Renault-Clio-PainelO Clio integra um segmento marcado pelo despojamento: ao lado dos rivais Mille, Palio Fire, Gol G4, Ka, Celta e Chery QQ, o hatch da Renault compõe a lista dos mais baratos do mercado brasileiro (veja mais aqui). Na categoria em questão, onde os itens de série são sempre escassos, qualquer mimo, por menor que seja, pode se tornar um diferencial. Frente à concorrência, o modelo tem seus encantos, mas também revela mazelas.

Uma das qualidades do Clio é o quadro de instrumentos completo. Em uma época onde até veículos de categorias superiores abrem mão do termômetro de água do motor, chega a ser surpreendente (para o lado positivo, claro) ver que a Renault não aboliu o item. Tudo bem que ele era analógico e foi substituído por um menos preciso sistema digital com gráficos em forma de barrinhas. A mudança, que veio junto com o face-lift de 2012, foi estendida também ao marcador de combustível. Por outro lado, todas as versões ganharam um útil computador de bordo com oito funções.

Renault-Clio-consoleOutros itens interessantes no segmento são a tomada 12V e o botão central de travamento das portas. O problema é que ambos estão muito mal posicionados no console, bem atrás da alavanca de marchas. O acesso à tecla é difícil e temos utilizado diretamente o pino da porta. O pisca-alerta, localizado no mesmo local, também não prima pela ergonomia.

Por falar em travas das portas, o Clio oferece o útil sistema elétrico como acessório de concessionária. O mecanismo tem acionamento automático, que entra em ação alguns segundos após a ignição, seja o veículo colocado em movimento ou não. Até aí, tudo bem. O problema é que o funcionamento é invariável e ocorre mesmo quando uma das portas ainda está aberta. Em uma ocasião, só me lembrei de pegar o controle remoto do portão da garagem, que estava em outro carro estacionado ao lado, quando tinha acabado de ligar o motor. O resultado é que quase fiquei trancado do lado de fora do Renault, o que só não ocorreu porque não fechei a porta quando saí, por pura sorte.

Renault-Clio-banco-traseiroA generosidade com os itens citados acima parece ter implicado em economias em outros lugares. As alças de teto (também conhecidas por uma expressão não muito educada) simplesmente não existem, assim como o espelho de cortesia no quebra-sol do passageiro. Os dois itens deveriam ser de série em qualquer carro, mas não são oferecidos sequer como opcionais… Entretanto, o mais decepcionante é ver cintos de três pontos não-retráteis no banco traseiro. As tiras embolam, caem para fora do carro ao se abrir a porta e, o pior, dificultam e desestimulam o uso.

Em acabamento, o Clio não se sai mal, tendo em vista a média do segmento . Os plásticos do habitáculo, sempre rígidos e de cor preta, têm texturas diferentes e há apliques mais claros em torno dos difusores de ar, para quebrar a monotonia. Há rebarbas e folgas em alguns encaixes, mas o resultado ainda parece ser superior ao de alguns rivais. O tecido que reveste os bancos, embora sintético, é macio ao toque e tem padronagem agradável. O que destoa, mesmo em um automóvel de entrada, é a quantidade de parafusos à mostra nos forros das portas.

Nosso convívio com o Clio já chegou ao fim. A unidade cedida ao Autos Segredos foi devidamente entregue de volta ao fabricante e em breve publicaremos a avaliação completa, que costumamos chamar de Ao Volante. Acompanhe!

Fotos: Alexandre Soares e Marlos Ney Vidal/Autos Segredos