À venda há muitos anos no exterior, mas recém-chegado ao mercado brasileiro, sedã tem bom comportamento e preço mais baixo que a maioria dos concorrentes

teste_nissan_altima_24Nilo Soares
Especial para o Autos Segredos

O Altima tem uma missão difícil no Brasil: conquistar lugar ao sol no segmento dos sedãs grandes, dominado por um único concorrente (o Ford Fusion, que sozinho detém mais de 70% das vendas) e partilhado por outros rivais que, embora emplaquem poucas unidades, têm muita tradição no mercado local (o Honda Accord, por exemplo, chegou ao país ainda na década de 1990). Para obter êxito em sua incumbência, a Nissan aplicou ao seu modelo a consagrada fórmula de oferecer bom pacote de equipamentos por um preço competitivo, mais precisamente por R$ 106.900. O valor não é barato, é verdade, mas é preciso considerar que, dentro da categoria, o Altima tem o segundo preço de compra mais barato, perdendo apenas para o líder Fusion 2.5, que quando equipado com teto solar, de série no Nissan, custa R$ 101.990. Outros modelos com porte, desempenho e nível de conteúdo semelhantes, como Peugeot 508, Kia Optima e o já citado Honda Accord, ultrapassam a marca de R$ 110 mil.  Assim sendo, parece que a ideia de fazer frente aos rivais tradicionais foi realmente levada a sério.

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O pacote de itens de série do Altima é coerente. A versão SL, única comercializada no Brasil, traz teto solar, bancos revestidos em couro, aquecidos e o do motorista com regulagens elétricas, ar-condicionado com duas zonas de temperatura, controlador de velocidade, chave presencial, sensor crepuscular e vidros, travas e retrovisores elétricos. Por fim, há um sistema multimídia com tela sensível ao toque de sete polegadas, que exibe as imagens captadas pela câmera de ré, controla o navegador GPS, monitora a pressão dos pneus, permite a transferência de arquivos a partir de celulares e comanda, ainda, a aparelhagem de som, que por sinal é digna de elogios, pois além de contar com CD Player, leitor MP3 e entrada USB, ainda inclui nove alto-falantes da marca Bose, que proporcionam excelente reprodução musical. Em um sedã com proposta tão agressiva, contudo, ainda poderiam ser oferecidos mais alguns itens, como sensor de chuva e faróis de xênon direcionais (embora existam LEDs para visualização diurna e auxiliares de neblina).

Se entre os itens de conforto é possível enumerar uma ou outra baixa, entre os de segurança não há o que se queixar. O sedã da Nissan é equipado com airbags frontais, laterais e do tipo cortina, freios ABS com EBD e BAS, controles eletrônicos de tração, subesterço e estabilidade e ganchos para fixação de cadeirinhas infantis. Há ainda o sistema Safety Shield, composto por um detector de mudança de faixa, que dispara um alarme caso o motorista faças desvios de trajetória sem sinalizar com seta, por uma câmera de objetos em movimento atrás do veículo quando a marcha a ré é engatada e por um monitor dos pontos cegos, que aciona uma luz no retrovisor se outro veículo estiver muito próximo da lateral do carro. Durante o teste, todos os recursos do Safety Shield foram testados e funcionaram muito bem!

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FOCO NA SUAVIDADE Não adiantaria oferecer tantos equipamentos de conforto e segurança sem entregar dirigibilidade satisfatória. No Altima, assim como na maioria dos concorrentes, o foco está no conforto, não na esportividade. Portanto, esse Nissan não é daqueles carros que empolgam em uma estradinha sinuosa ou em uma autopista desimpedida. Ele mostra a que veio rodando sobre ondulações no asfalto, onde a suspensão absorve muito bem as imperfeições do piso, ou em vias urbanas, nas quais o câmbio opera com suavidade e o isolamento acústico deixa os ruídos do lado de fora. A direção, levíssima, descomplica a tarefa de manobrar os 4,865 m do sedã, mas poderia ser menos assistida e mais direta em alta velocidade. De qualquer modo, embora não empolgue em uma condução mais agressiva, o modelo também não chega a fazer feio: a estabilidade é boa dentro da proposta e só aparecem sinais de subesterço após algum abuso, ao passo que o motor 2.5, embora não seja um foguete, consegue entregar desempenho decente, proporcionando acelerações e retomadas satisfatórias, além de demonstrar disposição em todas as faixas de rotação.

Já que o assunto é o 2.5 que equipa o Altima, é bom ressaltar que o motor em questão tem quatro cilindros e 16 válvulas, e é capaz de gerar 182 cv de potência a 6000 rpm e 24,8 kgfm de torque a 4.000 rpm. Bloco e cabeçote são confeccionados em alumínio e há duplo comando de válvulas variável, acionado por corrente metálica, e não pela temida correia dentada. O câmbio, por sua vez, é automatizado do tipo CVT e conta com função Sport, mas não disponibiliza modo sequencial para trocas marchas “virtuais”. A suspensão é independente nas quatro rodas, do tipo McPherson na dianteira e Multilink na traseira, dotada de amortecedores da famosa marca ZF Sachs (comuns em carros premium, mas raros em sedãs sem proposta esportiva). A direção tem assistência eletro-hidráulica progressiva.

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Apesar da grande cilindrada e das dimensões generosas da carroceria, o motor do Altima até que consumiu pouco . Sempre com gasolina no tanque, até porque não há sistema flex, o sedã cravou médias de 8,8 km/l na cidade e 10,9 km/l na estrada. Como é de praxe no Autos Segredos, fica a observação que o gasto de combustível de um veículo é influenciado por uma série de fatores, como as características das vias, o relevo, as condições do trânsito e o estilo de condução do motorista.

BOM PARA A COLUNA A posição do motorista, assim como tudo no Altima, é voltada para o conforto. O posto de comando apresenta boa ergonomia, mas o que impressiona mesmo é o ótimo apoio ao corpo proporcionado pelos bancos: batizados de “zero gravity”, foram inspirados em estudos da Nasa para proporcionar boa postura mesmo em gravidade zero. Compostos com espumas de diferentes densidades para os diversos pontos de apoio da coluna cervical, esses componentes de fato cumprem o que prometem. Há regulagens elétricas de altura, distância e suporte para a região lombar. Poderiam apenas ter abas laterais mais generosas, pois nas curvas o corpo fica solto, mas isso iria de encontro à proposta mais relaxada do sedã na Nissan, não é mesmo? No mais, a direção também tem ajustes de altura e profundidade, o volante permite boa pegada e o quadro de instrumentos, analógico e completo, com direito a termômetro do fluido de arrefecimento, oferece leitura correta. Um detalhe curioso é o freio de estacionamento, que não é acionado pela mão, como de costume, e sim com o pé, como ocorre em alguns utilitários. Essa característica, apesar de incomum, não apresentou dificuldades de utilização. Apesar da ausência de lâmpadas de xênon, os faróis iluminaram bem.

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Espaço não é problema no Altima. Cinco adultos podem se acomodar sem aperto. Os vãos para pernas e cabeças, tanto na frente quanto atrás, são bastante generosos, o que condiz com a proposta do modelo. Todos contam com cintos de três pontos e encostos de cabeça, mas esse último é pequeno e fixo para o quinto passageiro, deslize incompreensível na categoria. Contrastando com o habitáculo espaçoso, porta-malas é modesto, com apenas 436 litros, capacidade menor que a de muitos sedãs compactos. Para piorar, parte do espaço é roubado pelas dobradiças do tipo “pescoço de ganso”. Ao menos o vão de entrada é amplo e permite a entrada de objetos maiores. Quando o assunto é acabamento, o Nissan volta a agradar. Ele não chega a impressionar nesse quesito, mas faz boa figura no segmento, com superfícies emborrachadas no painel e nas forrações das portas, sempre tingidas de cores escuras, que dão tom sóbrio ao habitáculo. Há ainda fartas porções de couro nos apoios de braços localizados nas portas, material que também é aplicado aos bancos. Não foram notadas imperfeições ou falhas nos encaixes das peças, tampouco rebarbas plásticas.

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OPÇÃO INTERESSANTE O Altima revelou-se um daqueles carros que agradam no convívio diário. Muito confortável, mostra-se um grande aliado para enfrentar o trânsito caótico das grandes cidades e também para viagens longas, embora não entusiasme tanto em uma condução esportiva, característica perdoável em função de sua proposta. O nível de equipamentos e o preço são coerentes com a categoria em que o sedã está inserido. O problema do modelo, contudo, parece ser o mesmo da maioria de seus concorrentes: a importação de um país sem acordo comercial com o Brasil, que o faz pagar IPI elevado. Por isso, o Fusion, trazido do México e beneficiado por incentivos fiscais, tende a continuar nadando de braçada no mercado nacional. A Nissan sabe disso, tanto que o primeiro lote de Altima trazido ao país foi composto por apenas 250 unidades. De todo modo, entre as alternativas ao rival da Ford, temos aqui uma das mais interessantes.

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AVALIAÇÃO Nilo Marlos
Desempenho (acelerações e retomadas)  8 8
Consumo (cidade e estrada)  7 6
Estabilidade  7 8
Freios  9 7
Posição de dirigir/ergonomia  9 8
Espaço interno  10 9
Porta-malas (espaço, acessibilidade e versatilidade)  7 9
Acabamento  9 8
Itens de segurança (de série e opcionais)  9 9
Itens de conveniência (de série e opcionais)  8 8
Conjunto mecânico (acerto de motor, câmbio, suspensão e direção)  8 8
Relação custo/benefício 7 8

teste_nissan_altima_18FICHA TÉCNICA

» MOTOR
Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, 2.488cm³ de cilindrada, 182cv de potência a 6.000 rpm e 24,7kgfm de torque a 4.000 rpm

» TRANSMISSÃO
Tração dianteira e câmbio automático do tipo CVT (continuamente variável)

» ACELERAÇÃO  ATÉ 100 km/h
Não informada pelo fabricante

» VELOCIDADE MÁXIMA (dado de fábrica)
210 km/h

» DIREÇÃO
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência eletro-hidráulica

» FREIOS
Discos ventilados na dianteira e discos sólidos na traseira, com ABS

» SUSPENSÃO
Dianteira, independente, do tipo McPherson; e traseira, independente, do tipo multilink

» RODAS E PNEUS
Rodas de liga leve de 17 polegadas, pneus 215/55 R17

» DIMENSÕES
Comprimento, 4,865; largura, 1,83; altura, 1,470; distância entre-eixos, 2,775

» CAPACIDADES
Tanque de combustível, 68 litros; porta malas, 436 litros; carga útil (passageiros e bagagem), 500 quilos; peso, 4.469 quilos

Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos