Renault-Clio-estradaNo último fim de semana, eu e o Marlos fizemos uma longa viagem a bordo Clio Expression cedido para avaliação ao Autos Segredos. O objetivo da jornada, que somando ida e volta chegou a cerca de 1.000 km, era caçar segredos: recebemos de um dos nossos amigos a localização exata de alguns protótipos em testes de rodagem. Nossa investida, porém, foi infrutífera: quando chegamos ao destino, os veículos tinham ido embora. Já estamos atrás de novas informações sobre locais utilizados pelos fabricantes para desenvolvimento de produtos, mas o fato é que nossos alvos escaparam momentaneamente… Se por um lado perdemos o flagra, por outro o longo trajeto serviu para avaliar o comportamento do compacto da Renault em rodovias.

Logo na saída de Belo Horizonte, um susto: quatro carros que trafegavam logo à nossa frente envolveram-se num engavetamento. Apesar de não contarem com auxílio do ABS, os freios do Renault Clio mostraram bom dimensionamento e agiram com eficiência, evitando por pouco que nós também fizéssemos parte do acidente. Já chegando ao destino, o breque novamente foi colocado à prova, dessa vez por uma Kombi que seguia adiante e deu uma freada brusca ao se deparar com um quebra-molas sem sinalização. Duas situações de risco em um único dia, que felizmente não tiveram consequências mais graves.

Renault-Clio-PainelAs horas seguidas na estrada expuseram várias das características do Clio. O isolamento acústico da cabine é ruim, deixando rolagem de pneus e o ronco do motor bastante evidentes. Infiltração de ruídos é um inconveniente comum em carros de entrada, menos recheados com espumas e outros materiais absorvedores de sons. Se o propulsor se faz ouvir, ao menos  funciona com suavidade mesmo em altas rotações, minimizando o incômodo aos ouvidos. O câmbio, bastante pesado e impreciso, mereceu críticas: mesmo após centenas de quilômetros dirigindo o Renault, ainda não nos sentíamos acostumados com os engates desconfortáveis modelo.

Quando o assunto é desempenho, a situação fica mais favorável ao Clio. É claro que o propulsor 1.0 de 77/80 cv de potência a 5.750 rpm e 10.1/10,5 kgfm de torque a 4.250 rpm tem fôlego limitado, mas ainda assim o modelo demonstra mais disposição em subidas e ultrapassagens que outros veículos de cilindrada semelhante. O mérito vai, em grande parte, para a carroceria leve, de apenas 913 kg. O veículo foi abastecido com gasolina e etanol,  mas não apresentou diferenças perceptíveis de comportamento com os dois combustíveis. A suspensão consegue filtrar as imperfeições do asfalto sem deixar o veículo solto demais em curvas, mas a direção hidráulica merecia um acerto melhor, pois é pouco progressiva e mostra-se exageradamente leve em alta velocidade.

Mesmo depois de passarmos várias horas sentados no habitáculo do Clio, não sentimos dores ou incômodos no corpo, pois os bancos são bem anatômicos na região da coluna. Os assentos poderiam ter abas mais generosa para as coxas, pois a região oposta do joelho fica sem apoio, o que gera cansaço. O que compromete a ergonomia é o volante, que além de ter aro muito fino, dificultando a pega, revela uma curiosa (e incômoda) particularidade: apesar de estar centralizada em relação ao tórax do motorista, a peça é um pouco torta, formando uma diagonal, e não uma paralela, com o painel. O resultado é que o condutor dirige com o braço esquerdo levemente mais esticado que o direito.

Outros aspectos do Renault Clio serão abordados em breve, na avaliação completa que o Autos Segredos chama de “Ao Volante”. Continue acompanhando o teste com o hatch francês.

Fotos: Alexandre Soares e Marlos Ney Vidal/Autos Segredos