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Alexandre Soares
Especial para o Autos Segredos

A Volkswagen tem um buraco na sua linha de sedãs: entre o Voyage, de entrada, e o Jetta, um médio, há apenas o Polo Sedan, que, já envelhecido, não consegue mais obter bons números de vendas. Para tentar competir melhor nesse segmento intermediário, a última cartada da marca alemã foi lançar a versão Evidence para o primeiro, que passou a ser a top de linha, posicionando-se acima da Highline. O Autos Segredos experimentou o modelo e publica agora uma avaliação resumida, uma vez que o Voyage já foi alvo de outros testes e, como mecânica e comportamento dinâmico são exatamente iguais aos das demais configurações, seria repetitivo falar sobre essas questões. Quem quiser ver os textos mais detalhados, pode acessá-los aqui e aqui.

teste_vw_voyage_evidence_20A receita usada pelo fabricante para deixar o Voyage mais atraente é mais que conhecida. A Volkswagen agregou equipamentos e, para honrar o nome da versão, algumas exclusividades: por fora, as rodas de 16 polegadas e os frisos cromados na base das portas de dos para-choques logo se fazem notar. Por dentro, o maior destaque é a forração em couro sintético e tecido cinza-claro nos bancos, com trama de costuras exclusiva, contrastando com o forro de teto e como revestimento das colunas em preto. O visual, tanto interno quanto externo, realmente é mais caprichado que o do restante da linha. Mas nem por isso escapa de críticas: o revestimento em tom claro suja com facilidade (o da unidade avaliada, que tinha baixa quilometragem, já exibia manchas), enquanto o restante do acabamento não mudou. Isso implica em plásticos rígidos no painel e nas portas, até merecedor de elogios devido aos encaixes precisos e pela ausência de rebarbas, mas simplório demais para a proposta da configuração.

teste_vw_voyage_evidence_9MESMA ESSÊNCIA No mais, o que se vê é o mesmo habitáculo de sempre. A posição de dirigir é correta, favorecida pelo volante ajustável em altura e profundidade, e ainda pelo banco do motorista também com regulagem de altura. Por falar nos bancos, eles só mudaram no que diz respeito ao revestimento, mas mantiveram a mesma conformação um tanto desconfortável, com apoio deficiente para as coxas e para a região lombar. O espaço é suficiente para que adultos se acomodem sem aperto, inclusive atrás, embora, ali, os concorrentes levem nítida vantagem no vão para as pernas. Já o porta-malas, com 480 litros de capacidade, é bastante amplo. Entretanto, o compartimento de bagagem perde pontos por  trazer lataria sem proteção no batente da tampa, que tende a se danificar em operações de carga e descarga.

teste_vw_voyage_evidence_1Como já foi dito, o Voyage Evidence utiliza a mesmíssima mecânica das demais versões. Isso inclui o tradicional câmbio manual MQ 200, conhecido pelos ótimos engates (o automatizado I-Motion é opcional), e o já datado motor 1.6 8V EA-111, capaz de gerar 101/104 cv a 5.250 rpm e 15,4/15,6 mkgf de torque a 2.500 rpm. Esse propulsor tem a vantagem de entregar muita força em baixas rotações, o que deixa o sedã ágil no trânsito urbano, mas perde muito do seu fôlego em alta, prejudicando, por exemplo, as ultrapassagens em estradas. Seria benéfico que a Volkswagen adotasse, pelo menos nas versões mais caras, o novo 1.6 16V EA-211, que se mostrou bastante superior ao antecessor quando foi avaliado pelo Autos Segredos (veja aqui). Em uma jogada de marketing bastante questionável, a marca alemã batizou os dois motores de MSI, o que acaba por confundir o consumidor.

As suspensões do tipo McPherson na frente e semi-independentes por barra de torção atrás, têm acerto firme, para privilegiar a estabilidade. Essa característica, associada aos pneus de perfil baixo, tornam o modelo desconfortável em pisos irregulares. Ele parece se dar melhor com um conjunto de aro 15, com perfil mais borrachudo, que melhora a absorção de impactos sem trazer prejuízos sensíveis ao comportamento em curvas. Por fim, os freios agradaram, estancando o Voyage com eficiência. O consumo também agradou, embora não possa ser considerado ótimo: registramos médias de 9,3 km/l na cidade e de 13,5 km/l na estrada, com gasolina no tanque.

teste_vw_voyage_evidence_7Como convém a um top de linha, o Voyage Evidence é bem-equipado: vem de série com ar-condicionado (manual), direção hidráulica, vidros elétricos nas quatro portas, travas e retrovisores elétricos com função tilt-down no lado do passageiro, para-sóis com iluminação, abertura elétrica do porta-malas, sistema de som com rádio AM/FM, CD-Player, Bluetooth, MP3 player e entradas USB e auxiliar, volante multifuncional, chave com telecomando, sensores de estacionamento traseiros e computador de bordo, além das já citadas rodas de liga leve aro 16”. Opcionalmente, é possível adquirir retrovisor interno eletrocrômico, controlador de velocidade, sensores de chuva e crepuscular, porta-objetos sobre o assoalho do porta-malas e banco traseiro bipartido. Entre os itens de segurança, há apenas três encostos de cabeça no banco traseiro (mas só dois cintos de três pontos), alerta de frenagem de emergência e os obrigatórios freios ABS e airbags frontais.

teste_vw_voyage_evidence_5MUITO CARO O preço sugerido do Voyage Evidence é de R$ 55.550. Muito dinheiro, mesmo se tratando da versão mais equipada. Se o modelo, ao menos, fosse equipado com o moderno motor EA-211, até daria para pensar no caso, já que a dinâmica se mantém acima da média… Mas, com mecânica antiga, menos espaço que a concorrência e projeto que também passa longe de ser novo, o sedã compacto da Volkswagen não consegue justificar o quanto custa.

FICHA TÉCNICA

MOTOR
Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 8 válvulas, gasolina/etanol, 1.598cm³ cm³ de cilindrada, 101cv (g)/104cv (e) de potência máxima a 5,250, 15,4 kgfm (g)/ 15,6 mkgf (e) de torque máximo a 2.500 rpm

TRANSMISSÃO
Tração dianteira, câmbio manual de cinco marchas

ACELERAÇÃO  ATÉ 100 km/h (dado de fábrica)
10,1 segundos com gasolina e 9,8 segundos com etanol

VELOCIDADE MÁXIMA (dado de fábrica)
189 km/h com gasolina e 191 km/h com etanol

DIREÇÃO
Pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica

FREIOS
Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS

SUSPENSÃO
Dianteira, independente, McPherson; traseira, semi-independente, eixo de torção

RODAS E PNEUS
Rodas em liga de alumínio, 6 x 16 polegadas, pneus 195/50 R16

DIMENSÕES (metros)
Comprimento, 4,215; largura, 1,656; altura, 1,462; distância entre-eixos, 2,465

CAPACIDADES
Tanque de combustível: 55 litros; porta malas: 480 litros; carga útil (passageiros e bagagem): 440 quilos; peso: 1.029 quilos

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Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos