Quando um veículo é lançado, é comum que os fabricantes teçam elogios dos mais diversos ao projeto. Contudo, normalmente não há muita precisão em relação a alguns aspectos. Dois dos pontos mais polêmicos dizem respeito a consumo e resultados de crash-tests. A grosso modo, a indústria automobilística usa expressões genéricas no que diz respeito a tais aspectos, como “satisfatório” ou “bom”. Na apresentação nacional do Etios, porém, o Engenheiro Chefe da Toyota a nível mundial, Akio Nishimura, foi taxativo e afirmou, sem meias palavras, que o modelo é capaz de obter marcas superiores a 10 km/ em ciclo urbano, abastecido com etanol, e tem estrutura resistente o bastante para alcançar quatro estrelas nos testes do instituto Latin NCAP, mesma nota que o Corolla recebeu em 2010.

Por enquanto, não há como ter certeza a respeito das palavras do executivo, principalmente no que diz respeito aos testes de impacto. O fato é que a Toyota deu a cara à tapa e irá apanhar se as expectativas não forem cumpridas, pois mais cedo ou mais tarde o modelo passará pelo crivo do Latin NCAP. O Inmetro já o avaliou e aprovou quanto ao consumo, concedendo o índice máximo “A”. Trata-se de um bom primeiro indicador…

Durante a apresentação estática, foi possível avaliar aquele que provavelmente é o aspecto mais polêmico do Etios: o design. Assim como eu, outros jornalistas com os quais conversei acharam o modelo mais harmonioso pessoalmente que em fotos. Mas não espere um resultado exatamente positivo: o hatch até consegue exibir proporções razoavelmente equilibradas, porém a traseira do sedã parece bem desajeitada.

O Etios segue a escola de modelos como Renault Logan e Chevrolet Cobalt, que colocam a funcionalidade acima da estética. Olhando por esse lado, o resultado parece ser mais coerente. Tanto o sedã quanto o hatch têm bons coeficientes de penetração aerodinâmica para a categoria, de respectivamente 0,31 e 0,33. Além do mais, os habitáculos são muito espaçosos. Nas duas opções de carroceria, três adultos sentam-se com dignidade (mas não com folga) atrás. O passageiro do meio do banco conta com o conforto de um assoalho quase plano, graças ao rebaixamento do ressalto do túnel do câmbio.

O três volumes é amplo também no porta-malas, que comporta 562 litros de bagagem. A capacidade anunciada do irmão menor é de 270 litros, porém a impressão é de que a Toyota é um tanto otimista com esse segundo valor, pois o compartimento parece ser reduzido mesmo quando comparado a outros compactos. Em ambos, as dimensões externas são contidas, evidenciando bom aproveitamento do projeto. O hatch tem 3,777 metros de comprimento e 2,46 m de distância entre-eixos. No sedã, os respectivos valores saltam para 4,260 m e 2,55 m. Os dois têm a mesma largura de 1,69 m5.

Outro aspecto polêmico é o acabamento. Em termos de materiais, o Etios está na média da categoria, com plásticos rígidos em abundância. Ao menos há diferentes texturas no painel. As versões mais caras adotam tecido nas portas, abolido nas configurações de entrada. A montagem é satisfatória, sem folgas nos encaixes ou rebarbas, mas há parafusos à mostra na base dos puxadores internos das portas, falha que salta aos olhos até mesmo em um popular.

Porém, se não conquista em termos de design ou acabamento, o Etios começa a virar o jogo no que diz respeito à mecânica. O mercado de populares nacionais é dominado por motores com baixa tecnologia agregada. Quase todos os fabricantes seguem a fórmula de bloco de ferro, correia dentada tradicional e cabeçote 8V. O jogo começou a mudar há poucos dias, quando o rival HB20, da Hyundai, foi apresentado com um moderno 1.0 de três cilindros de 12V.

Os propulsores 1.3 e 1.5 da Toyota, embora não disponham de comandos de válvulas variáveis, abrem vantagem considerável sobre a grande maioria dos rivais em termos de concepção, uma vez que adotam corrente, confecção inteiramente em alumínio e 16V. O de menor cilindrada tem 84/90 cv de potência a 5.600 rpm e 11,9/12,8 mkgf de torque a 3.100 rpm. O maior dispõe de 92/96,5 cv de potência e torque único de 13,9 mkgf, nas mesmas rotações.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR O ETIOS Tivemos contato com um Etios XLS 1.5 e um XS 1.3, ambos com carroceria hatch (o sedã, lamentavelmente, ficou para outra oportunidade), por um percurso de mais de 100 km. Ambos pareceram bem construídos e apresentaram rodar sólido, com bom tratamento acústico. O nível de ruído, tanto do motor quanto do atrito dos pneus e do vento, é baixo para a categoria.

O motor 1.5 demonstrou esperteza nas estradas do interior de São Paulo. Entrega potência e torque  de forma linear, atingindo rotações mais altas sem asperezas. O 1.3 tem funcionamento semelhante, mas as respostas, naturalmente, são mais lentas. Infelizmente, não tivermos como aferir o consumo durante o evento de apresentação à imprensa. Os freios transmitiram muita eficiência, mas vale lembrar que só andamos nas versões com ABS.

A suspensão privilegia o conforto: macia, faz com que o modelo enfrente buracos e ondulações na pista com disposição, mas deixa o motorista muito isolado do asfalto. Nas curvas, não chega a faltar segurança, mas o modelo passa longe de empolgar. A direção com assistência elétrica progressiva, também rara entre os populares, segue o mesmo caminho, deixando a movimentação do volante muito suave em manobras, porém mais leve que o desejável em alta velocidade. Melhor para quem não tem pretensões esportivas ao volante.

O câmbio agradou. Os engates são curtos e precisos, ao passo que o escalonamento pareceu correto. Ao menos no primeiro contato, não tivemos a sensação de existirem “buracos” entre as marchas. Além do mais, as relações não fazem o motor esgoelar em alta velocidade. A 120 km/h, o conta-giros marcava moderados (para a categoria) 3.500 rpm, tanto no Etios 1.3 quanto no 1.5. No futuro haverá também uma transmissão automática, mas a Toyota ainda não revela detalhes técnicos e data de chegada ao mercado.

A visibilidade é muito boa, graças à ampla área envidraçada e aos retrovisores bem dimensionados. A posição de dirigir é correta e o acesso aos comandos do painel é fácil. Durante a coletiva que antecedeu o contato ao volante do Etios, os executivos da Toyota afirmaram que os instrumentos no centro do painel não prejudicam a visualização. A explicação é que o quadro está fixado em posição mais alta, enquanto tradicionalmente os mostradores ficam em frente ao motorista, porém em área mais baixa, dentro do aro do volante. Estranhei no início, mas a verdade é que ao fim do percurso já havia me habituado à solução.

Durante nosso contato, foi possível avaliar alguns detalhes, ainda que de forma breve. Só há um limpador no para-brisa, mas a varredura não deixou a desejar, graças a uma articulação da haste, que faz com que a palheta atinja uma área maior. Os faróis, de apenas uma parábola, também apresentaram luminosidade satisfatória durante um trecho do percurso realizado à noite. O ar-condicionado é que pareceu subdimensionado, uma vez que demorou demais para abaixar a temperatura do habitáculo. É verdade que a temperatura em Sorocaba ultrapassou os 30°C durante o evento de apresentação à imprensa, mas por outro lado, o veículo circulou apenas com o motorista durante todo o tempo.

Entre os itens de série, destacam-se os airbags de série em todas as versões. A Toyota perdeu a oportunidade de lançar o primeiro popular com freios ABS sempre de série, mas ao menos o item é disponibilizado já a partir do segundo pacote. A marca também falha ao não oferecer, nem como opcionais, o encosto de cabeça e o cinto de três pontos para o quinto passageiro. Quanto aos equipamentos de conforto, o Etios está na média da categoria, começando pelado e ficando interessante a partir das configurações intermediárias. Os preços também estão na média e já incluem a pintura metálica, geralmente cobrada à parte. A garantia é de três anos. Veja o conteúdo de toda a linha abaixo:

Etos Hatch 1.3: com preços a partir de R$ 29.990, a versão de entrada traz airbags frontais, para-choques na cor da carroceria, porta-luvas ventilado e alertas sonoros.

Etios Hatch X 1.3: por R$ 33.490, o segundo catálogo acrescenta coluna de direção regulável, aerofólio traseiro, direção com assistência elétrica, freios ABS com EBD, desembaçador traseiro e filtro anti-pólen.  O ar-condicionado é opcional e eleva o preço para R$ 36.190.

Etios Hatch XS 1.3: a terceira versão custa R$ 38.790 e oferece ar-condicionado de série, acrescido de maçanetas e retrovisores pintados na cor da carroceria, sistema de som com rádio AM-FM, CD player e entrada USB, conta giros, travas elétricas e vidros elétricos na quatro portas.

Etios Hatch  XLS 1.5: a configuração top, tabelada em R$ 42.790, agrega todos os itens mencionados até agora, além do motor 1.5, adicionando ainda faróis de neblina, grade dianteira com moldura cromada, rodas em liga leve aro 15”, abertura do porta-malas por comando elétrico, travamento das portas por controle remoto e alarme.

Etios Sedã  X 1.5: o sedã mais acessível tem preço fixado em R$ 36.190. Assim como hatch da mesma configuração, traz direção regulável, aerofólio traseiro, direção com assistência elétrica, freios ABS com EBD, desembaçador traseiro e filtro anti-pólen.  Com ar-condicionado, opcional, o valor vai para R$ 38.890.

Etios Sedã XS 1.5: preço de R$ 41.490. Também repete os equipamentos da versão equivalente com carroceria hatch: vem de série com ar-condicionado, maçanetas e retrovisores pintados na cor da carroceria, sistema de som com rádio AM-FM, CD player e entrada USB, conta giros, travas elétricas e vidros elétricos na quatro portas.

Etios Sedã XLS 1.5: o membro mais caro da nova linha nacional da Toyota custa R$ 44.690. Disponibiliza faróis de neblina, grade dianteira com moldura cromada, rodas em liga leve aro 15”, abertura do porta-malas por comando elétrico, travamento das portas por controle remoto e alarme.

Fotos: Alexandre Soares/Autos Segredos

(*) Jornalista viajou a convite da Toyota do Brasil

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