problema era o tapete, que prendia o pedal do acelerador e fez o recall do tapete.
  • Depois, fez um recall alegando que o problema também poderia ser motivado por falha no acelerador.
  • As vendas de oito modelos chegaram a ser suspensas até ser encontrada uma solução.
  • O recall se estendeu para a Europa e China.
  • Outro problema, dessa vez no freio, atingiu os modelos híbridos da marca, também gerando um recall.
  • James Lentz, diretor de operações da Toyota nos EUA, admite que os recalls do pedal do acelerador não foram suficientes e que o problema pode ter origem eletrônica.
  • NHTSA informa que dezenas de carros que passaram pelo recall voltaram a apresentar problemas.
  • NHTSA solicita ajuda da Nasa para tentar resolver o problema
  • NHTSA aplica multa de US$ 16,4 milhões pela  demora em assumir o defeito

No Brasil

  • A Toyota do Brasil nega a possibilidade de aceleração involuntária.
  • A empresa argumenta que o pedal utilizado aqui  (Denso) é diferente dos problemáticos (CTS).
  • Atribui o problema em cinco dos 10 casos noticiados pelo Estado Minas a falhas de fixação no tapete.
  • 4 Nos outros cinco casos, não explicou a origem do problema, sendo que um desses o carro teve perda total.
  • A Toyota também não convocou um recall para o tapete que apresenta falhas de fixação, apesar de reconhecer o problema com os consumidores.

Foto Marlos Ney Vidal/Autos Segredos