No Brasil, as versões esportivas costumam se diferenciar mais do restante da linha pelo visual que pela mecânica. Nos veículos que formam a base do mercado, cujo preço não pode aumentar demais, a frase acima vira regra. O March SR não é exceção e diferencia-se do restante da linha essencialmente pelos adereços.

Ingrediente comum em versões esportivas é o chamado kit aerodinâmico. O Nissan March segue a receita à risca, sendo  o único da linha a disponibilizar pacote do tipo, formado por spoilers na frente, nas laterais e na traseira, que também tem aerofólio. Às vezes, roupagens esportivas atuam como facas de dois gumes: por um lado, ajudam a compor o visual e melhoram o fluxo de ar, mas por outro, reduzem os ângulos de ataque e saída, deixando o carro mais vulnerável a valetas e rampas de garagem. Tal inconveniente, porém, não foi notado no hatch. Ele enfrentou depressões e desníveis com desenvoltura e não tocou o chão nem mesmo em um percurso em estrada de terra ao qual foi submetido.

Além das saias e apliques, o SR se diferencia do restante pelas rodas pintadas em tom grafite, que têm a vantagem de esconder melhor a sujeira proveniente das pastilhas. Porém, com exceção da cor, as peças de aro 15”, calçadas com pneus 175/60 R15, são exatamente as mesmas que equipam a versão SV, do irmão SV. No mais,a configuração esportiva tem adesicos de identificação localizados na base das portas e faróis de neblina.

Por dentro, o SR diferencia-se dos irmãos apenas pelo revestimento dos bancos. É verdade que há itens como controle de áudio no volante e conexão via Bluettoth, mas esses itens estão relacionados à comodidade, não à esportividade. É que a versão em questão também tem o maior preço da linha, e portanto, vem com mais recheio.

Quanto à mecânica, o March SR utiliza o mesmo conjunto que equipa as versões S e SV. O motor 1.6 16V entrega 111 cv de potência e 15,1 kgfm de torque tanto com gasolina quanto com etanol, valores que não chegam a impressionar. Porém, não se deixe enganar por eles: como o hatch é bem leve, com apenas 982 kg, a relação peso potência é de bons 8,85 kg/cv. Na prática, apesar da inexistência de alterações mecânicas em relação a outras versões, o desempenho convence, chegando até a surpreender. Isso, porém, será assunto para outro post.

Continue acompanhando nossas impressões sobre o March. Ao final, como sempre, publicaremos a avaliação completa.

Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos