Entre os modelos da linha Sporting, da Fiat, a picape é a que mais faz jus ao nome: o motor 1.8 16V E.torQ permite que a proposta esportiva vá um pouco além do visual arrojado

“Essa é a nova Strada?” A pergunta, feita por um frentista que abastecia o veículo, demonstra que a Fiat ainda consegue dar um ar jovial à sua picape compacta, mesmo depois de  decorrida mais de uma década desde o lançamento. A estratégia do fabricante consiste basicamente em fazer reformas visuais periódicas e em introduzir novas opções na linha. As variações sobre o mesmo tema são muitas: cabine estendida, versão Adventure, cabine dupla… A última investida da marca é a configuração Sporting, voltada para uma condução mais estimulante.

Versões esportivas de picapes derivadas de automóveis não são exatamente uma novidade. No Brasil, a classe já teve diversos representantes, como Chevrolet Montana e Corsa Sport, Ford Pampa S e VW Saveiro TSI. Essa última talvez tenha sido a mais fiel à proposta, pelo menos até agora, pois os demais modelos citados traziam apenas aparatos estéticos, sem diferenciação mecânica em relação ao restante da linha. A prática é comum também em outros países, como na Austrália, onde Ford e GM disputam para ver quem oferece o modelo mais potente.

O curioso é que, apesar de apreciadas pelo mercado, versões esportivas de picapes não deixam de ser contraditórias. Afinal, antes de mais nada, caminhonetes são veículos voltados ao transporte de carga. A caçamba atrapalha tanto a aerodinâmica quanto a distribuição de peso entre os eixos, o que compromete o desempenho e equilíbrio nas curvas, respectivamente. E por falar em estabilidade, a suspensão normalmente é voltada para suportar peso, não para proporcionar aderência. No caso da Strada, o conjunto traseiro é formado por eixo rígido e molas parabólicas. De qualquer forma, os utilitários apimentados costumam fazer sucesso, sobretudo entre os jovens.

ALTERAÇÕES A denominação Sporting trouxe um visual mais agressivo à Strada. Faróis com máscara negra, spoilers na dianteira e nas laterais, molduras plásticas nos pára-lamas e apliques prateados são alguns dos itens que diferenciam a versão nervosa das demais.

O interior é menos chamativo, mas também tem algumas exclusividades. Os pedais são esportivos e o volante é revestido em couro, com costuras vermelhas, cor que está presente ainda nos cintos de segurança. Os instrumentos têm grafismo exclusivo e a seção central do painel recebeu a tonalidade “black piano”. Pena que os encaixes não sejam bem arrematados, mal que assola toda a antiga linha Palio. Os bancos, por outro lado, são forrados com tecido do tipo waffer, bastante agradável ao toque. A visibilidade é boa, assim como a posição do motorista, e o espaço é razoável.

FÔLEGO Uma olhada na ficha técnica já permite saber que a Strada não é Sporting apenas no visual. O motor entrega 130/132 cv a 5.250 rpm e 18,4/18,9 mkgf a 4.500 rpm com gasolina e etanol, na ordem, enquanto o peso total do veículo é de 1.138 quilos, resultando em uma interessante relação de 8,62 kg/cv.

Quando o pedal da direita é pressionado, os números se traduzem em acelerações rápidas e retomadas de velocidade convincentes. O E.torQ é mais disposto em médias e altas rotações, mas não chega a decepcionar em baixa. A Sporting consegue empolgar com a estrada livre à frente. Em percursos urbanos, o modelo encara subidas e mudanças de faixa com disposição. E como já foi dito em outras ocasiões (ver na seção “Avaliação”), o propulsor E.torQ é bastante suave e silencioso, o que estimula o motorista a explorar as rotações mais altas.  O câmbio manual, único oferecido, tem engates macios, mas um tanto imprecisos, e o curso da alavanca é mais longo do que deveria.

Segundo a Fiat, a suspensão da picape foi recalibrada. As modificações também incluem rodas aro 16” e pneus 185/55. Durante um trecho sinuoso em meio às montanhas da Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi possível perceber que a picape realmente apresenta comportamento superior às demais versões. Não que a Strada tenha se tornado referência no assunto, mas o resultado é satisfatório.

Por outro lado, as modificações cobram seu preço quando se trafega por pisos em más condições, com a transferência de grande parte das irregulares para o interior. O fabricante ficou devendo é uma direção mais precisa. O sistema, que não passou por alterações, é leve em alta velocidade e não está de acordo com a proposta esportiva da versão. A unidade avaliada, que contava com ABS, proporcionou frenagens seguras. Estradas de terra não fizeram parte do itinerário, até porque o modelo não encoraja incursões aventureiras. O habitat da Sporting é o asfalto, de preferência sem carga na caçamba.

FINAL DAS CONTAS Nas mãos do Autos Segredos, a Strada alcançou as marcas de 8,2 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada, com gasolina. Não ficamos com o veículo por tempo suficiente para avaliá-lo também com etanol. O preço da versão foi fixado em R$ 46.600. Vidros e travas elétricas, computador de bordo, ar-condicionado e direção hidráulica são de série, mas airbags e freios ABS são vendidos à parte, em um pacote denominado High Safety Drive. O rádio/cd-player também é opcional. No fim das contas, a Sporting não é barata. Contudo, se a intenção for adquirir um veículo que priorize o desempenho, o valor pode compensar, até porque faltam opções com proposta semelhante na faixa de preço em questão.

NOTA DA REDAÇÃO A Strada Sporting dirigida pelo Autos Segredos não faz parte da frota de imprensa da Fiat. Foi cedida por um amigo,  que a adquiriu recentemente e se ofereceu para colaborar conosco.  Nós tivemos a oportunidade de experimentá-la por algumas horas, em um trajeto de aproximadamente 150 km. Novinho, o veículo marcava 1.032 km no hodômetro. Como nossa convivência foi breve, decidimos não publicar o quadro de notas. Afinal, apesar de o contato ter sido suficiente para conhecer várias características da picape, algumas questões, como o consumo, precisam de acompanhamento por maior período de tempo, para possibilitar uma avaliação mais precisa. A história seria diferente se a Fiat não se recusasse a emprestar sua linha de produtos para blogs. Em benefício da circulação de informações, esperamos que a política da marca seja revista.

FICHA TÉCNICA

MOTOR
Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, gasolina/etanol, 1.747 cm³ de cilindrada, 130cv (g)/132cv (e) de potência máxima a 5.250 rpm, 18,4 kgfm (g)/ 18,9 mkgf (e) de torque máximo a 4.500 rpm

TRANSMISSÃO
Tração dianteira, câmbio manual de cinco marchas

DIREÇÃO
Pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica

FREIOS
Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS opcional

SUSPENSÃO
Dianteira, independente, McPherson, com braços oscilantes inferiores transversais e barra estabilizadora; traseira, semi-independente, com eixo rígido e feixes de molas

RODAS E PNEUS
Rodas em liga-leve opcionais, 5,5 x 16 polegadas, pneus 185/55 R16

DIMENSÕES (metros)
Comprimento: 4,409; largura: 1,655; altura: 1,573; distância entre-eixos: 2,718

CAPACIDADES
Tanque de combustível: 58 litros; caçamba: 800 litros; carga útil (motorista e carga): 500 quilos; peso: 1.138 quilos
Galeria


Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

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