Marlos Ney Vidal (*)
São Paulo (SP)

Os leitores do Autos Segredos já estão acostumados com o nome Spin desde janeiro, quando revelamos com exclusividade o nome da nova minivan da Chevrolet que acaba de chegar ao mercado nacional, com opções para cinco ou sete ocupantes. A Spin chega em duas versões de acabamento LT e LTZ e com duas opções de câmbio, sendo uma manual de cinco velocidades e uma automática de seis. O motor é antigo 1.8 Flexpower, que passou por melhorias e foi rebatizado de Econo.Flex. O propulsor agora desenvolve 108 cavalos com etanol e 106 cavalos com gasolina, ambos a 6.200 rpm. O torque é de 17,1kgf.m com etanol e 16,4kgfm com gasolina, sempre às 3.200rpm. A Chevrolet ainda ressalta que 90% do torque está disponível entre 2.500rpm e 4.700rpm.

A Spin chega com a responsabilidade de substituir de uma só vez as minivans Meriva e Zafira, que já deixaram as linhas de produção da planta de São José dos Campos (SP). A responsabilidade de produzir a nova minivan coube à planta de São Caetano do Sul (SP).

A minivan compartilha a plataforma Gamma II já usada pela irmão Cobalt e os primos Sonic (Hatch e Sedan), além dos futuros Onix (veja aqui) em carroceria hatch e sedã e o SUV Enjoy (Trax). Essa arquitetura é a mesma do Opel Corsa D, por isso diversas mulas foram usadas para testes dos modelos nacionais. A GM diz que a Spin foi totalmente concebida no Brasil, assim como o Cobalt, no centro da marca em São Caetano do Sul, que faz parte de um dos cinco centros de desenvolvimento que a empresa tem no mundo.

A multi-purpose-vehicle ou MPV, como a GM classifica a Spin, pode ser considerada a mãe do Cobalt pelo exagerado tamanho, mas nesse caso o filho chegou primeiro e a matriarca aproveitou muitas das soluções de espaço usadas no rebento.

No visual externo, a minivan não lembra tanto o irmão. Na dianteira, somente a grade bipartida remete ao Cobalt. Já o conjunto óptico está mais para a S10. A maior referência ao sedã se mostra nas laterais, com os vincos em forma de arco. A Spin também herdou do Cobalt a linha de cintura alta.  Na traseira, o destaque fica para a enorme tampa do porta-malas. O tamanho exagerado da peça passa a impressão de que está faltando algo. De acordo com a GM, as lanternas têm superfícies especialmente desenhadas para trabalhar o fluxo de ar. Uma saliência faz com que a turbulência do ar passe longe das lanternas, evitando que as mesmas fiquem sujas e menos eficientes no caso de chuva. Até mesmo o aerofólio embutido na tampa traseira foi desenhado para melhorar a penetração aerodinâmica.

Como foi dito acima, um dos pontos altos da Spin é o aproveitamento interno. O interior comporta cinco ocupantes na versão LT e sete na LTZ. A capacidade do porta-malas pode chegar até 1.668 litros. Estão disponíveis 32 porta-trecos, para a alegria dos compradores. O entre-eixos é de 2,62 metros. Com sete ocupantes, a capacidade de carga é de 162 litros.  Com cinco, ela salta para 710 litros, podendo chegar até 1.668 litros, com os bancos da fileira central rebatidos.

A engenharia da GM diz que as três fileiras dos bancos da Spin LTZ estão dispostas em formato de teatro. Isso faz com que a terceira fileira fique mais alta que a central, que por sua vez é ligeiramente mais alta que a primeira, privilegiando o espaço e a visibilidade para qualquer um dos ocupantes.

Andando com a Spin

Como escrevi no começo desta matéria, os leitores já estavam acostumados com o nome Spin desde janeiro. Porém, já não se pode dizer o mesmo do visual, pois apesar das dezenas de flagras publicados, os leitores sempre estranhavam o visual do modelo. Na apresentação, Carlos Barba fez questão de ressaltar o visual robusto do modelo. Ao vivo, as linhas do carro são mais agradáveis, não que sejam um primor em desenho. As atuais Zafira e Meriva europeias são mais belas. Porém, como no Brasil elas não tem mais chance, os consumidores terão que se acostumar com as linhas da Spin.

A frase do poema de Vinícius de Moraes “As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental“, se for adaptada para a realidade do mundo automotivo, não faria muito sentido nos dias de hoje. O Cobalt vende o dobro do estimado pela marca. As vendas da Spin, estimadas em 2.800 unidades por mês, serão facilmente batidas, como dito pelo vice-presidente da GM no Brasil, Marcos Munhoz, na apresentação do modelo. Ou seja, na prática os consumidores estão aceitando bem o visual da nova GM.

NA TERCEIRA FILA No primeiro contato, pude constatar que todos os ocupantes têm boa visibilidade, pois o posicionamento dos bancos cumpre o prometido. Na terceira fileira, contudo, os adultos passarão aperto. Andei por 50 quilômetros nos assentos extras e meus joelhos quase foram de encontro ao meu queixo, sem contar que o espaço para as pernas é mínimo, isso levando-se em consideração que tenho pouco mais de 1,70… Ali, somente as crianças farão uma viagem feliz, pois o que interessa para elas é a farra.

O rebatimento da terceira fileira é fácil, apesar de não contar com adesivos informativos para ensinar a operação. Uma pena que o banco não possa ser retirado, coisa que até um JAC J6 permite. Outro deslize foi o escoramento do banco quando recolhido apenas por uma alça elástica, que é fica fixada no apoio de cabeça traseiro direito. O sistema é igual ao do J6 e nesse caso a inspiração chinesa é ponto negativo. Uma trava para o banco seria a melhor opção.

CONFORTO E ACABAMENTO A vida a bordo da Spin é agradável e os passageiros tem um bom nível de conforto. Pelo menos no trajeto misto de estrada e cidade, a suspensão absorveu bem as imperfeições do solo. No acabamento, a Spin se assemelha ao Cobalt e o painel segue o mesmo padrão de materiais. O quadro de instrumentos é o mesmo, assim como o volante emprestado do Cruze, com direito aos comandos funcionais. Os plásticos são rígidos, mas de boa qualidade e bem texturizados. Os encaixes é que poderiam ser melhores: a tampa do porta-luvas que tem abertura debaixo para cima não se encaixava corretamente com o restante do painel Podia ser um defeito da unidade ou até mesmo de um modelo pré-série, entretanto, a numeração do chassi indicava que a unidade produzida era acima do número cinco mil… Os bancos são bem acabados e confortáveis.

CONJUNTO MECÂNICO Andando com a Spin com apenas três passageiros e em trajetos planos, o motor 1.8 Econo.Flex deu conta do recado, mas, com todos os seus ocupantes, um propulsor com maior potência poderá fazer falta. Até 120km/h o isolamento acústico do cofre do motor funciona bem, mas, caso o motorista exceda um pouco os limites de velocidade, os ruídos aumentam consideravelmente. O câmbio automático de seis velocidades é o mesmo que estreou no Cruze, mas, recebeu melhorias, o que eliminou os trancos que são sentidos no sedã. As trocas são rápidas no modo automático, mas, caso o motorista queira passar as marchas, o modo de troca irá tirar todo seu entusiasmado devido a pouca praticidade.

MERCADO Com a Spin a marca conta com um produto com boa relação custo x benefício para enfrentar os modelos da concorrência, já que desde da versão básica conta com um bom nível de equipamentos de série e preço competitivo. Entretanto, será mais fácil para a GM conquistar com os antigos compradores de Meriva, afinal a Spin é maior e conta com mais equipamentos, já os antigos donos de Zafira podem não gostar tanto assim da substituta. As vendas começam em julho e a garantia total é de três anos sem limite de quilometragem.

Preços

Spin LT Manual – R$ 44.590
Spin LT (2) Manual – R$ 45.990
Spin LT (3) Automática – R$ 49.690
Spin LTZ Manual – R$ 50.990
Spin LTZ Automática – R$ 54.690

Ficha técnica
Chevrolet Spin 2013 1.8 Econo.Flex

RESUMO
Modelo:
Spin 1.8 Econo.Flex
Carroceria / motorização: MPV, 5 ou 7 passageiros, 4 portas, motorização dianteira, tração dianteira
Construção: Aço galvanizado nos painéis exteriores
Fabricação: São Caetano do Sul, São Paulo, Brasil

MOTOR
Modelo: N18XFH
Disposição: Transversal
Número de cilindros: 4 em linha
Cilindrada (cm3): 1.796
Diâmetro e Curso (mm): 80,5 x 88,2
Válvulas: SOHC, duas válvulas por cilindro
Injeção eletrônica de combustível: M.P.F.I. (Multi Point Fuel Injection)
Taxa de compressão: 10,5:1
Potência máxima líquida
(ABNT NBR 5484 – ISO 1585): Etanol: 108 cv a 5.400 rpm/Gasolina: 106 cv a 5.600 rpm

Torque máximo líquido
(ABNT NBR 5484 – ISO 1585): Etanol: 17,1 mkgf a 3.200 rpm/Gasolina: 16,4 mkgf a 3.200 rpm
Combustível recomendado: Gasolina comum e/ou Etanol
Rotação máxima do motor (rpm): 6.300
Bateria: 12V, 50 Ah (50 Ah com ar-condicionado)
Alternador: 80 A (100 A com ar-condicionado)

TRANSMISSÃO
Modelo: F17-5CR – Manual de 5 velocidades à frente sincronizadas
Relação de marchas:
Primeira: 3,73:1
Segunda: 2,14:1
Terceira: 1,41:1
Quarta: 1,12:1
Quinta: 0,89:1
Ré: 3,31:1
Diferencial: 4,19:1

Modelo: GF6 – Automática de 6 velocidades com Active Select
Relação de marchas:
Primeira: 4,45:1
Segunda: 2,91:1
Terceira: 1,89:1
Quarta: 1,44:1
Quinta: 1,00:1
Sexta: 0,74:1
Ré: 2,87:1
Diferencial: 3,72:1

CHASSIS/SUSPENSÃO
Dianteira: Independente do tipo McPherson com molas helicoidais, amortecedores telescópicos pressurizados e barra estabilizadora
Traseira: Semi independente, com eixo torsão, barra estabilizadora no eixo traseiro, molas helicoidais e amortecedores pressurizados
Direção: Pinhão e cremalheira com assistência hidráulica
Direção redução: 16.0:1
Direção número de voltas: 2,87
Diâmetro de giro (m): 10,88

FREIOS
Tipo: Discos ventilados dianteiros, tambor traseiro
Disco diâmetro x espessura (mm):
Dianteiro: 256 x 24; traseiro: tambor 230 x 45
RODAS/PNEUS
Rodas: 15 x 6J
Pneus: 195/65 R15

DIMENSÕES
Distância entre eixos (mm): 2.620
Comprimento total (mm): 4.360
Largura carroceria (mm): 1.735
Largura total (mm): 1.953
Altura (mm): 1.664
Bitola (mm): Dianteira: 1.503; traseira: 1.509
Altura mínima do solo (mm): 136
Peso em ordem de marcha (kg): 1.202 (LT); 1.255 (LTZ)

CAPACIDADES
Porta-malas (litros): 162 (LTZ, 7 Lugares); 710 (LT, 5 lugares)
Carga útil (kg): 510 (LT); 495 (LTZ)
Tanque de combustível (litros): 53
Óleo do motor (litros): 3,25 (3,5 com o filtro)
Sistema de refrigeração (litros): 5,0
Sistema de partida a frio (litros): 0,50

DESEMPENHO
Transmissão Manual
Velocidade máxima (km/h): Etanol: 171/Gasolina: 170
Aceleração 0 a 100 km/h (s): Etanol: 11s4
Gasolina: 12s0

Transmissão Automática
Velocidade máxima (km/h): Etanol: 165/Gasolina: 164
Aceleração 0 a 100 km/h (s): Etanol: 12s8/Gasolina: 12s9

(*) O jornalista viajou a convite da General Motors do Brasil.

Fotos | Fábio Gonzalez/Chevrolet/divulgação e Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

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