Recall Effa M100 cinto de segurança

Daniel Camargos
Especial para o Autos Segredos

Desde 1999 os veículos que circulam no Brasil devem ter o cinto de segurança de três pontos em todos os assentos do automóvel, exceção apenas para o assento central do banco traseiro, que pode ser de dois pontos. Inventado em 1959 pelo sueco Nils Bohlin o dispositivo de três pontos é considerado o mais eficaz item de segurança já criado para o carro. Porém, os chineses da Effa ignoraram a lei e venderam cerca de 500 unidades do M100 com um arcaico cinto de dois pontos de fixação. No mercado nacional desde maio de 2008 eles só foram pegos ontem após uma ação conjunta do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), que vão exigir que a fábrica realize o recall de cerca de 500 unidades.

O diretor do Denatran Alfredo Perez explica que quando o M100 foi homologado pelo órgão os chineses apresentaram um modelo que tinha o cinto de três pontos. Perez explica que só se constatou que eram vendidos modelos com o cinto fora da lei quando o DPDC solicitou que o Denatran fizesse um “teste do alce” (manobra abrupta para verificar a estabilidade do veículo) diante de denúncias recebidas por consumidores. Ao checar um problema, o Denatran constatou outro: o uso do cinto ilegal e notificou o DPDC para que obrigasse a Effa a fazer o recall.

O fato de ter apenas duas fitas traseiros, em diagonal, pode, de acordo com a análise do Denatran, causar o chamado “efeito submarino”, em que há o risco de escorregamento do corpo para baixo ou para cima. O que provoca lesões no pescoço e até acidentes. O descaso com a segurança do consumidor vindo de um fabricante chinês soma-se a outro fato recente. A Latin NCAP, entidade recém criada para avaliar a segurança dos carros nacionais, fez testes de impacto com seis modelos e o pior de todos foi um chinês, o Geely Ck 1.3, o único a não conseguir nenhuma estrela em um índice de segurança que vai até cinco. O resultado significa morte certa em um uma batida a 60km/h. No Salão do Automóvel de São Paulo os chineses mostram força e miram o mercado nacional. Além das marcas que já atuam aqui, como a Lifan, que é do mesmo grupo da Effa; a Chery – com construção anunciada de uma fábrica em Jacareí (SP), Chana, Hafei e Jinbei a JAC e a Brilliance também exibiram modelos que pretendem comercializar no mercado nacional.

A profusão de chineses exige cuidado. “A China não tem uma legislação única para veículo. O nível de exigência é muito pequeno. Recebemos visitas de fabricantes chineses que perguntam se não existem diferentes limites de segurança para diferentes modelos”, afirma Perez. Entretanto, diretor do Denatran acredita que esses veículos, com elevados níveis de insegurança, devem deixar o mercado nacional quando as leis mais severas começarem a vigorar, como a do obrigatoriedade do teste de impacto para todos os modelos, que também provocará a necessidade do air bag, em 2014.

M100 A Effa informou, via assessoria de imprensa, que anunciará a numeração dos chassis, mas que todas as unidades serão convocadas. O M100 é chamado de Ideal em outros países onde é fabricado, mas no Brasil teve que mudar de nome, pela proximidade com o nome do monovolume da Fiat, o Idea. O recall não tem prazo de validade e é realizado a custo zero para o dono do veículo. Até a primeira semana de outubro deste ano, o DPDC já havia registrado 42 chamados, entre motocicletas e carros, com pouco mais de um milhão de unidades envolvidas. Fabricado na China pela Chang o M100 está na segunda geração, já lançada, mas que ainda não chegou na revenda em Belo Horizonte, com melhorias superficiais e supervisão da japonesa Suzuki, parceira da Chang. O preço sugerido é R$ 25, 9 mil.

Foto Effa/Divulgação

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