O Cruze foi lançado com a promessa de ser um divisor de águas para a Chevrolet no Brasil, cuja linha de veículos estava bastante defasada. A marca tem tradição no segmento de sedãs, mas ao longo da última década perdeu espaço precioso para Civic e Corolla. Com tal pensamento em mente, foi inevitável deixar de lembrar dos antecessores Vectra e Monza quando comecei a dirigir o Cruze. O que motivou a comparação, contudo, não foram as semelhanças, mas as diferenças. Conceitualmente, o modelo assemelha-se mais aos rivais japoneses que aos antepassados, evidenciando muito bem as intenções do fabricante de enfrentar a concorrência oriental.

A origem do Cruze já explica, em grande parte, a semelhança com os rivais nipônicos: o projeto foi desenvolvido na Coreia do Sul, pelas mãos da Daewoo, ex-subsidiária da GM. O sedã enfrenta os concorrentes orientais de forma global, sendo comercializado na Europa, na América do Norte e inclusive na terra natal, a Ásia.

Um dos pontos em que o Cruze mais se diferencia dos antecessores é no acerto de suspensão, que proporciona rodar mais rígido. Outro indício das mudanças revela-se quando o acelerador é acionado, com respostas mais lineares. Novamente, há maior semelhança com a concorrência oriental que com outros sedãs médios do fabricante, que de modo geral se comportavam melhor em baixa rotação que em alta.

O design também não nega a origem asiática do Chevrolet. A nova linguagem de estilo mudou radicalmente o aspecto dos automóveis da marca e, definitivamente, não é unanimidade. Particularmente, acho o Cruze um dos mais bem resolvidos entre os modelos da nova safra.  Nas fotos, ele aparece ladeado por um Vectra de segunda geração, que pode ser considerado seu avô no mercado brasileiro, e por um Monza, nada menos que seu tataravô. Um retrato da ruptura que o sedã se propõe a estabelecer.

Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Acompanhe também o Auto Segredos pelo Twitter