Conjunto mecânico composto por câmbio de nove marchas, tração 4×4 e motor turbodiesel é o maior trunfo da Fiat Toro Freedom, mas pacote de equipamentos traz só o essencial

Fiat Toro FreedomPor Alexandre Soares

Na linha Toro, a união do câmbio automático de nove marchas com o motor 2.0 turbodiesel só acontecia, até meados deste ano, na configuração Volcano, a mais cara de todas. Quem tivesse dinheiro apenas para a versão Freedom tinha que escolher entre a transmissão automática acoplada a um dos propulsores flex ou pelo diesel com caixa de marchas manual. Na linha 2018 da picape, a Fiat passou a oferecer a versão de entrada tal conjunto mecânico, sempre vinculado à tração 4×4, pelo preço de R$ 120.890, exatos R$ 13.500 a menos que a top de linha.

Fiat Toro FreedomMenos equipamentos

É claro que, para justificar o valor menor, a Toro Freedom 4×4 automática entrega menos equipamentos que a Volcano. O ar-condicionado é manual, as rodas de liga leve são de aço estampado com calotas, não há faróis de neblina nem apoio de braço central na dianteira e na traseira, o cluster traz uma tela central menor (de 3,5 polegadas, em vez de 7 polegadas) e não há navegador GPS nem central multimídia com tela de toque, apenas um aparelho de som com RDS, entradas USB/AUX, viva-voz Bluetooth e função Audio Streaming.

Todos os itens perdidos são oferecidos opcionalmente, assim como outras conveniências como sensores de chuva e crepuscular, retrovisor interno eletrocrômico, teto pintado de preto e sistema de monitoramento da pressão dos pneus. Com tudo a que se tem direito, porém, o preço de compra vai para R$ 132.346 e praticamente se equipara ao da configuração top de linha. Por outro lado, os consumidores que optarem pela Fiat Toro Freedom 4×4 automática levarão de série apenas o conteúdo essencial. Há, no mais, direção elétrica, computador de bordo, travas e vidros elétricos, retrovisores com ajuste e rebatimento elétricos, cruise-control, controlador de velocidade em descidas, assistente de partida em rampas, ganchos Isofix para fixação de cadeirinhas e controles eletrônicos de estabilidade e tração, além dos obrigatórios airbags frontais e freios ABS.

Fiat Toro FreedomInterior conhecido

O habitáculo, por sua vez, é idêntico ao das demais versões Freedom, pois o acabamento não varia com a motorização. Isso não chega a ser um defeito, pois o padrão de montagem é bom, com encaixes corretos. Não há insertos emborrachados no habitáculo, que exibe revestimento em plástico rígido, como costuma ocorrer em picapes. Esse material, todavia, não apresenta brilho excessivo nem asperezas ao toque, e traz diferentes texturas. O que destoa é a ausência de acolchoamento nas portas traseiras: apenas as dianteiras trazem apoios de braço estofados. Trata-se de uma economia até perdoável em carros de segmentos inferiores, mas injustificável em um modelo com preço de seis dígitos.

Fiat Toro Freedom

Ergonomicamente, o habitáculo vai bem. O volante multifuncional, que traz revestimento em couro e paddle-shifts, proporciona excelente pegada. Sua coluna é ajustável em altura e profundidade, ao passo que o banco, que apoia muito bem as penas e a coluna, também tem regulagem de altura. O cluster tem leitura simples e instrumentação completa, ao passo que os comandos do painel estão bem-posicionados. A única ressalva vai para a disposição de alguns comandos de áudio, fixados por trás do aro da direção. Como eles não são visíveis, sua utilização é pouco intuitiva e exige habituação.

Espaço interno

Como em toda Toro, o espaço interno é generoso para quatro adultos e razoável para cinco. O banco traseiro com apoios de cabeça e cintos de três pontos inclusive na posição central garante segurança para todos a bordo. A boa área envidraçada aumenta a sensação de amplitude e ainda favorece a visibilidade do motorista, enquanto a existência de muitos porta-objetos a bordo permite organizar os pequenos pertences. Por sua vez, a caçamba consegue acomodar grandes volumes, graças aos seus 820 L. A capacidade de carga é de 1.000 kg, incluindo os ocupantes. A tampa traseira bipartida, com duas folhas que se abrem lateralmente, tem trava elétrica.

Fiat Toro Freedom

Motor e câmbio entrosados

Não poderia ser diferente: equipada com o mesmo conjunto mecânico da versão Volcano, a Fiat Toro Freedom 4×4 automática apresenta dirigibilidade semelhante à da versão top de linha. Isso é bom, diga-se. O motor 2.0 a diesel (na verdade, são 1.956 cm³), com quatro cilindros, 16 válvulas, injeção direta de combustível e turbocompressor de geometria variável sobra para a picape. Com 170 cv de potência a 3.750 rpm e 35,7 kgfm de torque a 1.750 rpm, ele não tem dificuldade para movimentar o significativo peso de 1.871 kg do modelo. Acelerações e retomadas de velocidade são feitas com muita agilidade, e, na estrada, o veículo não tem qualquer dificuldade para manter a velocidade de cruzeiro, mesmo em subidas.

O propulsor tem funcionamento suave, mas há um ponto fraco: a falta de linearidade na entrega de torque. Abaixo de 1.500 rpm, há um vazio; só a partir daí ele começa a responder. Graças ao câmbio automático, esse inconveniente é pouco notado, pois a central eletrônica faz reduções de modo fazer com que o motor trabalhe sempre na faixa onde há torque. Mas em arrancadas, não tem jeito, e o motorista nota um ligeiro “gap”. A transmissão, aliás, é uma das maiores responsáveis pela boa dirigibilidade da Toro. Os padle-shifts no volante são um convite a operar a caixa de marchas sequencialmente, as relações curtas otimizam o desempenho, e, como há nove marchas, o 2.0 gira baixo em alta velocidade, o que permite manter o habitáculo em silêncio. A 120 km/h, o tacômetro marca 1.900 rpm em nona marcha.

Consumo dentro do esperado

Outra vantagem de manter o propulsor em um regime mais baixo de rotações na estrada é que isso beneficia o consumo de combustível. Não por acaso, aferições realizadas durante a avaliação revelaram bons números para uma picape do porte da Toro, com 8,6 km/l em ciclo urbano e 13,5 km/l em trajetos rodoviários. Assim, com 60 litros de capacidade, o tanque permite uma autonomia de até 810 km.

Fiat Toro Freedom

Dirigibilidade no asfalto e na terra

Em outros aspectos, a Fiat Toro Freedom também mantém o bom comportamento de sempre. A arquitetura do tipo monobloco da carroceria, aliada às suspensões independentes do tipo McPherson na dianteira e Multilink na traseira, ambas com subchassis, garante boa estabilidade em curvas para um veículo de altura elevada. Isso sem prejudicar a suavidade ao rodar: para uma caminhonete, não há transferência exagerada das imperfeições do solo para o habitáculo – só não espere o nível de absorção de um sedã médio. A direção com assistência elétrica é bastante progressiva, e corrobora para a dirigibilidade agradável, deixando o volante leve em baixa velocidade e firme em alta. Já os freios, que utilizam discos ventilados nas rodas da frente tambores nas de trás, apresentam resultados corretos, mas não excepcionais.

Na terra

Em estradas de terra, a Fiat Toro Freedom também se sai bem. A tração 4×4, que é do tipo permanente, o que significa que ela não pode ser desligada, mas o condutor pode escolher entre três programas de funcionamento: Auto, 4×4 e 4×4 Low. No primeiro, a distribuição da tração ocorre automaticamente, e se concentra na dianteira quando não há demanda da atuação do eixo traseiro. No segundo, todas as rodas permanecem motrizes, mas a proporção permanece sendo determinada pela central eletrônica. No terceiro, o câmbio se mantém sempre em primeira marcha, que é muito curta e simula uma reduzida. Esse sistema permite que a caminhonete encare pisos escorregadios sem sustos. A reportagem submeteu a picape a um trajeto de cerca de 30 km por rodovias sem pavimentação, com algumas subidas enlameadas, e não houve grandes dificuldades. A única ressalva vai para o entre-eixos muito longo, de 2,99 m, que causou esbarrões em lombadas elevadas, apesar de a altura livre do solo ser de bons 20,2 cm.

Bom conjunto, mas com poucos equipamentos

A mecânica composta por motor 2.0 turbodiesel com câmbio automático e tração 4×4 é a mais acertada e versátil da linha Toro. Por esse motivo, a versão Freeedom com esse conjunto agrada justamente ao oferece-lo por um preço menor que o da configuração Volcano. Porém, é criticável o pacote de série ser composto apenas pelos itens essenciais. Ainda que seja plenamente compreensível que a oferta de conteúdo seja mais restrita que na top de linha, chega a beirar o injustificável o fato de a Fiat restringir pormenores como faróis de neblina, rodas de liga leve e apoios de braço centrais à lista de opcionais. Até mesmo a opção mais em conta da gama, a Freedom 1.8, que custa R$ 90.990, deveria vir de fábrica com tais equipamentos.

AVALIAÇÃO Alexandre Marlos
Desempenho (acelerações e retomadas) 8  9
Consumo (cidade e estrada) 8  8
Estabilidade 8  8
Freios 7  8
Posição de dirigir/ergonomia 9  9
Espaço interno 8  9
Caçamba (espaço) 8  8
Acabamento 8  8
Itens de segurança (de série e opcionais) 7  7
Itens de conveniência (de série e opcionais) 6  6
Conjunto mecânico (acerto de motor, câmbio, suspensão e direção) 9  10
Relação custo/benefício 7  7

Ficha técnica Fiat Toro Freedom 2.0 Diesel AT9

»MOTOR

Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, a diesel, sobrealimentado com turbocompressor, 1.956 cm³ de cilindrada, 170cv de potência máxima a 3.750 rpm, 35,7 kgfm de torque máximo a 1.750 rpm

»TRANSMISSÃO
Câmbio automático de nove marchas, tração integral

»ACELERAÇÃO ATÉ 100 km/h (dado de fábrica)
10 segundos

»VELOCIDADE MÁXIMA (dado de fábrica)
188 km/h

»DIREÇÃO
Pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

»FREIOS
Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS

»SUSPENSÃO
Independente do tipo McPherson na dianteira e independente do tipo multilink na traseira

»RODAS E PNEUS
Rodas em liga leve 17”x 6,5”, pneus 225/65 R17 (opcionais)

»DIMENSÕES 
Comprimento, 4,915 m; largura, 1,844 m; altura, 1,743 m; distância entre-eixos, 2,990 m;  altura em relação ao solo, 20,2 cm; peso, 1.871 quilos

»CAPACIDADES
Tanque de combustível: 60 litros; caçamba: 820 litros; carga útil (passageiros e carga), 1.000 quilos

Fiat Toro FreedomFotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

  • Jean Lehn

    Cade a Toro 2.0 Tigershark?

    • Raimundo A.

      Pra que se há o 2.4 AT9? Se você está sugerindo trocar o 1.8 pelo 2.0, vão cobrar isso.
      O que a FCA precisa, mas vamos ter que aguardar, é um 1.3 Firefly turbo com injeção direta e MultiAir. Este poderia ser ofertado como fazem com o TJet, ou seja, níveis de potência.
      Com uns 140cv, substituiria o 1.8. Com 170cv, o 2.0 e se houvesse com mais de 180cv, o 2.4.

      • Hans Vogel

        Esse 1.3T 16v vai render bem mais que 140cv. Deve ir na casa de uns 160.

        • David Diniz

          Só que a picape se arrastaria quando estivesse com peso na caçamba…

          Pessoal menos viagem e mais realidade a Fiat não é doida o suficiente para colocar um motor que é suficiente num UNO “esportivo” num carro de mais de 2 toneladas.

          • marc

            Num Argo tudo bem, mas um 1.3T no Uno eu duvido, o carro iria voar

          • Hans Vogel

            Mds… Quanta besteira…

          • David Diniz

            Desculpa cara… Não sabia que você era o sabe tudo e é melhor que a engenharia da jeep/fiat para afirmar que o FF 1,316v turbo da conta de arrastar um carro de mais de 2 toneladas.

