Aos poucos, a falta de segurança dos carros nacionais vem sendo revelada por instituições independentes, como a Latin NCAP e a Proteste (Associação de Defesa do Consumidor). Hoje, a segunda divulgou o resultado de uma uma avaliação sobre a eficiência dos cintos de segurança dianteiros e traseiros dos hatches compactos. O resultado, como aconteceu em outras ocasiões em que a proteção dos ocupantes de veículos comercializados no Brasil foi colocada à prova, decepcionou.

A Proteste considerou a presença de equipamentos que potencializam a proteção para realizar a avaliação. Seguindo tal metodologia, os modelos que obtiveram melhores resultados para os ocupantes dos bancos dianteiros foram VW Fox 1.6 Total Flex Prime i-Motion e Peugeot 207 1.6 16V XS Automatic. Os três têm cintos com limitadores de carga e pré-tensionadores, além de airbags, que complementam a proteção.

Na outra ponta, Renault Clio, Chevrolet Celta e Ford Ka obtiveram os piores resultados em relação aos ocupantes dianteiros, pois não têm nem limitadores de carga nem pré-tensionadores, tampouco airbags. Além do mais, nos três modelos o cinto foi considerado curto demais, o que compromete a proteção a pessoas obesas. Por fim, no Clio ainda foi detectada a possibilidade de o cinto não ser utilizado da maneira correta, pois a tira de tecido pode ficar presa ao freio de mão no ato do afivelamento, exigindo atenção dos usuários.

Os cintos traseiros foram considerados ainda menos eficientes que os dianteiros pela Proteste, pois são mais desprovidos de equipamentos adicionais. O mais eficiente foi o Corsa 1.4 Maxx, simplesmente porque o hatch da Chevrolet é o único a oferecer cintos de três pontos para todos os passageiros do banco de trás. Em nossas avaliações, sempre destacamos aqui no Autos Segredos a importância do equipamento, assim como o encosto de cabeça central: poucos automóveis à venda no Brasil dispõem dos dois itens juntos.

Os veículos mais inseguros para os passageiros que viajam atrás, na avaliação da Proteste, foram Fiat Uno Vivace 1.0 Evo Flex, Ford Fiesta 1.0 Rocam e Ford Ka 1.0 Rocam. Nos três modelos, os cintos sequer são retráteis, o que limita os movimentos dos usuários e aumenta as chances de o equipamento não ser ajustado da maneira correta. O Ka ainda foi criticado em um ponto adicional: a tira de tecido é curta e impossibilita a fixação de cadeirinhas para crianças. Aqui, destacamos um problema semelhante descoberto pelo Autos Segredos no Citroën Aircross, antes de o modelo ser colocado à venda: os cintos traseiros, muito curtos, também eram incapazes de prender a cadeirinha (veja aqui).

As falhas tanto para os ocupantes da frente quanto para os de trás fizeram com que o Ka ficasse em último lugar na avaliação da Proteste. Porém, vale comparar o resultado à última rodada de crash-tests realizada pela Latin NCAP, no fim do ano passado, quando o hatch da Ford foi considerado o menos inseguro entre os veículos sem airbags, com uma estrela para os ocupantes frontais e três para crianças (veja aqui). Curiosamente, o dummie que simula o ocupante infantil foi acomodado em uma cadeirinha, afixada ao cinto traseiro.

No mais, é interessante destacar que os resultados obtidos pela Proteste evidenciam a superioridade dos carros mais caros em relação à segurança. Todos os modelos que alcançaram piores resultados pertencem ao segmento de entrada, enquanto os compactos comercializados por preços um pouco mais elevados, de modo geral, não fizeram tão feio na avaliação. A lógica é válida até mesmo em relação a um modelo único, pois as versões mais completas têm mais equipamentos de segurança que as configurações básicas. Nos compactos C3, Fox e 207 a variação foi menor, enquanto Uno e Fiesta apresentaram discrepâncias maiores.

Há pelo menos uma boa notícia: todos os veículos avaliados foram aprovados no este de fixação da haste do cinto à estrutura do banco. O resultado completo está disponível no site da Proteste (www.proteste.org.br).

Os veículos testados foram Chevrolet Corsa (1.4 Maxx), Chevrolet Celta (1.0 Flexpower LS duas e quatro portas ), Citroën C3 (1.4 GLX e 1.6 GLX 16V Exclusive Automatique), Fiat Uno (1.0 Vivace Evo Flex duas portas e 1.4 Evo Sporting quarto portas), Ford Fiesta (Rocam 1.0 e 1.6), Ford Ka (1.0 Rocam e 1.6 Sport), Peugeot 207 (X-Line quatro portas e 1.6 16V XS Automatic quatro portas), Renault Clio (1.0 16V Hi Flex duas e quatro portas), Volkswagen Fox (1.0 Total Flex duas portas e 1.6 Flex Prime I-Motion quatro portas) e Volkswagen Gol (1.0 Total Flex, 1.0 Total Flex Rock in Rio e 1.6 Total Flex Rallye).

Nota-se que o teste só envolveu veículos nacionais. Mesmo assim, alguns ficaram de fora, como o Fiat Palio, Renault Sandero, Mille e Gol G4. Também sentimos falta de automóveis importados, trazidos por meio de acordo comerciais com países do Mercosul e com o México, como Chevrolet Agile e Nissan March, além dos chineses. Fica nossa torcida para que, no futuro, todos sejam avaliados.

Fotos | Ford, Renault, Fiat e Chevrolet/Divulgação

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