Argo Trekking tem na calibragem da suspensão e no motor 1.3 os principais destaques. Carro está pronto para encarar caminhos malconservados. Faltam controles de tração e de estabilidade

Por Paulo Eduardo

A Fiat foi pioneira na versão aventureira. As outras marcas surfam nessa onda. Argo, até então, não havia sido contemplado com a versão de suspensão elevada, apliques de plástico nas caixas de roda e barras paralelas no teto. E os aventureiros do século XXI trazem ainda forração interna na cor preta (teto e colunas), além da pintura preta no teto e retrovisores. Aplicação pouco condizente com temperaturas elevadas no país na maior parte do tempo. É que a diferença entre uma pintura na cor clara para cor escura exposta o sol chega a 9 graus, o que torna obrigatório o uso da climatização para manter temperatura interna agradável. Outras marcas usam os mesmos artifícios. Está na moda. E o tecido de tear de forração dos bancos, pouco anatômicos, tem o aplique bordado Trekking no alto do encosto na cor laranja.

Fiat Argo Trekking 2020
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Um dos destaques do Argo Trekking é a calibragem da suspensão que mantém equilíbrio entre conforto e comportamento dinâmico, principalmente em curva. É possível constatar a suspensão elevada no primeiro olhar para o carro. Os bons ângulos de ataque e saída, e a grande altura do solo (18,7 centímetros), permitem rodar em estrada de terra malconservada sem esbarrar a parte debaixo do carro. A proposta é percorrer caminhos ruins sem danificar a parte inferior. E também trafegar em via urbana com pavimentação precária, além de não esbarrar em rampa na saída de garagem. Faltam controles de tração e estabilidade para coroar a versão aventureira.

Direção

Direção bem calibrada com leveza em manobras e firme em velocidades mais altas, mas sem comunicação de aderência do carro. Ponto central com boa definição. Falta regulagem de distância na coluna de direção. Há apenas de altura. Falhas em ergonomia não são poucas no Argo. Vamos a elas: abaixar bem para não esbarrar a cabeça no acesso ao banco traseiro; comandos dos vidros recuados na porta do motorista; pedal da embreagem mal posicionado requer esticar bem a perna, o que força a musculatura; curso longo da alavanca de marca e engates nem sempre precisos; ao engatar segunda e quarta, o braço esbarra no encosto do banco; assentos curtos não apoiam devidamente as pernas; tampa do porta-malas tem local de fechamento somente no lado direito, dificultando para canhoto.

Porta-malas tem boa capacidade (300 litros) para as dimensões do carro. Conta com iluminação assim como o porta-luvas. Pode ser aberto por meio de comando na chave ou na tampa.

Fiat Argo Trekking 2020
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Instrumentos bem visíveis

Quadro de instrumentos bem visível e de leitura imediata. Incorpora ainda o nem sempre presente indicador de temperatura do motor. Tela multimídia de sete polegadas na parte mais alta do painel central, com Android Auto e Apple Car Play. Acabamento benfeito com plástico duro de boa aparência no painel central. O deslize são as pontas de parafuso aparentes na dobradiça central das portas. Ruídos internos estão muito bem isolados e o Argo Trekking é silencioso. Pneus de perfil mais alto de uso misto na medida 205/60 com rodas aro 15 têm boa altura de borracha (12,3 centímetros) e contribuem também no conforto de rodagem. Volante tem boa pega, agrupa poucos comandos e revestimento rugoso evita deslize acidental. Ponto em ergonomia. Espaço interno é bom para pernas no banco traseiro, mas justo na frente.

Fiat Argo Trekking 2020
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Motor é moderno

Argo tem no moderno motor 1.3, aliás, 1.33, um de seus destaques. Todo de alumínio funciona redondo, sem aspereza, e com bom desempenho para a cilindrada tanto em aceleração quanto em retomada. São 10,3 kg/cv. Relações curtas de transmissão favorecem o torque em baixa que se dá a 3.500 rpm. Computador de bordo registrou média de 5,5 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada com etanol. São oito cavalos e 0,5 kgfm de torque a mais com álcool em relação à gasolina. Diferença significativa. Câmbio não foi renovado. É o mesmo há anos. Não condiz com a modernidade do motor. Fiat garante que a carroceria usa material de alta resistência, mas o Argo ainda não passou pelo teste de impacto do Latin NCAP para saber a resistência do conjunto.

Freios bons. Limpadores/lavador de para-brisa eficientes. Visibilidade traseira ¾ limitada, mas compensada em parte pelos grandes retrovisores. Faróis iluminam bem no baixo e no alto. Auxiliares de neblina também cumprem bem a função. Os únicos opcionais da versão são as rodas de liga aro 15 (R$ 1.590) e câmera de ré (R$ 700). Preço sugerido do Argo Trekking é de R$ 59.990. Com os opcionais, R$ 62.280.

Ficha técnica Argo Trekking

Motor
De quatro cilindros linha, flex, 1.332 cm³ de cilindrada, com potências de 109 cv (etanol) a 6.250 rpm e 101 cv (gasolina) a 6.000 rpm e torques máximos de 14,2 kgfm (etanol) e 13,7 kgfm (gasolina) a 3.500 rpm

Transmissão
Tração dianteira e câmbio manual de cinco marchas

Direção
Tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; diâmetro de giro, 10,4 metros

Freios
Disco sólido na dianteira e a tambor na traseira

Suspensão
Dianteira, McPherson, e barra estabilizadora; traseira, eixo de torção; altura mínima do solo, 18,7 metros; ângulos de ataque/saída/rampa (graus), 21/31,1/20

Fiat Argo Trekking 2020
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Rodas/pneus
6×15” de liga leve (opcional) /205/60R15

Peso
1.130 kg

Carga útil (passageiros + bagagem)
400 kg

Fiat Argo Trekking 2020
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Porta-malas
300 litros

Tanque
48 litros

Fiat Argo Trekking 2020
Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Dimensões (metro)
Comprimento, 3,998; largura, 1,724; altura, 1,568; distância entre-eixos, 2,521

Desempenho
Velocidades máximas, 173 km/h (etanol) e 169 km/h (gasolina); aceleração até 100 km/h, 10,8 (etanol) e 11,6 (gasolina)

Consumo (km/l)
Urbano, 8,5 (e) e 12,1 (g); estrada, 9,6 (e) e 13,5 (g)

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