Sucessor de Palio e Punto, o Fiat Argo agrada pela qualidade de construção, comportamento dinâmico, espaço interno com ressalvas e linhas da carroceria. Mas, peca muito em ergonomia

Por Paulo Eduardo

O Fiat Argo substitui Palio e Punto com a missão de aumentar as vendas da montadora. Líder de mercado durante anos, a Fiat deixou as vendas minguarem pela mesmice. Falta de novos modelos, principalmente no segmento dos compactos. O subcompacto Mobi não convence como projeto novo.

Linhas

As linhas do Fiat Argo não inovam, mas agradam. A frente segue a identidade atual da marca e traz semelhança com Mobi e picape Toro. Faróis grandes, capô chanfrado nas laterais e grade frontal enorme dividida ao meio. A traseira com lanternas estreitas horizontais faz alusão à marca esportiva do grupo, a Alfa Romeo. Porém, essas lembram as do Hyundai HB20 quando o carro é visualizado à média distância. O estilo parrudo do Argo é percebido de traseira. O carro parece estar grudado no chão. E passa essa sensação ao motorista. O Argo tem medidas semelhantes às do Tipo, um dos projetos mais racionais de toda a história do automóvel, mas sem tanta generosidade. A carroceria do Argo é construída com aços de alta resistência, o que aumenta a rigidez do conjunto.

Habitáculo é espaçoso, principalmente para pernas no banco traseiro. Porém, a caída brusca do teto a partir da coluna B (central), para dar aspecto de esportividade ao hatch de quatro metros de comprimento, limita o espaço para cabeça. Ocupantes com estatura superior a 1,80 m esbarram a cabeça. Além disso, é preciso abaixar ao entrar e sair do banco de trás sob pena de bater a cabeça. A estilização prevaleceu sobre a praticidade. O Argo tem distância entre-eixos de 2,52 m, somente um centímetro a mais do que o Punto. Essa distância é um dos determinantes do espaço no habitáculo O assento do banco traseiro poderia ser mais comprido para apoiar melhor as pernas, pois há muito espaço para elas. Porta-malas de 300 litros está coerente com as dimensões do carro.

Acabamento

O acabamento interno é de boa qualidade com encaixes e arremates benfeitos. Plástico do painel central é duro, mas de boa aparência. Argo passa a sensação de construção com qualidade. O som de fechamento das portas é abafado. Nada de ruído grave, dando a sensação de que a máquina do vidro vai cair. Quadro de instrumentos legível, com grafismo grande e tela enorme centralizada do sistema multimídia. A iluminação do habitáculo é feita pelo par de lanternas ao lado do retrovisor interno. É pouco. Conectividade está presente. O senão em visibilidade é a ¾ traseira por causa da caída do teto e pela largura da coluna C (traseira). A dianteira é muito boa. Retrovisores grandes e rebatíveis eletricamente na versão HGT compensam a deficiência. Comandos dos vidros recuados no apoio de braço dificultam o acionamento dos de trás. Faróis iluminam bem e o lavador do para-brisa é eficiente assim como os limpadores.

Dirigindo

Colocar o Fiat Argo em movimento é tarefa fácil para o motor 1.8 de boa potência e torque elevado. Não empolga tanto, apesar de o fabricante declarar pouco mais de nove segundos para atingir 100 km/h, mas ultrapassagens são feitas em curto espaço de tempo. Dá segurança. Isso é o que interessa na estrada. Motor usa corrente em vez de correia, facilitando a manutenção. A direção com assistência elétrica é leve em baixa, nas manobras, e tem peso em alta. Falta apenas transmitir ao motorista que ele tem o carro na mão. A coluna de direção tem ajuste de altura e de distância. O volante tem boa pega e agrupa poucos comandos, o que contribui para a boa ergonomia. Os poucos problemas do Argo são de ergonomia. O diâmetro de giro grande ( 11 metros) requer muitas manobras em espaço apertado. Enquanto o diâmetro de giro é de 10,3 metros na versão 1.0, o que facilita manobrar. O Argo se destaca pela boa altura do solo. Não esbarra em rampa de garagem.

A suspensão bem calibrada filtra as imperfeições do solo. Ocupantes sentem pouco o desconforto do piso irregular, como ao passar nas junções de ponte, buracos, depressões, entre outros. O carro é firme nas curvas, com inclinação mínima da carroceria e comportamento previsível. Tem-se a sensação de segurança. A calibragem concilia conforto e estabilidade. Freios são bons. A versão HGT pode ser equipada opcionalmente com pneus de perfil baixo (50) montados em rodas aro 17 e nem a calibração esportiva prejudica o conforto. O Argo seria ainda melhor de dirigir se o pedal de embreagem estivesse bem posicionado. Outra falha em ergonomia. Afastado, exige esforço da musculatura da perna.

Câmbio merece atualização

Ainda não foi desta vez que a Fiat mudou o câmbio. Os engates da versão testada estavam precisos e leves, mas incomoda o curso longo da alavanca, fazendo o motorista esbarrar o cotovelo no encosto do banco ao engatar segunda e quarta marcha. Além disso, exige suavidade ao soltar a embreagem para não sacolejar o passageiro.

O Fiat Argo tem linhas agradáveis, passa sensação de robustez, os ruídos internos são abafados e é bom de dirigir. Apesar de ser uma plataforma nova, o compartimento do motor é grande até para o motor 1.8. Não dá para entender o motivo, pois numa época de motores de baixa cilindrada com turbo, o espaço para o motor é cada vez menor. A Fiat já desenvolve turbo para motores 1.0 e 1.3, como a maioria dos fabricantes. Esses consomem e poluem pouco, e andam muito. Pode ser a tradução do popular bom, bonito e, nesse caso, nem sempre barato.

Segurança

O Fiat Argo tem toda a sopa de letrinhas, com controles de tração, estabilidade, hill holder, entre muitos outros de conforto e conveniência. O preço sugerido da versão HGT com câmbio manual de cinco marchas é de R$ 64.600. Os opcionais são kit stile (rodas aro 17 e forração em couro), R$ 2.500; airbag dianteiros laterais, R$ 2.500; kit tech (retrovisores com rebatimento elétrico, partida sem chave e acesso ao interior sem chave, sensores de chuva e crepuscular, e retrovisor interno eletrocrômico), R$ 2.800 e kit parking (câmera de ré), R$ 1.200. O preço sugerido da versão completa é de 73.600.

Ficha técnica – Fiat Argo 1.8 HGT

Motor
De quatro cilindros linha, flex, 1.747 cm³ de cilindrada, com potências de 139 cv (álcool) e 135 cv (gasolina) a 5.750 rpm e torques máximos de 19,3 kgfm (álcool) e 18,7 kgfm (gasolina) a 3.750 rpm

Transmissão
Tração dianteira e câmbio manual de cinco marchas

Direção
Tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

Freios
Disco ventilado na dianteira e a tambor na traseira

Suspensão
Dianteira, McPherson, e barra estabilizadora;  traseira, eixo de torção

Rodas/pneus
6×17”de liga leve (opcional) /205/70R17

Peso
1.243 kg

Carga útil (passageiros+ bagagem)
400 kg

Dimensões (metro)
Comprimento, 4; largura, 1,75; altura, 1,50; distância entre-eixos, 2,52

Desempenho
Velocidades máximas, 192 km/h (álcool) e 190 km/h (gasolina); aceleração até 100 km/h, 9,2 (álcool) e 9,6 (gasolina)

Consumo (km/l)
Urbano, 7,8 (a) e 11,4 (g); estrada, 9,2 (a) e 13,3 (g)

Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos