Versão topo é bem completa e tem preço atraente em relação à concorrência, mas para o motor 1.6 ficar esperto é preciso manter giros altos a todo o momento, o que pode comprometer a economia de combustível

teste_novo_renault_logan_20Pedro Lopes
Especial para o Autos Segredos

Depois do novo Renault Logan 1.0, chega a hora do Autos Segredos testar o modelo equipado com motor 1.6. Se com o propursor de 1 litro o desempenho deixa a desejar, este 1.6 (o mesmo que vinha sendo usado) não vai muito além. Para começo de conversa, melhor optar pelo uso do etanol, quando a potência pula de 98cv (com gasolina) para 106cv, ambos a 5.250 rpm. O ganho em torque também é grande, de 14,5kgfm (abastecido com gasolina) para 15,5kgfm, sempre a 2.850 rpm.

teste_novo_renault_logan_17Esse ganho em cavalos e de mais um quilo de torque é muito importante para movimentar os 1.070 kg do veículo, além dos 446 kg de carga útil (passageiros + bagagem), já que as relações de marcha são longas, privilegiando a economia de combustível, em detrimento de se obter um ganho mais satisfatório no desempenho. Na prática, ao se deparar com a necessidade de ligar o ar-condicionado ou trafegar em trechos com relevo acidentado, enfim, ao exigir um pouco mais do veículo, é preciso acelerar e trabalhar as marchas (com engates precisos!) para se obter sempre giros mais elevados. O resultado disto acaba sendo o aumento do consumo de combustível.

Para se obter um bom consumo, assim como no motor 1.0, é preciso se render aos limites do carro, se contentando com um desempenho fraco. Como o trânsito de Belo Horizonte não permite mesmo desenvolver muito o veículo, nem adiantaria forçar o motor. Por isso o consumo médio urbano com gasolina ficou um pouco abaixo dos 10km/l, sempre com o ar-condicionado ligado. Mas foi possível ver pelo computador de bordo, pelo consumo instantâneo, que se forçar demais o veículo o consumo pode piorar bastante. Na estrada, usando o ar-condicionado, o consumo com gasolina  ficou próximo aos 14 km/l. Porém, se no caso do Logan 1.0 o veredito foi não condenar o fraco desempenho do motor em detrimento do baixo consumo, não seria correto ser tão condescendente com o 1.6. Se eu fizesse um esforço para comprar um veículo 1.6, para não ficar à mercê do fraco desempenho de um 1.0, ficaria muito decepcionado com o Logan.

teste_novo_renault_logan_8COMO SEMPRE Mas o modelo tem muitos pontos positivos. Novamente o ponto alto da mecânica do Logan é a suspensão, que mostra um ajuste fino entre o conforto em pisos irregulares e a estabilidade até mesmo em curvas de menor raio. Outra característica que o modelo trouxe da antiga geração foi o grande espaço interno. São 2,63 metros de entre-eixos, o suficiente para acomodar bem três pessoas, com uma ressalva para o passageiro central, que é incomodado pelo túnel central que fica sob seus pés.

Para concluir a vida no banco traseiro, esses passageiros contam com vidros elétricos e três apoios de cabeça. A única mancada foi o cinto de segurança subabdominal para o ocupante central. O porta malas é grande, com capacidade de 510 litros. Se precisar de mais espaço, basta rebater o encosto do banco, bipartido entre 1/3 e 2/3. Um inconveniente constatado é a abertura do porta malas ter que ser feita com o uso da chave, já que o sistema não conta com maçaneta. Esta opção contrasta com a praticidade de se abrir o capô, que tem a tampa sustentada por um amortecedor, muito melhor que as tradicionais varetas de sustentação.

REDONDO Se espaço era o que não faltava na geração anterior, o principal ganho do novo Logan é o design mais atual e atraente. De um sedã quadradrão, com apelo unicamente funcional, o Logan ganhou linhas arredondadas e uma dianteira mais robusta, efeito obtido principalmente pela enorme grade inferior. Na lateral a linha de cintura é alta e as caixas de roda volumosas. A traseira é alta e curta. As rodas me liga leve de 15 polegadas são de série nesta versão, assim como os faróis de neblina.

teste_novo_renault_logan_15TOPO DE LINHA A versão testada é a Dynamique, topo de linha do modelo. A oferta generosa de itens de conforto e conveniência tornam a vida à bordo muito agradável, a começar pelo comando elétrico dos vidros dianteiros e também dos traseiros. O motorista pode encontrar uma boa posição usando as regulagens de altura do assento e do volante, que não tem ajuste em profundidade. Todos os comandos estão ao alcance do motorista, assim como o ajuste elétrico dos retrovisores externos e os comando do som e do sistema de telefonia, localizados próximos ao volante.

Existem duas funções interessantes presentes nessa versão. Uma é o Controle de Velocidade que, com o toque de um botão, impede que o carro rode acima da velocidade estipulada pelo motorista Essa função se torna interessante em cidades repletas de radares, onde o motorista pode estipular a velocidade máxima de 60 km/h e se livrar desse tipo de multa. Já o Controle de Velocidade de Cruzeiro, vulgo piloto automático, pode ser um bom aliado em uma viagem, onde o motorista programa a velocidade em que deseja trafegar e não precisa nem pisar no acelerador para ancançá-la ou mantê-la.

teste_novo_renault_logan_3Esta versão foi acrescida do pacote Techno Pack Plus, que custa mais R$ 1.100 e vem com ar-condicionado digital, fácil de visualizar e operar, sensor de estacionamento traseiro e o Media Nav, sistema de entretenimento que reúne, rádio, mídias diversas (USB, entrada auxiliar e Ipod), além de telefonia e navegação.

CONCORRENTES O preço sugerido da versão testada é de R$ 42.100. Com o pacote de opcionais seu valor total é de R$ 43.200. Trata-se de um preço atraente frente aos principais concorrentes, quando equipados com o mesmo nível de opcionais. O concorrente com preço mais gritante é o Chevrolet Cobalt 1.8 LTZ, vendido por R$ 52.890. Já o Nissan Versa 1.6 SL custa R$ 47.900 e nem vem com GPS. Por fim, o Fiat Grand Siena Essence 1.6 com nível semelhante de equipamentos tem o preço de R$ 47.790 e, assim como o Versa, não tem GPS.

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AVALIAÇÃO Pedro Marlos
Desempenho (acelerações e retomadas) 6 7
Consumo (cidade e estrada) 7 7
Estabilidade 8 7
Freios 8 7
Posição de dirigir/ergonomia 9 8
Espaço interno 8 9
Porta-malas (espaço, acessibilidade e versatilidade) 8 9
Acabamento 8 8
Itens de segurança (de série e opcionais) 8 8
Itens de conveniência (de série e opcionais) 9 7
Conjunto mecânico (acerto de motor, câmbio, suspensão e direção) 7 7
Relação custo/benefício 8 7

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FICHA TÉCNICA

» MOTOR
Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 1.598cm³ de cilindrada, oito válvulas, que desenvolve potências máximas de 98cv (gasolina) e 106cv (etanol) e torques máximos de 14,5kgfm (gasolina) e 15,5kgfm (etanol)

» TRANSMISSÃO
Tração dianteira, câmbio manual de cinco velocidades

» SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS
Dianteira, tipo McPherson, com triângulos inferiores e barra estabilizadora; e traseira, semi-independente, com barra estabilizadora / de liga leve de 15 polegadas / 185/65 R15

» DIREÇÃO
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica

» FREIOS
Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS (de série)

» CAPACIDADES
Do tanque, 50 litros; e de carga (passageiros e bagagem), 446 quilos

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Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos