Hatch compacto não faz feio em termos de dirigibilidade e oferta de equipamentos. Apesar de ter custo/benefício mais favorável que o de outras versões, preço deveria ser menor

volkswagenfoxrockinrio37A Volkswagen gosta de associar seus carros ao rock and roll: é a segunda vez que a marca comercializa uma série Rock in Rio para o Fox. O Gol também teve uma edição com o nome do festival da capital carioca, sem contar a safra em homenagem aos Rolling Stones, lançada durante uma das visitas da célebre banda inglesa ao Brasil, em 1995. Além da alusão musical, todos tiveram em comum a incorporação de alguns equipamentos que, em outras versões, eram opcionais. Trata-se de uma boa estratégia comercial, principalmente para veículos que já estão há algum tempo no mercado e disputam vendas com concorrentes mais jovens.

volkswagenfoxrockinrio26O conjunto mecânico do Fox Rock in Rio é mais que conhecido. O motor é o 1.6 EA-111, que tem construção simples: é dotado de bloco em ferro fundido, cabeçote em alumínio, duas válvulas por cilindro e comando de válvulas único movido por correia dentada. O propulsor entrega 101/104 cv de potência a 5.250 rpm e torque de 15,4/15,6 kgfm a 2.500 rpm, com gasolina e etanol, na ordem. O resultado, esperado tanto pelos números da ficha técnica quanto pelo comportamento de outros veículos da marca, é uma performance bastante agradável em urbano, com grande oferta de torque em baixas e médias rotações, mas um tanto limitada em alta, algo que se sente principalmente em rodovias, devido à potência baixa para a cilindrada. Por outro lado, como já havíamos observado em outras ocasiões, o funcionamento é suave, mesmo com as rotações perto do limite de corte. Quanto ao câmbio, manual de cinco marchas, não temos do que reclamar, pois os engates são muito macios e precisos, o curso da alavanca é curto e o escalonamento mostra-se bem resolvido, sem buracos nas trocas. A 120 km/h, o hatch registra coerentes 3.300 rpm no tacômetro.

volkswagenfoxrockinrio22AFINADO Outros elementos mecânicos seguem a mesma receita de simplicidade. A suspensão é independente do tipo McPherson na dianteira e semi-independente por eixo de torção na traseira, com um acerto firme, que transmite parte das imperfeições do solo para o habitáculo. A intenção da Volkswagen parece ter sido priorizar a estabilidade, mas o Fox não chega a se destacar no quesito. Não que ele seja ruim, pelo contrário: o modelo encara curvas com segurança e até proporciona alguma diversão nesse sentido, mas a questão é que ele não se mostra exatamente empolgante em trechos sinuosos. A culpa é da altura da carroceria, maior que em outros hatches, que eleva o centro de gravidade e desequilibra um pouco o modelo. Por outro lado, a direção revela progressividade na medida certa, com maciez em manobras e firmeza em alta velocidade. A assistência é hidráulica, quando a tendência atual aponta na direção dos sistemas elétricos, mas ainda assim o resultado agrada. A impressão geral é de um conjunto que trabalha afinado e bem sintonizado, mas que não se lança a grandes virtuoses.

Outros elementos que contribuem para uma dirigibilidade agradável não estão debaixo do capô, e sim no habitáculo. Como em todo Fox, a posição de dirigir é um pouco mais alta que em outros hatches, mas mesmo assim muito agradável, com acesso fácil a todos os comandos, inclusive aos dos vidros elétricos, que estão posicionados corretamente na porta do motorista. O volante incorpora botões para operar o sistema de som e tem ótima empunhadura, mas a regulagem em altura e profundidade é opcional. Os bancos tocam no mesmo ritmo, com ótimo apoio para as pernas e abas laterais eficazes na hora de segurar o corpo em curvas, embora pudesse existir melhor acomodação para a região lombar da coluna. O do motorista é ajustável em altura e movimenta tanto o assento quanto o encosto. O quadro de instrumentos analógico, que é completo e proporciona ótima leitura, segue à risca a escola alemã, com pouca ornamentação e grafismo bem claro.

volkswagenfoxrockinrio17No mais, também agrada a visibilidade geral, inclusive para trás, com espelhos corretamente dimensionados e área envidraçada ampla para os padrões atuais. Para a frente, as colunas com base larga atrapalham um pouco, mas mesmo assim o resultado é bom. Os faróis do tipo biparábola iluminam muito bem e contam, embora opcionalmente, com o auxílio de luzes de neblina dianteiras e traseira. Detalhes importantes são os repetidores de seta laterais, posicionados nos retrovisores. Do mesmo modo, os limpadores também se mostraram eficientes, tanto em termos de capacidade de varredura quanto de silêncio durante o funcionamento.

DARK SIDE A versão Rock in Rio se diferencia dos irmãos pelos emblemas, as rodas de liga leve aro 15” e as faixas laterais com guitarras estilizadas. Se externamente o modelo não segue o exemplo de alguns músicos e passa sem chamar a atenção, por dentro ele parece se enquadrar no estilo dark, com muitos elementos negros, inclusive os revestimentos das colunas e até o forro do teto. O emprego de cores escuras nesses locais traz a desvantagem de tornar o habitáculo mais quente, mas por outro lado há vidros térmicos nas portas, que ajudam a reduzir o calor. Além do mais, a monocromia negra não acarretou a sensação de confinamento (tons claros dão ideia de maior amplitude interna). O painel também é preto, mas ganhou molduras vermelhas em torno dos difusores de ar. Aliás, há vários apliques vermelhos na cabine, como nas costuras dos bancos e do volante, que é forrado em couro. A configuração ainda dispõe de alguns agradinhos, como iluminação nos quebra-sóis e spots de leitura para os passageiros de trás.

volkswagenfoxrockinrio33Embora a decoração tenha toques próprios da versão, o acabamento segue as mesmas características gerais dos outros modelos da linha Fox. As peças são bem montadas e não apresentam folgas, tampouco rebarbas, mas o material predominante é o plástico rígido, dentro do padrão dos compactos da base do mercado. Bancos e painéis de portas exibem tecido agradável ao toque, embora sintético, com padronagem exclusiva. No habitáculo o resultado é satisfatório, mas no porta-malas o Fox deixa a desejar, com lataria sem revestimento na parte interna da tampa, em seu batente e na face posterior dos encostos dos bancos, o que os torna vulneráveis a danos causados pela movimentação da carga. A base do vão de abertura é alta, o que dificulta um pouco a colocação de volumes, mas há o bom sistema de deslizamento dos assentos traseiros, que faz com que o motorista possa priorizar o espaço para ocupantes ou bagagem, de acordo com as necessidades. Graças ao recurso, a capacidade do compartimento varia de 260 a 353 litros. Pena que o item seja oferecido apenas como opcional…

Por falar em espaço, o habitáculo do Fox é folgado para a categoria, como já havíamos constatado em outras ocasiões. A altura da carroceria faz com que os ocupantes sentem-se em posição mais vertical, fazendo com que as pernas fiquem menos esticadas. Os vãos para as cabeças são amplos e há porta-objetos em vários locais, inclusive sob o banco do motorista. Porém, ainda que o modelo tenha interior muito bem aproveitado, as dimensões externas reduzidas acabam se fazendo lembrar em algumas circunstâncias: ainda que pessoas de média estatura encontrem acomodações adequadas atrás, os mais altos terão que lidar com esbarrões de joelhos contra os bancos da frente. Um quinto ocupante também se sentirá um pouco espremido, devido à largura do veículo e à presença de um ressalto no assoalho.

volkswagenfoxrockinrio7APARELHAGEM A oferta de equipamentos segue no mesmo ritmo das acomodações para os ocupantes: agrada de modo geral, com uma ou outra nota dissonante. De série, o Fox Rock in Rio traz ar-condicionado, direção com assistência hidráulica, alarme, sensores de estacionamento traseiros (com aviso gráfico em display), retrovisores e vidros elétricos nas quatro portas, rádio/cd player com entrada USB e Bluetooth e chave do tipo canivete com telecomando, além dos já citados detalhes próprios da versão, como as rodas de liga leve aro 15”. A lista de opcionais traz alguns itens que já deveriam estar incluídos no pacote, como as também já mencionadas regulagem da coluna de direção, luzes de neblina e banco traseiro corrediço e bi-partido. Porém, apesar das ressalvas, é possível dizer que o modelo é completo e coerente para a categoria em que está inserido em termos de itens de conforto.

O pacote de segurança traz os equipamentos que já se tornaram básicos na categoria, incluindo ABS e airbags frontais. Mas assim como, infelizmente, costuma ocorrer com outros veículos do segmento, o Rock in Rio não vai muito além. Itens como airbags laterais, controle eletrônico de estabilidade e ganchos para fixação de cadeirinhas (do tipo Isofix) não constam sequer na lista de opcionais. Falha grave é a ausência dos simples encostos de cabela e cinto de três pontos para o ocupante do centro do banco traseiro, negligenciados pela maioria dos hatches compactos. O sistema de freios com discos na dianteira e tambores na traseira mostra-se bem dimensionado e imobiliza o Fox de modo satisfatório, sem desvios de trajetória ou travamento de rodas. O pedal apresentou boa modularidade durante todo o teste.   

volkswagenfoxrockinrio8Ao contrário de alguns astros de rock, o Fox não bebeu exageradamente durante o teste do Autos Segredos. Em ciclo urbano, o hatch obteve médias de 9,5 km/l, enquanto na estrada, as marcas giraram em torno dos 13,5 km/l. O resultado não pode ser considerado excelente, mas se mostrou satisfatório para a cilindrada e o peso do veículo. As aferições foram realizadas sempre com gasolina no tanque e com ar-condicionado ligado durante a maior parte do tempo. Como sempre, vale observar que marcas de consumo estão sujeitas a diversas variáveis, como relevo, condições das vias, características do trânsito, estilo de condução do motorista, entre outras.

ENTÃO, DÁ ROCK? O passaporte para o Rock in Rio (o carro, claro) proporciona diversão, mas custa R$ 44.070. É um valor um tanto alto em relação ao de outros hatches compactos, inclusive às versões de entrada dos modelos premium. Porém, o preço inclui pacote relativamente amplo dentro da classe e é interessante diante da versão Highline, que é tabelada em R$ 45.200 e traz lista de equipamentos parecida (por exemplo, vem de série com as luzes de neblina, mas as rodas em liga leve são opcionais). Para quem faz questão de um Fox 1.6 e não abre mão dos equipamentos, a configuração roqueira é sem dúvida a mais vantajosa. O compacto não chega ao nível dos grandes ídolos musicais, mas tem presença de palco razoável e toca com desenvoltura. 

FICHA TÉCNICA

MOTOR

Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 8 válvulas, gasolina/etanol, 1.598cm³ cm³ de cilindrada, 101cv (g)/104cv (e) de potência máxima a 5.250, 15,4 kgfm (g)/ 15,6 mkgf (e) de torque máximo a 2.500 rpm

TRANSMISSÃO

Tração dianteira, câmbio manual de cinco marchas

ACELERAÇÃO  ATÉ 100 km/h (dado de fábrica)

10,9 segundos com gasolina e 10,6 segundos com etanol

VELOCIDADE MÁXIMA (dado de fábrica)

181 km/h com gasolina e 183 km/h com etanol

DIREÇÃO

Pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica

FREIOS

Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS

SUSPENSÃO

Dianteira, independente, McPherson; traseira, semi-independente, eixo de torção

RODAS E PNEUS

Rodas em liga de alumínio, 6 x 15 polegadas, pneus 195/55 R15

DIMENSÕES (metros)

Comprimento, 3,823; largura, 1,657; altura, 1,545; distância entre-eixos, 2,465

CAPACIDADES

Tanque de combustível: 50 litros; porta malas: 260 a 353 litros; carga útil (passageiros e bagagem): 440 quilos; peso: 1.069 quilos

AVALIAÇÃO Alexandre Marlos
Desempenho (acelerações e retomadas) 7 6
Consumo (cidade e estrada) 8 7
Estabilidade 7 7
Freios 8 8
Posição de dirigir/ergonomia 8 8
Espaço interno 8 8
Porta-malas (espaço, acessibilidade e versatilidade) 7 8
Acabamento 7 7
Itens de segurança (de série e opcionais) 7 8
Itens de conveniência (de série e opcionais) 7 8
Conjunto mecânico (acerto de motor, câmbio, suspensão e direção) 8 8
Relação custo/benefício 7 7

Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos