Principal destaque da linha 2017 do Etios 1.3 S é o câmbio automático disponível desde
a versão de entrada, além do quadro de instrumentos digital. Leia a avaliação do hatch

Paulo Eduardo

O Etios foi concebido na esteira do sucesso da linha Logan. O Logan nasceu na Romênia, desenvolvido pela Dacia, subsidiária da Renault naquele país. O sucesso estrondoso fez com que os modelos fossem comercializados também na Europa Ocidental. A Toyota atenta fez o seu carro de baixo custo, o Etios. O termo low-cost se explica pelo aproveitamento de arquiteturas já existente, poupando investimento no projeto. Entretanto, carro simplificado não significa mercadoria ruim. Prova disso é que o Etios obteve quatro estrelas de cinco possíveis no teste de impacto do Latin NCap.

Porém, a Toyota achou que apenas mecânica robusta e confiável fosse capaz de levar o carro ao sucesso imediato por causa do logotipo da marca japonesa. Mas é preciso mais. Não por acaso, o carro evoluiu em alguns aspectos e passa a ser vendido com câmbio automático, que é sinônimo de conforto, principalmente no trânsito urbano.

A primeira evidência da economia no desenvolvimento do produto é o quadro de instrumentos no meio do painel central em vez de estar colocado diante do motorista. Isso dificulta a leitura e faz com que ele desvie os olhos do trânsito para realizar a leitura. O Etios é vendido tanto em países com a coluna de direção do lado esquerdo (Brasil) quanto do lado direito (Índia). Portanto, o quadro de instrumentos central facilita a colocação da direção em qualquer um dos lados. Com isso, poupa-se dinheiro. O quadro de instrumentos anterior era tosco demais dando a impressão de adesivo. Na linha 2017, a mancada foi reparada com o quadro digital contendo diversas informações, incluindo computador de bordo. O visual é outro, mas o motorista continua desviando o olhar da via.

Incomodam também a tampa do porta-luvas desajeitada que cai no colo do passageiro e dificulta o acesso; e a trava das portas, que não é desativada quando se tira a chave da ignição. Não há travamento de portas tão logo o carro entra em movimento. Tanto para travar quanto para destravar é preciso que o mecanismo seja acionado por meio de tecla localizada à esquerda da coluna de direção, que tem regulagem apenas de altura. A direção elétrica também foi recalibrada.

CASAMENTO

A novidade principal é sem dúvida a transmissão automática disponível desde a versão de entrada, como a que avaliamos. A pergunta é sempre a mesma: esse câmbio de quatro marchas combina bem com o motor 1.3? Olha, pode até não ser o casamento perfeito dependendo das exigências, mas é muito melhor o que o câmbio automatizado de uma embreagem. Esse dá tranco e causa incômodo. O do Etios é o automático convencional com conversor de torque. O dilema é o seguinte: nas acelerações fortes, a exemplo das retomadas em ultrapassagem, o motor urra para valer. No trânsito urbano, as trocas são suaves e, às vezes, praticamente imperceptíveis. A eletrônica interpreta a maneira de dirigir de cada motorista, a posição do acelerador, mantendo a marcha ideal para cada situação. Isso faz com que o carro não encare descida com marcha fraca, exigindo mais pressão no pedal de freio. Além disso, o câmbio de quatro marchas do Etios tem alavanca seletora para rodar apenas até a terceira, segunda ou somente em primeira marcha. A grande vantagem é poupar o sistema de freios nas descidas íngremes. Para tanto, basta colocar a alavanca em 3, 2 ou em L (low), que é a primeira marcha. Muito inteligente e prático.

Outro aspecto prático é a abertura da tampa do porta-malas por fora. Basta acionar o comando macio no meio da tampa. O porta-malas é de bom tamanho e coerente com as dimensões do carro. O Etios pode levar até 475kg de carga útil (passageiros +  bagagem). Excelente. O espaço interno é avantajado com bom espaço para pernas e até três ocupantes no banco traseiro. Há apoios de cabeça e cinto de três pontos em todos os assentos. Isso não é comum no mercado nacional. Ponto para a fabricante. Carros de categoria superior costumam contemplar o assento central com o obsoleto cinto abdominal. E, não raro, sem apoio de cabeça central.

Se o material plástico do painel central incomoda pela aparência rústica, o acabamento do forro do teto com a coluna A é benfeito assim como a forração dos bancos. O banco do motorista tem regulagem de altura, os retrovisores bem dimensionados compensam a visibilidade lateral traseira ruim por causa da coluna C (traseira) muito larga.

DIRIGINDO

Evidentemente o Etios não é aquele carro extremamente prazeroso de dirigir.  A direção carece de mais sensibilidade em alta, mas o Etios vira fácil em espaços apertados porque o diâmetro de giro é pequeno. A suspensão ainda é um pouco dura em piso ruim, transferindo as imperfeições. A estabilidade é boa, mas poderia ser melhor. Enfim, o Etios 1.3 automático tem ótima relação custo/benefício pelo conforto do câmbio automático. O pé esquerdo agradece no anda e para da cidade.

PREÇO

O Etios 1.3 X equipado com câmbio automático tem preço sugerido de R$ 50.190.

Ficha técnica

Motor
De quatro cilindros em linha, 16 válvulas, 1.300cm³ de cilindrada, flex, de 98cv (álcool)/88cv (gasolina) de potências máximas a 5.600rpm e torques máximos de 13,1,kgfm (a) e 12,5kgfm (g) a 4.000rpm

Transmissão
Tração dianteira e câmbio automático de quatro marchas

Direção
Tipo pinhão e cremalheira com assistência elétrica

Freios
Disco ventilado na dianteira e a tambor na traseira

Suspensão
Dianteira, independente, com barra estabilizadora; traseira, eixo de torção com barra estabilizadora

Rodas/pneus
5×14”de aço /175/65R14

Peso
955kg

Carga útil (passageiros+ bagagem)
475kg

Dimensões (metro)
Comprimento, 3,77; largura, 1,70; altura, 1,51; distância entre-eixos, 2,46

Porta-malas
270 litros

Desempenho
Não fornecido

Consumo (km/l)
Urbano, 8,2 (a) e 11,8 (g); estrada, 9,2 (a) e 13,3 (g)

Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos