Depois que perdeu seu fiel escudeiro, o Mille Economy, o Uno foi caindo de posição no ranking de modelos mais vendidos mês a mês em 2014. Agora, novidades visuais e tecnológicas colocam o Uno novamente na briga

uno_attractive_009Marlos Ney Vidal (*)
De Buenos Aires

No lançamento do Fiat Uno 2015, o discurso dos diretores estava afinado e a palavra mais falada foi inovação. De fato, esse termo pode ser associado ao Uno desde seu lançamento, em 1984. O compacto foi o responsável por várias mudanças de paradigmas em todo o seu ciclo de vida, sendo o primeiro carro 1.0, o primeiro nacional equipado turbo, e por aí vai. Agora, coube ao Uno 2015 a estreia de mais uma novidade inédita para o segmento: compacto inaugura o sistema Start&Stop entre os carros brasileiros, que proporciona, de acordo com a marca italiana, uma economia de combustível de até 20%. Esse número representa um tanque de combustível a menos a cada quatro abastecimentos.

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Lançado em 2010, o design do Uno ainda era responsável por 74% das menções para compra do modelo. Porém, com quatro anos de mercado, já estava na hora do hatch passar por sua primeira plástica. Externamente, como já mostrávamos em nossas projeções, as mudanças são pequenas. Um desavisado poderá nem perceber, mas, na dianteira, foram trocados para-choque, farol, para-lamas e capô. O conjunto óptico está mais estreito e os faróis são ligados um ao outro por uma barra na cor black piano. Ao vivo, o detalhe estético ficou interessante, mas, na prática, com o tempo, a peça deverá sofrer com o desgaste, principalmente nos modelos usados na maior parte do tempo em estradas. As pedrinhas arremessadas por outros carros certamente deixarão marcas.

As versões Attractive, Evolution e Way têm praticamente o mesmo visual. Mudam somente os apliques de plástico nas molduras das caixas de roda e na parte inferior do para-choque da versão aventureira. Aliás, a pintura na peça deu outra vida ao carro e o deixou bem mais agradável aos olhos. Já a versão esportiva conta com para-choque diferenciado, que deixou o modelo bem mais agressivo no quesito visual.

Na traseira, as mudanças ficaram por conta do para-choque, que continua abrigando a placa de identificação, mas ganhou um aplique preto comum a todas as versões. As lanternas mantiveram o mesmo formato e o que mudou foi somente seu desenho interno, que conta com grafismos do tipo ame-o ou odeie-o. Nos primeiros flagras, eu não tinha gostado do resultado, por ter ficado com aspecto de peça vendida em casas de tunning. Ao vivo, minha impressão mudou um pouco, mas, mesmo assim, poderiam ter pensado em outro tipo de desenho. No Sporting, além das tomadas de ar falsas, o escapamento foi deslocado para a posição central.

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Se por fora as mudanças não são tão grandes, por dentro elas foram completas, e o cliente realmente encontrará um novo Uno. Todo redesenhado, o painel ficou mais moderno, mesclando peças e desenhos de outros Fiats, como as saídas de ar, que vieram do Palio. O quadro de instrumentos manteve praticamente o mesmo tamanho. As informações são facilmente visualizadas e a tela de LCD, juntamente com a iluminação nova, dá charme ao compacto. Os encaixes das peças plásticas são bons, mas ainda há pequenas rebarbas.

O antigo cinza claro dos plásticos do painel e do forro de portas deu lugar a cores mais escuras.  Dependendo da versão, a faixa horizontal presente no painel muda de cor. O volante é diferente de todos os outros Fiats comercializados no Brasil e lembra os usados em modelos da Chrysler; até mesmo os comandos multifuncionais remetem aos carros norte-americanos.

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Assim como o painel usa elementos de outros carros da marca, as forrações de porta são praticamente iguais às do Punto. Os puxadores de porta, os comandos de vidro elétricos e os controles do retrovisor são os mesmos do irmão maior.

Um ponto positivo foi a mudança dos comandos dos vidros, quando elétricos, para as portas. Opcionalmente, o compacto também ganhou os vidros elétricos traseiros.

Apesar da lista de itens de série parecer grande, os equipamentos de conforto mais desejados pelos clientes são vendidos como opcionais (veja aqui a lista completa de cada versão). O único item de conforto que é de série em todas as versões é a direção hidráulica. Comparado aos modelos da concorrência, como Volkswagen up!, a direção assistida é um ponto positivo para o hatch mineiro.

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Já os vidros elétricos só passam a ser de série partir da versão Way 1.4. Se o cliente fizer questão do vidro na versão Attractive, terá que optar pelo kit Celebration 1 e levar também ar-condicionado e predisposição para rádio, entre outros itens, ao custo de R$ 3.990. Assim, a versão de entrada teria preço total de R$ 34.980. Esse valor coloca o Uno em pé de igualdade com o novo Ford Ka no quesito de equipamentos, e ele ainda leva pequena vantagem no preço, já que o hatch da Ford custa, inicialmente, R$ 35.390.

O mesmo vale para a versão Way 1.0, cujo kit tem custo de R$ 3.850 e agrega ar, vidros e travas elétricos, além de outros itens de conforto.

Por vir com mais itens de série que as demais, somente na versão Sporting o ar-condicionado pode ser adquirido sem nenhum outro opcional, ao custo de R$ 3 mil. Na Way 1.4, para ter o ar, o cliente também tem que levar faróis de neblina.

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ANDANDO No primeiro contato com o novo Uno 2015, andamos no centro de Buenos Aires com as versões Way 1.4 Dualogic e Evolution 1.4. De cara, podemos dizer que o casamento do caixa automatizada com o propulsor 1.4 é o melhor de todos os modelos Fiat que usam o Dualogic Plus. Os trancos dos irmãos quase não são percebidos no compacto. Em circuito urbano não deu para esticar o modelo e ver como é seu desempenho em velocidades maiores.

O acionamento por botões certamente irá cativar muitos clientes, mas é preciso se habituar à ausência da alavanca. Em algumas manobras, fiquei procurando à alavanca. Na apresentação, os executivos da marca fizeram questão de dizer que a tecnologia é usada pela Ferrari. Porém, ao entrar no Uno e dar partida, o cliente voltará à realidade e verá que está abordo de um Uno.

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No anda e para do trânsito de Buenos Aires estávamos em quatro abordo do Uno Evolution. Por duas vezes nem percebemos que o sistema estava atuando. Tanto o processo de desligar o motor quanto o de acordá-lo novamente chamam a atenção pelo funcionamento suave.  Vale lembrar que é necessário sempre estar com o carro em ponto morto e que se retire o pé da embreagem para que o sistema entre em funcionamento. Na hora religar o motor, basta pisar novamente na embreagem que o motor religa em apenas 0,4 segundos, dando uma pequena chacoalhada no carro que não chega a incomodar.

(*) Jornalista viajou à convite da Fiat do Brasil.

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Fotos | Fiat/Divulgação