          • Edson Fernandes

            David,vamos pegar aqui o motor 1.4 TSI da VW:
            150cv, 25,5kgmf a 1500rpm.

            Aí pegamos a Toro e seu 1.8:
            139cv (no alcool), 18,9kgmf a 4500rpm.

            Te pergunto: Se o motor 1.3 tiver potencia e torque parecido, porque seria inferior?

          • Thiago

            o tiguan da vw possui uma versao com o tsi 1.4, desempenho bem proximo do 2.0 tsi, é um carro bem pesado tambem que acaba tendo o mesmo uso da toro

      • Debraido

        Isso não é super trunfo. A questão em picapes é o Torque. Um 1.3t viria com torque na casa dos 22-24 substituiria os 3 preticamente. Com consumo consideravelmente menor.

      • Antonio

        Espere sentado porque se ficar de pé, vai cansar….

    • yurieu

      Cade a Toro 3.6 Pentastar?

      • Debraido

        Cadê a Toro 6.2 Hellcat?

        • Marco Antônio

          Cadê a Toro Pratt & Whitney F119-PW-100 turbofan ??

          • mjprio

            Kkkk

  • yurieu

    Interior idêntico ao do Compass.

    • Luconces
      • yurieu

        Não tenha receio de assumir isso, afinal o Fiat Toro é na realidade um Jeep.

        • Hoffmann

          E teu Onix seboso, tá limpo?

        • Luconces

          Na realidade o Renegade e o Compass são um Fiat. Todos derivados da mesma plataforma.

          O painel tem um elemento ou outro parecido só, como o volante e talvez o hodometro.

          • Thiago

            a centralzinha da fiat mata o carro

          • Luconces

            Putz ainda que tem né?

            Aluguel um Maxima uns meses atrás e não tinha nem tela kkk

  • Flight_Falcon

    Como os preços subiram… ou eu que estou ganhando menos…

    • Marco Antônio

      O dinheiro é que está valendo menos.

  • Milton-GT

    Eu penso assim, se eu gosto de um carro, compro sempre o top de linha, se meu dinheiro não dá, então compro um modelo mais básico e coloco os opcionais que eu quero. No caso da Toro a Fiat simplesmente criou mais um modelo, acho válido, pois permite uma escolha mais consciente. Assim não concordo com o post que diz que a Toro “pelo preço cobrado deveria ter isso ou aquilo”. Não deveria nada, a montadora tem uma gama de modelos, compra quem quer e o modelo que mais se adequar aos seus critérios e ao seu dinheiro. Se você quer pagar pouco e levar muito para casa, o problema é seu, pois Montadora vende veículos para ter lucro, não para atender demandas sociais.

    • Marco Antônio

      kkkk Cuidado, falar a verdade tem sido perigoso nos dias atuais.

      • mjprio

        Pode ser politicamente incorreto rsrsrs. Ainda mais quando se fala em termos como lucro, social, etc…
        Mas ele tem toda a razão

  • Marco A

    Muito caro, fui ver um de 90 mil, não vinha nem com roda de liga.

  • leandro

    Bah mas 120k não vir com farois auxiliares é demais e nem vou dizer pela função dele mas sim por deixar o parachoque feio. Vejo corola com tampas no parachoque é ridiculo, pelo menos o Up teve a feliz ideia de ter o parachoque diferente quando esse item não acompanha.

  • Alexandre

    Olá,
    Para mim, tem só o básico é suficiente. Carro não precisa falar e nem vir com sopa de letrinhas. Vários air bags é essencial.
    Este motor diesel já deveria ser bi turbo, para render 210 cv.
    Abraço.

  • Thiago

    estava ate pensando em uma, porem, o preco ainda eh muito salgado, o irmao renegade com motor diesel 4×4 ano 2016 vc encontra na faixa de 75k a 80k nas proprias loja da jeep, enquanto nao pega uma toro a gasolina do mesmo ano
    como minha demanda eh um carro 4wd que caiba 4 pessoas, toro acabou ficando fora de cogitacao

  • ####Carlao GTS

    Já ensaiei demais comprar um… não dá pai… é loucura.