Untitled-2A fábrica da Iveco em Sete Lagoas, MG, começou oficialmente a produzir veículos de defesa na última semana. Na verdade, a empresa entregou o primeiro lote de blindados em dezembro de 2012, mas a solenidade de inauguração só ocorreu no último dia 13. O modelo que sai da linha de montagem mineira é o VBTP-MR (Veículo Blindado para o Transporte de Pessoal Médio sobre Rodas), mas é mais conhecido como Guarani. Ele substituirá o Urutu no Exército Brasileiro e a marca pretende negociá-lo também com outros governos da América do Sul.

O Guarani é o único veículo de transporte de tropas fabricado no país atualmente, com índice de nacionalização de 60%. O contrato com o exército prevê o fornecimento de 86 unidades, mas a capacidade produtiva é de 100 blindados por ano (podendo ser expandida para 200, se houver demanda), com investimentos de R$ 246 milhões. As novas instalações custaram cerca de R$ 55 milhões e resultaram na abertura de 200 postos de trabalho diretos e 1,4 mil indiretos.

Untitled-4Os dados técnicos do Guarani impressionam: são 6,91 metros de comprimento, 2,70 m de largura e 2,34 m de altura. O peso é de aproximadamente 18 mil quilos. O modelo é anfíbio, transporta 11 passageiros, tem capacidade de operar à noite e resiste a explosões de minas terrestres. A lista de equipamento inclui sistema automático de detecção e combate a incêndio com seis extintores, ar-condicionado e posicionamento global por satélite (GPS).

Para impulsionár o Guarani, só mesmo um motor flex que pode utilizar diesel ou querosene de aviação, capaz de gerar 383 cv de potência e nada menos que 152 kgfm de torque. A transmissão é automática de seis marchas, com tração integral 6×6. Segundo o fabricante, o blindado é capaz de atingir até 100 km/h em estradas pavimentadas ou 9 km/h em navegação. O consumo, elevado como tudo no veículo, fica entre 2,5 e 3 km/l. Os freios são a disco nas seis rodas e a suspensão é hidropneumática, independente.

Untitled-8A Iveco afirma ter investido alto na capacitação dos funcionários responsáveis pela produção do Guarani. Segundo a marca, uma das maiores dificuldades na fabricação de blindados é a soldagem, pois o processo não comporta robôs e que tem de ser feito manualmente. A empresa afirma ter enviado equipes à Itália para uma preparação na planta de Vittorio Veneto. Das 2.500 horas destinadas à produção do Guarani, 1.500 são gastas apenas com soldagens. A carroceria é montada sobre chassi e a matéria prima predominante é o aço balístico, mais resistente que o convencional.

A planta de Sete Lagoas é a única da marca a fabricar modelos de defesa fora da Italia.  A empresa absorveu a experiência da Unidade de Veículos Especiais da Lancia, que começou a produzir blindados em 1937. Em 1975, a Iveco foi criada e ficou responsável pela linha militar.

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Fotos | Iveco/Divulgação e Exército Brasileiro/Divulgação