Novidade do Renault Sandero Expression é o motor 1.0 de três cilindros que confere melhor desempenho, baixo consumo e facilita manutenção. Porém, segurança básica foi esquecida

Por Paulo Eduardo

Um dos carros mais vendidos no Brasil, o Renault Sandero tem no espaço interno e no porta-malas os trunfos. O compacto da marca francesa tem distância entre-eixos, um dos fatores determinantes do espaço no habitáculo, de carro médio. São 2,59 metros. E o porta-malas é o maior da categoria (320 litros). Encosto do banco traseiro não é fracionado, o que inviabiliza levar passageiro e carga. A calibragem da suspensão concilia como poucos estabilidade e conforto. Pneus de perfil mais alto (65) ajudam no conforto. Pelo fato de ser produto de baixo custo, pontas de parafusos estão expostas no encaixe de partes móveis – portas, capô, porta-malas – com a carroceria. Houve evolução da montagem em relação à primeira geração.

Sem ousadia

As linhas da carroceria do Renault Sandero agradam sem ser uma ousadia de estilo. Acesso ao interior é fácil tanto aos bancos dianteiros quanto ao traseiro. O pecado do porta-malas é não ter puxador para abrir a tampa. Há comando interno para abri-la, mas por fora só com chave. Inconveniente é quando as mãos estão ocupadas com as compras, pois uma delas precisa estar livre para enfiar a chave na fechadura. Os mais afoitos podem até riscar a pintura.

Novo motor

A novidade dessa versão intermediária do Renault Sandero é o novo motor 1.0 de três cilindros todo de alumínio em lugar do anterior de mesma cilindrada, mas de quatro cilindros. Motores atuais de três cilindros têm mais eficiência energética do que os de antigos de quatro. Por isso, o desempenho é superior. Mesmo assim, questiona-se por que fabricantes insistem em motor de pequena cilindrada em automóveis de peso superior a uma tonelada. Ora, nem todos são apressados e ansiosos a ponto de não respeitar os limites do carro equipado com motor de menor cilindrada e potência. Há quem não se importe de encarar estrada e esperar o momento para ultrapassar sem aperto. É o que deve ser feito até com veículos mais potentes.

Desempenho

Desempenho é bom com o carro embalado. O dilema dos 1.0 é a justamente a retomada de velocidade feita em maior espaço de tempo. Porém, o grande apelo dos 1.0 é o baixo consumo de combustível. Caso as acelerações sejam progressivas, consegue-se autonomia incrível na estrada. Computador de bordo registrou consumo de 8 km/l a 11,5 km/ na cidade, variando conforme a topografia. Na estrada, com ar ligado ficou entre 14 km/l e 15 km/l. Ambos com gasolina. A Renault informa que esse três cilindros é 20% mais econômico, 20 quilos mais leve, e torque de 15% a mais se comparado ao antecessor. Usa corrente em vez de correia dentada, o que facilita a manutenção. O sibilar da corrente é perceptível na aceleração. Comando de válvulas tem variador de fase para admissão e escape. Motor é ruidoso em marcha lenta e trabalha em rotações elevadas. A 120 km/h gira a mais de 4.000 rpm. A lamentar o tanquinho de partida a frio em motor moderno. O câmbio de relações curtas na primeira e segunda marcha facilita arrancar na subida. Com ar ligado, aceleração não decepciona, sendo necessária paciência nas retomadas. Se o aclive for forte, melhor desligar o ar para sair da inércia.

Câmbio

Engates do câmbio são precisos, mas secos. O curso da alavanca é um pouco longo. A coluna de direção tem apenas regulagem de altura. Mesmo com assistência eletro-hidráulica, a direção é pesada em manobras, mas firme em alta. Porém, tem pouca sensibilidade. Volante tem boa pega e quadro de instrumentos, leitura imediata. Impera plástico duro no painel central e forro de portas. Assentos mais compridos apoiariam melhor as pernas. Banco do motorista tem regulagem de altura, o que facilita encontrar posição adequada ao volante.  A maioria dos comandos fica bem posicionada. Porém, o pedal da embreagem afastado exige esforço da musculatura da perna. Deslize em ergonomia.

Falta segurança

A regulagem dos retrovisores é manual. Esses são bem dimensionados. A falha principal em segurança da versão Expression do Renault Sandero é a ausência do apoio de cabeça central no banco traseiro e cinto central abdominal de pouca eficiência em comparação ao de três pontos. Esqueceram do carona eventual. Incoerência em um carro que comporta três adultos atrás. Freios param em espaço razoável.

Quanto custa?

A versão Expression 1.0 do Renault Sandero tem preço sugerido de R$ 47.040. Equipado com sistema multimídia com tela tátil de sete polegadas com GPS, rádio, Bluetooth, entradas USB e sensor de estacionamento, chega a R$ 48.340.

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Ficha técnica

Motor
De três cilindros em linha, 1.0, 12 válvulas, flex, de 82 cv (álcool)/ 79 cv (gasolina) de potências máximas a 6.300 rpm e torques máximos de 10,5 kgfm (a) e 10,2 kgfm a 3.500rpm

Transmissão
Tração dianteira e câmbio manual de cinco marchas

Direção
Tipo pinhão e cremalheira com assistência eletro-hidráulica

Freios
Disco ventilado na dianteira e tambor na traseira

Suspensão
Dianteira, independente, do tipo McPherson; traseira, eixo de torção

Rodas/pneus
6×15”de aço/185/65R15

Peso (kg)
1.023

Carga útil (passageiros+ bagagem)
456 kg

Dimensões (metro)
Comprimento, 4,06; largura, 1,73; altura, 1,53; distância entre-eixos, 2,59

Porta-malas
320 litros

Tanque
50 litros

Desempenho
Velocidade máxima, 163 km/h (a) / 160 km/h (g); aceleração até 100 km/h, 13,1 segundos (álcool) e 13 segundos (gasolina)

Consumo (km/l)
Urbano, 9,5 (a) e 14,2 (g); estrada, 9,6 (a) e 14,1 (g)

Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos